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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Coordenador da Central de Estágios explica taxa

Monalisa Marques - Do Portal

09/11/2011

 Ligia Lopes

A partir deste mês, a Central de Estágios e Serviços Profissionais (Ccesp) da PUC-Rio ampliou a todas as empresas conveniadas a cobrança da taxa para assinatura de contratos de estágio com alunos da universidade. A partir de agora, empresas que têm sua própria equipe de recursos humanos, como os centros de integração, deverão pagar R$ 60 no momento da contratação do estagiário e R$ 40 a cada renovação de contrato. Até então, a taxa só era cobrada de empresas que optavam por ter acesso direto à base de currículos dos alunos cadastrados. De acordo com o coordenador da Central de Estágios, André Lacombe, esta é uma medida de proteção de algumas empresas que se aproveitavam das condições oferecidas e transitavam entre os dois tipos de convênio:

– Algumas empresas, depois de acessar nossa base de dados, no momento da contratação do estagiário se identificavam como conveniadas do tipo B para não pagarem a taxa. Isto é injusto. Além disso, essa mudança viabilizará melhorias. A Ccesp precisa se sustentar – explicou Lacombe, em reunião com alunos representantes dos centros acadêmicos e do Diretório Central de Estudantes (DCE) da universidade na noite desta terça-feira.

A notícia da cobrança se espalhou entre os alunos da PUC pelas redes sociais depois que o Instituto Capacitare, empresa de RH terceirizada e umas das que passarão a pagar a nova taxa, postou um comunicado em sua página do Facebook. O texto afirma que “essa cobrança irá impactar diretamente no oferecimento de oportunidades de estágio”.

Procurada pelo Portal, a gerente geral do Capacitare, Débora Nascimento, disse que o texto em protesto contra a cobrança da taxa pela Ccesp na página do Capacitare no Facebook foi publicado não pela direção, mas por estagiários do instituto. Mas argumenta que as empresas podem desistir de contratar alunos da PUC porque, além das taxas que já pagam pelos serviços do Capacitare e de outras empresas de RH, pagarão também pelo serviço da Ccesp. Débora disse que o instituto vai repassar a taxa às empresas contratantes. O Capacitare cobra taxas próprias de até R$ 90 pelo serviço de seleção de estagiários, e é conveniada ao Ccesp desde 2006, como tipo B. Ela afirmou não ter dados sobre o número de contratações de alunos da PUC-Rio, que classificou como numeroso.

– O volume de contratações é alto, porque a PUC-Rio é uma das universidades com mais prestígio entre as empresas – disse Débora. – É papel também da universidade, enquanto corresponsável pelo aluno, conferir o contrato de estágio. Mas cobrar por isto pode ser um custo alto para empresas que têm muitos estagiários – completou.

Lacombe discorda que a cobrança da taxa prejudique os alunos da universidade. Segundo ele, o reconhecimento da PUC no mercado de trabalho é grande demais para isso, lembrando que cerca de 2 mil empresas são conveniadas à Ccesp, incluindo Mudes e CIEE, que já procuraram a central para se informar sobre as novas regras:

– O valor que uma empresa paga para ter um estande na Mostra PUC é alto, e ela faz isso justamente porque tem interesse nos alunos daqui. Eu duvido que essas empresas, que já se referiram tantas vezes à PUC como um “celeiro de talentos”, se importem de pagar uma taxa tão pequena por um serviço de qualidade – afirmou.

Além disso, ele destacou que a cobrança pelo serviço é prática comum no mercado de Recursos Humanos, e serve para bancar a manutenção do banco de dados da central:

– Nossa taxa é simbólica. Enquanto cobramos R$ 60 por contratação, uma única vez, empresas cobram R$ 100, R$ 200 mensais.

Das empresas com acesso ao banco de currículos, a Ccesp cobra R$ 300 na contratação e R$ 200 na renovação de contrato.

Desinformação
A falta de informação alimentou boatos de que a taxa seria cobrada dos alunos e o temor de que a ação tenha impacto sobre contratações. Entre os alunos participantes da comissão recebida pelo coordenador da Central, alguns estavam exaltados e um pensava que a taxa seria cobrada dos alunos, e não das empresas. No Facebook, alunos criticaram a cobrança e marcaram um protesto para esta quinta-feira, às 10h30, nos pilotis da ala Kennedy. Também foi criado um abaixo-assinado no site Petição Pública.

Ranking de empresas
A Ccesp estuda a criação de um serviço de avaliação das empresas por meio de um questionário em que os alunos estagiários poderão avaliar a empresa em que trabalham. Serão 10 quesitos, pontuados de 0 a 10.

– O objetivo é criar um ranking das melhores empresas para estagiar, que servirá como consulta tanto para os alunos quanto para as próprias empresas – explicou o coordenador.