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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Carnaval à Hollywood beira os R$ 10 milhões por escola

Jorge Neto - Do Portal

10/10/2011

 Arte: Eduardo de Holanda

“Já conseguimos patrocínio para 2013”, vibrava o vice-presidente da São Clemente, Roberto Almeida, ao adiantar para os estudantes da PUC-Rio o enredo financiado: Abraão Medina, pai de Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio e da árvore de Natal na Lagoa. Quinta-feira passada, ROberto Almeida e o presidente da Mocidade Independente, Paulo Vianna, explicaram os principais desafios da administração de uma grande escola de samba. No terceiro dia dos Encontros de Carnaval, organizados pelo jornalista Sidney Rezende, o compasso das cifras ganhou o auditório da sala 102-k.

— Para fazer um carro, por exemplo, cobram mais de R$ 110 mil. Quando não temos patrocínio, ficamos só com R$ 5 milhões provenientes dos direitos de imagem e da venda de ingressos e camarotes para fazer um carnaval. Pode parecer muito, mas a mão de obra também está cada vez mais cara — argumentou Paulo.

Mesmo sem levantamentos oficiais, os admistradores acreditam que a escalada dos preços (a inflação mais de 7% nos últimos 12 meses) se refluita também nos custos do carnaval. Segundo eles, ficaram mais caros, por exemplo, os tecidos para fantasias e a produção dos carros alegóricos.  A busca por patrocínio tornou-se ritmo quase obrigatório.

— Cada fantasia custa, em média, R$ 500, e nós temos por volta de duas mil pessoas para desfilar. Essas pessoas ganham a fantasia — pondera Roberto — Assim, R$ 4 ou 5 milhões são insuficientes para se fazer um bom carnaval.

 Eduardo de Holanda

Embora se digam, "acima de tudo, foliões", e acreditem na espontaneidade, nas raízes do carnaval,  Roberto e Paulo rendem-se às evidências das produções à Hollywood. Na batida da indústria do espetáculo, o carnaval exige mais aparatos, mais profissionais, mais dinheiro.

— O carnaval chega a quase dez milhões de reais. Temos que fazer um espetáculo. Contratamos pessoas da Disney, coreógrafos da Broadway, e chegamos até a usar um homem voador. Isso tudo custa dinheiro, e muito — justificiou Roberto.

Na busca por recursos que ajudem a pagar essa conta, escolam enfrentam o passado. Paulo reconhece que o histórico de patrocínios de bicheiros pode dificultar novas parcerias:

— Estamos fazendo um enredo sobre Candido Portinari, e não temos patrocínio. Ganhamos do Instituto Portinari os direitos de imagem, mas ninguém se interessou, por enquanto. Ainda perguntam se temos banqueiros e bicheiros na escola, tamanho é o medo de investir.

Com tanto dinheiro por trás da criação carnavalesca, a administração das escolas de samba tomou o caminho da profissionalização. Roberto é um dos símbolos dessa mudança:

— Quando dirigia a São Clemente, meu pai (Ivo da Rocha Gomes, 1930-1980) fazia tudo, mas não fazia tudo da maneira certa. Estudei para poder ajudá-lo e me formei em administração. Todas as escolas fizeram o mesmo. Ou se prepararam em casa ou trouxeram profissionais de fora. A escola [de samba] coisa séria — orgulha-se.