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Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2018


Cultura

Trompetista do Black Eyed Peas aponta rumos musicais

Gabriela Caesar - Do Portal

11/11/2011

 Divulgação

O polêmico autotune, software que modifica a voz, é o "agora", acredita Printz Board, trompetista, tecladista e produtor musical do Black Eyed Peas. Mais que tendência, revela-se um recurso já consumado – e usado com generosidade por sua banda. Printz, que se apresentou com a saxofonista Candy Dulfer, quarta-feira passada (9), no Rio, também reconheceu uma mudança no cenário musical: “Nos Estados Unidos, a tendência é a música dance. Já na Europa, o R&B está fazendo sucesso. Isso é estranho, porque antes acontecia o contrário”. Antes de seguir para Paulínia, interior de São Paulo, onde o grupo americano tocará neste sábado, na abertura da segunda edição do festival de "rock e sustentabilidade" SWU, Printz conversou com o Portal PUC-Rio Digital. No salão do hotel em Copacabana, ele adiantou que espera "se divertir muito" com os shows dos cantores de hip-hop Kanye West e Snoop Dogg, também programados para o primeiro dia do festival. 

A entrevista pegou a estrada com Printz, que pinta metade da unha de vermelho e a outra metade de preto. “Sou americano nativo e africano-americano. O vermelho se refere ao americano nativo; o preto, ao africano-americano”, esclareceu. O músico convidou o Portal a acompanhá-lo até o Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, onde faria a passagem de som. Inspirado nos milhares de jovens fãs mundo afora, grande parte estudantes, ele ressalta que gosta de "manter uma conexão com as pessoas" – na plateia ou na internet. “Não quero me sentir intocável ou longe demais”, justificou o trompetista de Ohio, EUA, enquanto segurava um tablet conectado no Facebook e um smartphone. Seguindo a van que levava os outros pela orla do Rio, numa quarta-feira ensolarada, Printz Board também explicou como funciona o mundo dos negócios da música na era digital; contou que, com a curta pausa do grupo, terá mais tempo para se dedicar a seus projetos; e animou-se com a chance de voltar ao país no Carnaval.

Portal PUC-Rio Digital: As últimas músicas do Black Eyed Peas usam o autotune, polêmico software que modifica a voz do cantor. Isso é uma tendência?

Printz Board: O autotune se tornou mais que uma tendência, algo definitivo, algo de agora. Se o artista fizesse música 20 anos atrás, ela não teria o autotune. É o agora. Além disso, nos Estados Unidos, a tendência é a música dance. E R&B está se tornando tendência na Europa. Isso é estranho, porque antes acontecia o inverso. Os Estados Unidos eram mais R&B e hip-hop; e a Europa, dance.

Portal: Como superar o download ilegal de músicas na internet?

Printz: Os artistas de música são como produtos. Fazemos música porque amamos e também para que as pessoas comprem ingressos para os shows e para as empresas patrocinarem a turnê. Não fazemos música para vendê-la e fazer dinheiro com isso. Nós esperamos, é claro, que o público as compre. Mas também podemos ser patrocinados por 1 milhão de dólares, outro meio de fazer dinheiro. Antes, se o cantor fosse popular, ele faria muito dinheiro vendendo o CD. Agora, o artista pode ser popular e o mundo inteiro ter o CD de graça.

Portal: Com tantos fãs jovens, a internet ganha uma importância estratégica?

Printz: As pessoas saem menos de casa. Ficam com iPads e celulares para conseguir as informações. A internet se tornou a conexão entre as pessoas e os artistas. Por exemplo, se nós não tivéssemos Twitter, quantas pessoas saberiam que eu estou aqui no Brasil? Eu ponho no Twitter, no Facebook, por exemplo, “Eu amo São Paulo”. Quando o artista tem nova música ou novo álbum, como a Candy Dulfer, ele põe lá. Antes, o cantor tinha que agendar shows e viajar pelo mundo, dependia da rádio. Agora, está no YouTube e no mundo todo por causa da internet. Nós lançamos uma música, e ela está no mundo inteiro em segundos. E eu gosto de manter uma conexão com as pessoas – na plateia ou na internet. Eu quero ter isso sempre. Não quero me sentir intocável ou longe demais.

