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Rio de Janeiro, 20 de junho de 2024


Cultura

Marisa Paredes brilha na abertura do Festival do Rio

Mariana Alvim e Ligia Lopes - Do Portal

11/10/2011

 Ligia Lopes

Um Odeon lotado prestigiou a abertura do Festival do Rio na última quinta-feira, que contou com a presença da atriz espanhola Marisa Paredes, estrela de A pele que habito, de Pedro Almodóvar, filme escolhido para inagurar a 13ª edição da mostra. A cerimônia de abertura, marcada para as 21h, só se iniciou cerca de uma hora depois. Antes da exibição discursaram as organizadoras do festival Vilma Lustosa, Ilda Santiago e Walkiria Barbosa e o prefeito Eduardo Paes, que agradeceu a presença das "celebridades" e citou os investimentos da prefeitura na produção cinematográfica. Musa de Almodovar, com quem já trabalhou em muitos filmes, como Maus hábitos e Tudo sobre minha mãe, a atriz Marisa Paredes apresentou o filme, e foi aclamada pelo público.

– Quando li o roteiro (de A pele que habito), pensei: só Pedro poderia ter escrito isso – comentando que o diretor é o cineasta mais conhecido, adorado e controverso da atualidade.

Ligia LopesAntes de discursar no palco, a diretora executiva do Festival do Rio, Ilda Santiago, destacou ao Portal que a grande novidade desta edição é que a mostra chegará a novos pontos da cidade, como o Complexo do Alemão e Realengo, um desejo antigo da organização do festival. Segundo Ilda, este crescimento acontece em conjunto com um aumento de interesse do público pela mostra:

– Nós crescemos junto com o público. Percebemos que cresceu o interesse no festival, as pessoas buscam conhecer as mostras que mais agradam. E há muito o que descobrir. A Première Brasil, por exemplo, está muito diversificada e equilibrada. Tem muitos diretores consagrados, mas também novos. E também muitos estilos.

A organizadora contou ainda que a escolha do filme de Almodóvar foi muito pensada. De acordo com ela, o filme do espanhol, mesmo que não agrade a todos, faz com que todos pensem. Giulia Gam, que apresentou a cerimônia, também aprovou a escolha:

– É difícil definir o filme em uma palavra. Ele é sensorial, muitas vezes provoca sensações que vão no limite do absurdo, do nonsense, mas mesmo assim tem uma lógica em tudo. Adorei, achei genial. Expõe questões como sexualidade, violência, submissão. Experimenta sensações que se associam a Hannibal Lecter. É o homem criando o homem. Incrível.

Antes da cerimônia oficial, passaram pelo tapete vermelho do Odeon gente de cinema, música e televisão, como os diretores Walter Carvalho e Marcos Paulo, as atrizes Alessandra Negrini e Daniela Escobar e o ator Ney Latorraca, que contou o que mais queria assistir no festival:

– Quero assistir aos filmes brasileiros e especialmente o Casa 9, do Bigode – contou o ator, referindo-se a Luiz Carlos Lacerda, diretor do documentário que conta a história da casa que dividiu com o compositor e Jards Macalé e que se tornou ponto de encontro de artistas nos anos 70.

O compositor Caetano Veloso, amigo de Almodóvar, também fez questão de prestigiar a estreia do filme:

– Fico muito feliz de o filme de Almodóvar abrir o festival. Desde pequeno gosto de cinema, fico contente de chamar atenção para o Rio. Sou amigo do Almodóvar e gosto muito dele. Conversei com ele em Madri e tenho ideia do que seja, mas só vou ver agora, não sei detalhes – disse Caetano antes da exibição, quando foi cumprimentado por Marisa Paredes.

Ligia LopesWalter Carvalho também tem uma lista de filmes para ver no festival. Nela, estão os filmes de Beto Brant (Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, com co-direção de Renato Ciasca), Karim Aïnouz (O abismo prateado), Eduardo Coutinho (As canções) e a Mostra Béla Tarr, retrospectiva da obra do cineasta húngaro. Entre a nova geração de cineastas, Carvalho também tem preferências:

– Estou muito curioso para assistir ao A hora e a vez de Augusto Matraga, que é um remake do filme de Roberto Santos. É interessante que um diretor jovem esteja fazendo uma releitura de Guimarães Rosa. Fora que o filme é um remake de um momento muito produtivo para o cinema nacional, do qual Roberto participou. Da nova geração, também quero ver o filme do Eduardo Nunes, que é um grande cineasta.

A hora e a vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, assim como o original de Roberto Santos, é baseado no conto homônimo de Guimarães Rosa publicado no livro Sagarana.

O Festival do Rio levará cerca de 350 filmes a diversos pontos da cidade entre os dias 6 e 20 de outubro. A organização espera atrair 300 mil pessoas ao evento.