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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

"O mercado disputa o formado em informática da PUC-Rio"

Thaís Bisinoto - Do Portal

21/10/2011

 Jefferson Barcellos

O professor Marcus Poggi assume, pela primeira vez, a direção do Departamento de Informática da PUC-Rio. Ele substitui Marco Antônio Casanova com a missão de manter qualidade acadêmica que resultou, por exemplo, no desenvolvimento do Ginga, programa para a TV Digital. Doutor em Matemática Aplicada pela École Polytechnique de Montreal, no Canadá, Poggi é especialista em "otimização e raciocínio automático" e leciona cursos de algoritmos na universidade. Antes da cerimônia de posse, hoje, às 11h, na sala do Conselho Universitário, o novo diretor conversou com o Portal PUC-Rio sobre prioridades, desafios, projetos e mercado de trabalho para o profissional da área tecnológica.

Pretendo manter o alto nível do Departamento, tanto em número de publicações, quanto à qualificação do corpo docente, e ampliar a graduação em quantidade de alunos", destacou, no discurso de posse. Para o reitor, padre Josafá Siqueira, S.J., a "excelência" do Departamento de Informática deve-se à integração entre ensino e pesquisa. "Ele tem asas para voar mais alto, adquiridas com a experiência na universidade", incentivou padre Josafá. Nesta entrevista, Poggi explica alguns planos de voo.  

 Eduardo de Holanda 

Portal PUC-Rio Digital: O curso de Engenharia da Computação da PUC-Rio é bem reconhecido, ganhou prêmios como as 5 estrelas do Guia do Estudante. Em sua opinião, a que se deve a qualidade do curso?

Marcus Poggi: Acredito que a posição do Departamento de Informática hoje é consequência do pioneirismo dos fundadores. Alguns deles foram os professores Arndt von Staa e Carlos José de Lucena, que ainda trabalham na universidade. Eles inauguraram, aqui, a primeira pós-graduação em Informática do Brasil. Na época, eles tiveram não só que montar um departamento, como se formar.

Portal: Que áreas relacionadas à informática sinalizam com melhores oportunidades no mercado?

Poggi: A demanda é por todas as áreas. As de maior destaque são engenharia de software, banco de dados... Essa parte de tecnologia e algoritmos. Porém, para o profissional formado na PUC-Rio, tanto de graduação, quanto de pós-graduação, não falta onde trabalhar. A disputa por eles é enorme, no mercado de trabalho.

Portal: Qual é a importância do Ginga, projeto do laboratório de TeleMídia para a TV Digital? Estão previstos aperfeiçoamentos?

Poggi: Por ter morado fora (cinco anos no Canadá, durante o doutorado, em 1993), tenho uma visão de que, no Brasil, com relação ao fornecimento de serviços em tevê digital, ainda estamos na Idade da Pedra. O Ginga é uma ferramenta que vai ajudar a sair do atraso, mas isso depende das iniciativas comerciais que se façam. Acho que, no país, as limitações impostas às empresas de telecomunicações são responsáveis pela lentidão na evolução do meio digital. Como consumidor, vejo que ainda não tenho, no Brasil, o serviço que tinha há 20 anos, no Canadá.

Portal: Há previsão de aumento do corpo docente do Departamento de Informática? 

Poggi: Como profissionais do Departamento, nossas atividades envolvem não só dar aula, mas desenvolver pesquisas de alto nível, de nível mundial. Nós estamos preocupados com isso aqui. Com o número de profissionais que temos, essa cooperação nem sempre é possível. Tendo mais braço, daria para fazer mais. Como todos os departamentos, é claro que queremos crescer, mas temos de fazê-lo dentro de nossas limitações.

Portal: Quais são principais os desafios para os alunos do curso de Engenharia da Computação?

Poggi: É difícil colocar desafios gerais, porque as pessoas, em especial os alunos, são bem heterogêneas. Elas têm de lembrar que os desafios são individuais. Cada um impõe os seus. Porém, nos últimos anos, com o webnegócio, o mundo passou a ficar ao alcance de todos. Não gosto de quem enxerga barreiras e fica em um mundo limitado, enquanto está com as portas abertas para fazer o que quiser.