Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Economia

Dólar, ame-o ou deixe-o

Caio Lima* - Do Portal

29/09/2011

 Lucas Terra

A alta repentina do dólar, que nos últimos dias chegou a ser cotado acima de R$ 2 em alguns bancos, como o Bradesco, e hoje está em torno de R$ 1,84, está deixando aflitos brasileiros com viagens marcadas para o exterior, ou recém-chegados com o cartão de crédito a debitar. E os analistas de mercado financeiro divergem sobre a melhor estratégia. Há quem recomende esperar até a última hora para trocar real por dólar, e quem diga que o momento de comprar é agora, apostando em uma alta ainda maior.

O estudante de engenharia Felipe Pinto, de 21 anos, foi um dos afetados pela alta repentina do dólar. Para ele, que vai para os Estados Unidos trabalhar em um work experience, o sentimento é de revolta.

– Eu estava esperando um momento para trocar meus reais. Vinha acompanhando essa especulação, e achava que o dólar ia cair mais ainda. Até que um dia eu acordei, vi a cotação a quase R$ 2 e fui logo trocar o dinheiro, com medo que chegasse a R$ 2,20, R$ 2,30. Essa variação repentina me revolta – indigna-se Felipe, que no entanto lembra que não pode dizer que perdeu dinheiro: – Prefiro dizer que deixei de economizar – afirma.

 O analista de mercado financeiro da Projeção Consultoria Ricardo Borges é um dos que acreditam em um cenário ainda pior.

– Vejo uma situação muito parecida com a crise de 2008. Os brasileiros que já estão com passagens compradas para o exterior devem ir ao mercado o mais rápido possível para comprar dólar e evitar pagar contas em dólar com cartão de crédito, para não ter surpresas ingratas na data da fatura. O risco de o dólar subir forte é muito grande – alerta.

Já o analista sênior André Mello, da TOV Corretora, discorda, e enxerga um cenário mais positivo no futuro. Para ele, quem está com passagem garantida para o exterior deve esperar até o último momento para comprar dólar.

– O câmbio não vai se valorizar muito mais do que agora. No entanto, devido às constantes mudanças sobre o câmbio, os brasileiros precisam estar sempre preparados para pagar o dólar a R$ 2 – afirma Mello.

Para Borges, o governo quer que o dólar suba para aumentar a competitividade da indústria nacional frente às internacionais, “pois ela se encontra num período crítico há um bom tempo”.

– É interessante que em médio e longo prazo o real se desvalorize, e o governo também acha isso. Portanto, acho que o dólar vai se valorizar ainda mais. Por conta disso, o governo diminuiu a taxa básica de juros em 0,5% e aumentou em 30 pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros importados. É esperar para ver o que vai acontecer – aposta Borges.

Mello, por sua vez, duvida que o governo vá deixar o dólar se valorizar. Segundo ele, essa medida não é interessante, pois poderia penalizar algumas empresas brasileiras endividadas em dólar.

– Teríamos sérios problemas no futuro – acredita o analista.

Uma alternativa para quem vai viajar e teme que a cotação do dólar suba mais é adquirir um cartão pré-pago internacional, oferecido pelos principais bancos.

* Com a colaboração de Mariana Alvim.