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Rio de Janeiro, 23 de junho de 2017


Meio Ambiente

Ações verdes rendem mérito internacional à PUC-Rio

Ligia Lopes - Do Portal

03/04/2012

 Jefferson Barcellos

Palco do Fórum sobre Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, conferência da ONU que reunirá cerca de 500 cientistas uma semana antes da Rio+20, a PUC-Rio tem se destacado em iniciativas de cuidado com o meio ambiente. Ações como a coleta seletiva, que atualmente permite a comercialização de até cinco toneladas por mês de papel reciclado, foram reconhecidas mundialmente pelo Ranking UI Green Metric, da Universidade da Indonésia, no fim do ano passado. O mérito reforça o desafio da ampliação e consolidação da Agenda Ambiental, criada pelo Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima) para promover a preservação do campus a partir de princípios de sustentabilidade. A universidade pretende, por exemplo, efetivar dois projetos pilotos: a despoluição do Rio Rainha e a programa de energia solar.

O compromisso com os usos da água e o de energia contribuiu, entre outros aspectos, para o reconhecimento internacional. De acordo com o ranking asiático, a PUC-Rio foi classificada como a universidade brasileira mais sustentável. Das 178 posições, ficou em 68º e foi a única, entre as outras brasileiras participantes (Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo e Universidade Federal de Pernambuco), a melhorar a pontuação em relação ao ano anterior.

– O Green Metric é um índice que está se estabilizando e crescendo. Perdemos posição, mas ganhamos pontuação e é isso o que importa, já que o número de universidades participantes dobrou de 2010 para 2011. Enquanto nós nos mantivermos entre as cem primeiras colocadas, estaremos satisfeitos – avalia o diretor do Nima, Luiz Felipe Guanaes.

Para Fernando Walcacer, vice-diretor do Nima, a Agenda Ambiental tem três vertentes importantes: a sustentabilidade, ou "esverdeamento", do campus; a sustentabilidade no currículo, que representa a interdisciplinaridade na formação básica dos alunos, fazendo com que tenham acesso a disciplinas de associadas à educação ambiental, independentemente do curso; e o avanço no relacionamento com as comunidades no entorno da universidade, para facilitar iniciativas sustentáveis conjuntas.

– A PUC tem plena consciência de que todo o planeta vai passar por grandes transformações, mas não sabemos ao certo quais consequências elas trarão. Por isso, queremos formar cidadãos mais participativos e capazes de lidar com as grandes crises do meio ambiente, dentro e fora da universidade – ressalta Walcacer.

Guanaes explica que os princípios de sustentabilidade não pertencem ao Nima, mas "à universidade como um todo". Segundo ele, uma das principais metas neste ano é a consolidação da coleta seletiva, com a adesão maior de alunos e funcionários (leia mais na reportagem Práticas para consolidar agenda ambiental). O sucesso deste tipo de ação, lembra o diretor, depende de uma mudança cultural:  

– O importante é conseguirmos provocar no indivíduo uma mudança de postura. Se conseguirmos auxílio do coletivo, temos uma proposta consistente. À medida que as pessoas participam do processo, elas mesmas geram soluções. Este ano queremos transformar a coleta seletiva em uma realidade na vida de cada um. Para isso, é preciso começar com a sensibilização: discutir para poder colocar em prática – justifica.

Em busca de mais adesão à coleta seletiva

O Projeto de Coleta Seletiva foi implantado com base na análise da dissertação de mestrado “Diagnóstico de Resíduos Sólidos do Campus da PUC-Rio”, de Patrícia Guedes Gomes, em 2009. No ano passado, a instalação de caixas separadas para plástico, metal, papel e material orgânico, ocupou quase 80% da universidade. No entanto, a falta de informação – e de hábito – ainda mantém um volume relativamente alto de mistura dos lixos e, consequentemente, de material perdido. 

– O problema acontece quando alguém deposita, por exemplo, na lixeira de papel um copo com refrigerante, sujando todo o resto. Assim, todo o material é perdido e vai para o aterro sanitário, pois não dá para aproveitar. As pessoas precisam incorporar os projetos como delas, só assim funciona – observa Guanaes.

Para transformar os princípios sustentáveis em ações do dia a dia, ele aposta numa comunicação mais eficiente e em campanhas para sensibilizar alunos, funcionários e professores sobre a importância da reciclagem de lixo, por exemplo:

– Agora colocamos em algumas caixas a explicação de para onde vai o material depositado nas lixeiras. Quando você manda alguma coisa para o aterro sanitário, vira lixo, vira problema. Quando há seletividade, não é mais lixo e o material continua no “ciclo da vida”. A sustentabilidade é um princípio de dignidade.

Despoluição do Rio Rainha impõe parcerias externas

Outra ação sustentável refere-se à despoluição do Rio Rainha, que corta a universidade. O projeto do Nima, em parceria com outros departamentos, busca a participação de agentes externos, como a Rocinha e condomínios da Gávea.

 Thiago Carvalho – A intenção é levar a ideia de "PUC sustentável" para esses setores externos. Nós participamos de um comitê de águas da Lagoa Rodrigo de Freitas e estamos pensando em estratégias para nos comunicar com todos dentro e fora da universidade e despoluir o rio – explica Walcacer.

A parte técnica, isto é, o trabalho efetivo de despoluição, ainda não foi iniciada por "inviabilidade econômica". Além disso, é preciso identificar com precisão as fontes poluidores do rio: lixo, esgoto, óleo de carro.

– A grande dificuldade é propor uma solução sustentável e a comunidade incorporar isso enquanto algo que realmente mereça atenção. As pessoas têm consciência dos problemas que vivem, mas falta técnica. A única forma de o rio ser limpo é não ter problema ambiental nenhum no seu entorno – ressalva Guanaes.

Energia solar começará no Gênesis

Prevista para o primeiro semestre, a aplicação da energia solar no Instituto Gênesis – incubadora de empresas da PUC-Rio que fica em um prédio independente da universidade – é uma espécie de plano plioto para a propagação desta alternativa energética no campus e até fora dele. De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Mecânica Alcir de Faro Orlando, responsável pelo projeto, há duas formas de produção de energia elétrica por meio do sol:

– A primeira delas é através do aquecimento de um fluido com energia solar e, em um ciclo convencional de termoelétrica, por exemplo, você gera eletricidade. A segunda opção é o que nós chamamos de energia fotovoltaica: a transformação direta da energia solar em elétrica. O custo dessa tecnologia dos painéis fotovoltaicos está caindo, então se torna mais viável. É esse o sistema que será aplicado no Instituto Gênesis.

Ainda segundo o professor, a meta inicial é gerar 10 kilowatts com os painéis coletores no Gênesis, onde a energia convencional é "muito cara". Cerca de 10% da energia gasta hoje pelo instituto seriam economizados. Já a implantação dos painéis no campus ainda está em fase de estudo, pois é necessário identificar as áreas disponíveis para colocar os coletores.

– Existem projetos para a colocação em áreas da PUC, como o estacionamento, onde os carros atualmente ficam estacionados sob o sol. Com as placas, eles ficariam na sombra enquanto os coletores gerariam energia. Mas é preciso de conhecimento de engenharia, arquitetura, além de conhecer o código da universidade. A extensão do terreno também é importante. Se quisermos aplicar 500 kilowatts na PUC, precisaremos de cerca de 3.500 metros quadrados de painéis e precisamos estudar onde os colocaríamos – explica.

A energia consumida na PUC vem de duas fontes: Light e os geradores a diesel, instalados como forma de economia nos horários de pico (entre 18h30 e 21h30).