Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Teólogos reafirmam importância da interação religiosa

Jorge Neto - Do Portal

06/09/2011

 Jefferson Barcellos

“O ecumenismo não é apêndice, ele é essencial para a religião cristã hoje”. A frase de João Paulo II foi repetida algumas vezes pelo padre Elias Wolff, do Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC), na abertura do III Simpósio de Teologia da PUC-Rio, quinta-feira passada, na PUC-Rio. Segundo Wolff, a referência sintetiza a importância do diálogo ecumênico como “uma porta que se abre para entender e aprender com diferentes religiões”. A valorização da pluralidade e da tolerância religiosa marcou o encontro, que lotou o auditório da Pastoral até sexta-feira.

Para a professora americana Catherine Cornille, do Boston Collge (EUA), a sociedade religiosamente plural é um dos motivos que levaram a Igreja Católica a "aceitar que indivíduos fora dela possam ser salvos". Ela ressaltou:

— Se humanos são salvos, não pode ser apesar de sua religião e sim através dela.

Os dois estudiosos concordam que é viável, e estratégico, o entendimento entre as religiões. Eles afirmam: para que uma seja "verdadeira", as outras não precisam ser "falsas".

— As religiões não são concorrentes. Devem ser entendidas como fenômenos diferentes que levam ao mesmo lugar — resumiu Catherine.

O professor Jürgen Moltmann, da Universidade de Tübigen, na Alemanha, vai além. Na opinião dele, a interação entre as religiões pode até permitir práticas combinadas. Ele observa:

— As práticas podem ser combinadas com outras religiões, como acontece no Japão, onde três religiões são combinadas, e em Taiwan, onde cinco podem ser praticadas ao mesmo tempo.  

Essa interação mais acentuada e mais ampla resulta, observa o professor alemão, do mundo globalizado. Moltmann observa que as religiões se tornaram globais, “e estão no mercado”. Para ela, as religiões passaram e passam por processo de adaptação à globalização semelhante ao dos países.

O sentido das missões, acrescenta padre Elias, também integra o conjunto de mudanças e adaptações à luz do século 21. Ele afirma que o propósito original, de catequizar somente, perdeu o sentido:

— Não existe essa mentalidade de chegar ao local e tornar todos cristãos. O ecumenismo, que com 100 anos de prática ainda pode ser considerado em estágio inicial, nos ensinou como as diferentes culturas importam. Todas as religiões têm a mesma importância. Não se deve subjugar nenhuma, e sim aprender o que elas podem ensinar.

na opiniçao de Catherine, as missões ainda devem mostrar o "meio da salvação", mas sem imposições:

— A missão é o desejo de partilhar o que você acha ser o verdadeiro meio de salvação. Não impondo esse meio a ninguém, mas demonstrando a salvação através dele.

O ciclo de mudanças até resgata antigas concepções. Na avaliação de Jürgen, depois dos efeitos promovidos pelo antropocentrismo, o homem caminha para um reencontro com a natureza.

— A Teoria de Gaia afirma que isso tudo está para mudar. Cortávamos uma árvore e pedíamos desculpa a ela. Uma concepção indígena, mas que está voltando. Agora cortamos, levamos a bronca de um biólogo e plantamos uma nova em seu lugar.

Nos três dias de seminário, uma média diária de 150 espectadores acompanhou as palestras presididas por Elias Wolff, na quarta-feira; Catherine Cornille, na quinta; e Jürgen Moltmann.