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Rio de Janeiro, 23 de junho de 2018


Cidade

Debate propõe obra do metrô "menos política e mais técnica"

Gabriela Caesar e Igor de Carvalho - Do Portal

09/08/2011

 Eduardo de Holanda

Políticos e integrantes do movimento O metrô Linha 4 que o Rio precisa agitaram os pilotis da PUC-Rio nesta segunda-feira (8). O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB-RJ) e o vereador Carlo Caiado (DEM-RJ) debateram com o geógrafo Ricardo Lafayette, o professor do Departamento de Engenharia José Eugênio Leal e o engenheiro de transportes Fernando MacDowell o rumo do sistema de transportes – principalmente o metrô – face às demandas da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016. Descontadas as observações panfletárias, a mesa redonda apontou alguns caminhos para alinhar o transporte público a um padrão compatível com a estatura de sede olímpica e as necessidades da população. 

Os participantes convergiram para um alerta: o risco de aspectos políticos contaminarem projetos nos quais deveriam predominar parâmetros técnicos. "Não vejo engenheiros assinando os projetos do metrô", observou Leal.

Para Andrea, há uma grande chance de os moradores se decepcionarem com o resultado de obras como a do metrô no fim das Olimpíadas. "Passamos por essa experiência depois do Pan 2007", comparou a vereadora. Já Molon considera o "argumento dos grandes eventos" insuficiente para justificar ampliação proposta para o metrô nos próximos cinco anos. "Usar a Copa como desculpa para esticar a linha é privilegiar a concessionária que opera o metrô", opinou deputado. Para ele, a sede dos próximos Jogos Olímpicos, ano que vem, serve de parâmetro:

– Em Londres, escolheram a região com menos serviços para servir como área central durante a realização dos Jogos. Assim, todos os serviços básicos serão levados para lá.

Leal ponderou que a mudança no projeto original da Linha 4 do metrô obedeceu a conveniências associadas às Olimpíadas de 2016. Segundo Andrea, a escolha da Barra da Tijuca como centro de operações contraria o texto do Plano Diretor aprovado. Na opinião da vereadora, equívocos no planejamento de projetos tão estratégicos terão consequências graves:

– Errar na construção de Linha de Metrô não é igual à de ônibus.

Leal considera "inviável", por exemplo, dois níveis de metrô na Gávea. Para ele, esse obstáculo técnico poderá servir de argumento para que o bairro "não tenha sequer um [nível]". Já Caiado ressaltou a importância de o Plano Diretor ser cumprido:

– Sou a favor da permanência do projeto original do metrô e de que o metrô vá até a Alvorada, não só até o Jardim Oceânico.

 Lucas Terra

Para Molon (foto), o interesse demonstrado pelas associações de moradores – 25 integrantes acompanharam o debate – é "animador". Assim como o petista, a vereadora tucana lembrou que o envolvimento da sociedade revela-se essencial para que "a mídia dê espaço à causa". Segundo Molon, ex-aluno da universidade, um metrô próximo à PUC-Rio é bom não só para o campus, mas para toda a cidade.

– A distância gera exclusão. O problema habitacional não será resolvido sem a resolução do problema da mobilidade – afirmou o deputado federal.

MacDowell lembra que o Rio se encontra em desvantagem quando comparado a São Paulo, onde, segundo ele, o intervalo entre as composições não pode ser comparado ao do Rio.

Entenda o caso

Elaborado na década de 1990, o projeto original da Linha 4 do metrô foi modificado depois de o Rio ser anunciado sede das Olimpíadas de 2016. A ligação entre Botafogo e o Jardim Oceânico, na Barra, passaria a ser feita pela extensão da Linha 1. A mudança, no entanto, despertou críticas sobre o alinhamento dos novos trajetos às prioridades de deslocamento da população. O movimento Linha 4 que o Rio precisa, criado no ano passado, une 30 associações que temem que a mudança prejudique o transporte metroviário a partir de 2016.