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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Obra reforça a atualidade do pensamento de Simone Weil

Caroline Hülle - Do Portal

02/09/2011

Jefferson Barcellos


Simone Weil e a filosofia, autor: Maria Clara Luchetti Bingemer e Fernando Rey Puente

O seminário em comemoração ao centenário da filósofa Simone Weil, realizado em 2009, na PUC-Rio e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganha as prateleiras nesta Bienal. Organizado pela professora Maria Clara Bingemer, decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio (CTCH), e por Fernando Rey Puente, professor de filosofia da UFMG, o livro Simone Weil e a filosofia (Editoras Loyola e PUC-Rio, 166 páginas, RS 22,50) expõe a atualidades de temas estudados  pela pensadora francesa, como direitos trabalhistas, religião e violência. Numa dessas abordagens, sobre direitos individuais, Maria Clara destaca a importância da delimitação dos deveres:

– A conquista da Carta dos Direitos Humanos é muito importante. Mas é complicado defender os direitos individuais sem delimitar deveres. Esse comportamento pode virar uma ditadura dos direitos – alerta a professora.

Simone Weil e a filosofia reproduz os debates, daquele seminário, sobre assuntos centrais para a filósofa. Deles participaram, além de Maria Clara e Puente, a professora Emilia Maria de Morais, da Universidade Federal da Paraíba (UFP), e três acadêmicos franceses: Robert Chenavier, presidente da Associação para Estudos do Pensamento de Simone Weil; Miklos Vetö, professor de filosofia das Universidades de Rennes I e Poitier; Maria da Penha Villela-Petit, pesquisadora emérita do Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS). Para a professora da PUC-Rio, tal diversidade confere um "panorama interessante" à publicação:

– A pluralidade é enriquecedora, e torna a leitura mais interessante.

Ao promover "diálogos" dos pensamentos de Simone Weil e de outros filósofos com as posições de grandes pensadores de várias épocas, como Marx, Rousseau e Lévinas, o livro busca atrair o leitor e, assim, tornar a filosofia weliana seja mais conhecida no Brasil.

– A ideia de organizar o livro e o seminário através de “diálogos” é para atrair a atenção do público, já que Simone não é muito difundida no país – observa Maria Clara – Achamos que, ao dialogar com filósofos mais famosos, chamamos a atenção para uma pensadora que tem muito a dizer ao momento que vivemos.

A iniciativa faz parte da proposta de aproximar a filosofia do dia a dia. Para Maria Clara, a filosofia continua "muito analítica". Revisitar Simone Weil significa também reforçar a importância de "refletir questões filosóficas de acordo com  a atualidade":

– A filosofia tem que impregnar a vida e passar pela corporeidade, pela pessoa inteira, não ser só teórica – afirma a organizadora do livro – Simone Weil aplicava a filosofia na vida como reflexão sobre a existência, fazia isso inspirada na filosofia antiga, em Platão, nos Pitagóricos.