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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024


Mundo

"Efeito espelho" propaga protestos no mundo árabe

Caroline Hülle - Do Portal

30/09/2011

“Os líbios se viram nos egípcios, que se viram nos tunisianos e assim sucessivamente”. Assim o professor de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio Márcio Scarlécio explica, em parte, a onda de movimentos libertários na região. A análise está longe, no entanto, de representar um olhar simplista sobre a Primavera Árabe, cujas complexas razões e implicações foram discutidas por especialistas numa mesa redonda, esta semana, na PUC-Rio, Dela participaram, além de Scalércio, os professores Thiago Rodriguez, especialista em ciências políticas da UFF, e Luís Fernandez e Monica Herz, também do IRI. 

Scarlécio identifica na eclosão de manifestações um "efeito espelho". O mundo árabe, lembrou ele no debate, é unido pelo sentimento da identidade. Estruturas político-sociais relativamente parecidas favorece o entendimento que os problemas são similares. Nesta lógica, um protesto incentiva o outro.

Embora os movimentos do Oriente Médio e norte da África guardem semelhanças, especialmente quanto às reivindicações libertárias, os analistas ressalvam que é necessário reconhecer e avaliar as diferenças. Para Thiago Rodriguez, “falta compreender melhor essa diversidade”:

– Na Tunísia, o Exército foi enfraquecido pelo Ben Ali (presidente deposto), que temia que as forças armadas se levantassem contra o regime. Já o Egito é governado pelas Forças Armadas por meio do Conselho Supremo, e os militares são considerados heróis de guerra e têm apoio de parte considerável da população – exemplificou.

Já Luís Fernandez ponderou que as mudanças em curso no mundo árabe não devem ser consideradas "revoluções". Pois, os conflitos internos e as trocas no poder ainda não representam mudanças efetivas no curso das sociedades. Tais mudanças, ressalvou o especialista, exigem a superação de crises. Só então poderá se ter mais nitidez sobre os rumos daqueles países:

– É um momento em que quem está no poder não consegue governar como anteriormente e há o sentimento de insatisfação de grande parte da sociedade que não aceita viver como antes – avaliou Fernandez.