  Gabriela Caesar

Portal: Qual a maior diferença entre trabalhar com Candy Dulfer, considerada uma musa do jazz, e com o Black Eyed Peas?

Printz: A passagem de som, sem dúvida. Engraçado porque eu não faço com os Peas (nome dado para os integrantes da banda), porque nós temos uma equipe para fazer isso. Então, isso é novo para mim. Com os Peas, eu já estou há 14 anos, desde o começo da banda. E, quando estou com eles, eu tenho alguém para levar as minhas malas e me dizer aonde ir. Aqui, eu não tenho isso. É legal para não se esquecer de onde você vem.  

Portal: Os fãs de Candy e do Black Eyed Peas têm perfis diferentes. Como lidar com esse contraste?

Printz: Sempre fui fã de Candy Dulfer. E, assim como os de Sérgio Mendes, os fãs dela não são tão novos. A ideia era convidar os fãs deles. Por que não? Eu sou fã dela, ela é minha fã, então decidimos fazer um CD juntos. E ela é muito, muito talentosa. Nós nos conhecemos há um ano. Começamos o CD em fevereiro e terminamos em agosto. Eu fui a Amsterdã, onde ela mora, e ela foi a Los Angeles. Eu amo toda a banda.

Portal: O que tem achado desta curta passagem pelo Rio?

Printz: Quando eu cheguei aqui, fui direto para a cama. Mas já vim ao Rio outras vezes. Na última vez, eu voei de asa-delta. Quero comprar algumas coisas. Dá para ir andando para o Shopping Leblon? (o show foi no Teatro Casa Grande, ao lado do shopping) Um dos meus amigos me disse para ir ao Barra Musical nesta quarta-feira, à noite. Alguns amigos meus vão me encontrar lá, entre eles Gabriel, o Pensador.

Portal: Há planos de fazer alguma música com Gabriel?

Printz: Ainda não trabalhei com ele ainda, somos só amigos. Eventualmente, fazemos algo juntos. Nós nos conhecemos há um tempo, em Florianópolis, quando os Peas tocaram lá, em 2007.

Portal: O Black Eyed Peas já trabalhou com músicos brasileiros, como Sérgio Mendes. Como é essa relação?

Printz: Nós amamos Sérgio Mendes, e foi ideia do Will (Will.i.am, líder do grupo) contatá-lo e fazer um CD. Sérgio Mendes topou na hora, disse que adorava o nosso trabalho. Eu adorei fazer o CD com Will. Foi muito legal ver a mistura de R&B com o mundo brasileiro. Amamos o ritmo e a batida das músicas brasileiras. Quando a pessoa escuta música brasileira, mesmo se ela não sabe dançar, ela se mexe. Por isso nós costumamos cantar “Chove chuva”, de Jorge Ben Jor, no palco. A todos os lugares que vamos tem alguém com uma bandeira do Brasil. Nós amamos o Brasil assim como o Brasil ama a gente.

Portal: O que a plateia pode esperar da parceria com Candy Dulfer?

Printz: Acho que os fãs esperam um pouco mais de uma nova Candy porque eu estou envolvido. Agora, ela está mais hip-hop. Ela está mais no estilo rock n’roll. Tem uma música chamada “Hey Now”, que é meio reggae no começo, e eu pulo no palco como doido. Eu faço os vocais na maioria das músicas. Eu canto “The Hugs”, toco trompete, é algo especial que eu posso fazer com ela: fazer o meu verdadeiro eu e todo o meu eu. Ir à frente como cantor, porque ela é saxofonista, então não tem briga. Mas continuo com o trompete em “Hey Now” e no cover de “Pick Up The Pieces”.

Portal: Quando pretende voltar para o Rio?

Printz: Nunca vim ao Carnaval, mas agora tenho tempo de ir por causa temos essa pausa curta. Mas Will está trabalhando em algo novo, então não sei até quando vai. Fergie (vocalista) está fazendo algo para o Carnaval, talvez ela seja host de uma festa, mas não sei se é no Rio, acho que pode ser em Salvador. Somos como uma família, melhores amigos, mas não sabemos aonde todos vão e o que farão.