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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Durán e Maria Camargo orientam roteiristas

Eduardo de Holanda - Do Portal

10/08/2011

“Na Globo, rolava uma brincadeira: se você não conseguisse resumir o roteiro no elevador, entre o 1º e o 8º andar, onde era a sala do chefe, queria dizer que sua historia não estava de pé”. Assim a roteirista Maria Camargo alertou os estudantes de Comunicação reunidos na palestra Roteiro de cinema - o último tratamento: a sua história ainda pode melhorar, organizada pela equipe de Roteiro-PUC, responsável também pelo concurso de Roteiros da PUCJorge Durán, também roteirista, conhecido por filmes como "Proibido Proibir" (2007) e "Pixote - A lei do mais fraco" (1981), lembrou a importância de desenvolver, num plano maior – "escaleta" – a ideia central de cada cena.

– Quando se lê um roteiro, é importante identificar onde a história anda e onde ela para. Onde ela anda por bons motivos e onde ela para também por bons motivos – orientou o profissional, às voltas com a produção do seu próximo filme, o thriller “ Romance Policial”.

 Eduardo de Holanda

Animado com a nova experiência, Jorge Durán contou aos alunos alguns bastidores da produção, inclusive (ou especialmente) as dificuldades encontradas. O filme será rodado em locações no Rio e no deserto do Atacama, no Chile. Em tom informal, ele  revelou como teve de ajustar o roteiro para torná-lo mais coerente com a proposta inicial:

– A história original se passava em dois planos, um na cabeça da personagem e outro no mundo “real”. E a maior parte do suspense, o thriller em si, era nesse mundo interior. Quando ia começar a filmar, um amigo me apontou um problema que tinha passado por mim: nesse mundo de sonho, não poderia existir, de fato, o suspense. Ninguém mata ou morre de verdade lá dentro.  

Durán e Maria Camargo admitiram que a reescrita de uma história é um "momento doloroso". Depois de terminado, o roteiro vai para o produtor e o diretor, e não raramente volta com uma série de "sugestões" de mudanças e cortes. Às vezes, por motivo de orçamento; outras, por estar "grande demais".

 Eduardo de Holanda

– A recomendação para “não se apegar” ao roteiro vale ouro. Saber onde ceder e aonde se manter firme é um dos requisitos para um profissional que lida com a criação. É como se a primeira forma da história, quando finalizada pelo roteirista, tomasse rumo próprio, ganhasse vida, enquanto passa pela mão dos outros profissionais que tem o poder de transformá-la em filme – observou a roteirista.  

Maria Camargo acrescenta outra recomendação aos roteiristas em qualquer estágio de aprendizado, iniciante ou já experiente:

– Depois de já estar atuando no mercado, resolvi voltar à faculdade para ter mais bagagem e me atualizar – contou – Uma das melhores coisas que aprendi foi vendo filmes mudos. Um problema que normalmente se resolveria com diálogo, nesse tipo de filme é resolvido de forma visual, mais cinematográfica. Esse recurso deixa o filme mais rico visualmente, é mais cinema.