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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024


Campus

De tanto participar do Mutirão, paulista decidiu virar padre

Caio Lima - Do Portal

22/07/2011

Gabriela Caesar

Mesmo em período de férias a PUC-Rio vive uma interação entre veteranos e calouros. É o encontro de pessoas das mais distintas localidades e histórias de vida que vieram ao Rio para acompanhar o 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação – iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Padre Marcos Vinicius Clementino, da Diocese de Guarulhos (SP), chega ao sexto Muticom. Ele clama os calorous, como Fábio Bandacheski e Mauro Cesar Uchida, ambos da Diocese de Curitiba (PR), para que aproveitem bem as novidades. “E o mais importante: ajudem os que já estão nessa caminhada a corrigir cada vez mais os erros, sobretudo porque temos uma necessidade de continuidade”, diz o veterano. O padre revela que o Mutirão foi essencial a sua formação:

– Quando eu ainda cursava o terceiro ano de filosofia, fui designado pela Diocese de Guarulhos para ser o responsável pelo trabalho de comunicação das igrejas católicas da cidade. Naturalmente, integrei-me com as pastorais de comunicação de diferentes lugares. Quando o Muticom foi criado, em 1998, já estava totalmente envolvido na área, o que aumentou conforme se sucederam as participações. Isso me ajudou muito na formação como padre, me mostrou o que abraçar dentro Igreja. Na minha visão, a comunicação é prioridade.

Exemplo de fidelidade ao Mutirão – só não foi ao segundo (2003), em São Paulo –, padre Clementino avalia que a edição carioca tem um "sabor especial". Nomeado coordenador do Setor de Comunicação do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da CNBB, ele não sabe ainda se terá a mesma função no encontro seguinte, em 2013, na capital potiguar, mas já cultiva uma certeza:

– Estarei lá – avisa – Já estou me planejando para daqui dois anos estar em Natal.

O longo afeto do padre pelo Mutirão contrasta com o flerte dos calouros Uchida e Bandacheski. Mais pragmáticos, os paranaenses explicam que vieram ao Rio, como representantes da paróquia Santa Teresinha Lisieux, para aprender com a Pastoral da Comunicação: 

 Stéphanie Saramago – Nossa missão é observar como está funcionando a Pastoral da Comunicação para verificar o nível em que estamos e de onde podemos chegar. A expectativa é que possamos adquirir o conhecimento para ajudar nossa paróquia e, consequentemente, a Diocese de Curitiba. Mas isso não é suficiente. Como lembrou o diretor da Rede Globo Luis Erlanger, no painel de segunda-feira, ainda não temos um plano nacional para a comunicação, que seja direcionada a todas as igrejas – ressalta Uchida.

Já Bandacheski acredita que, além de voltar para Curitiba com lições na bagagem, a primeira participação no Muticom proporciona “uma abertura de olhos”:

– Volto para Curitiba refletindo sobre como a Igreja Católica está se comunicando e como ela é e foi vista. Nós fieis devemos prezar e debater como ela deve ser vista no futuro. No caso dos mais jovens como eu (22 anos), a responsabilidade aumenta, pois temos conhecimento e usamos com eficiência as redes sociais. É usar isso em favor da Igreja Católica, com mais intensidade e organização.

O veterano concorda com a opinião dos calouros. Mas Clementino acrescenta que o Muticom é, sobretudo, um "celeiro de contatos" no qual o participante ganha uma "formação legítima de todo o pensar da Igreja":

– Desde a primeira edição, o que mais me encanta é a relação com pessoas de várias partes do Brasil. Criei inúmeras amizades, como jamais criaria. Esse é um ponto que me levou a participar de seis mutirões. Outro bom motivo é a garantia de uma formação legítima do pensar da Igreja, porque, além das autoridades e profissionais ligadas ela, o Muticom reserva espaço para técnicos da comunicação. Acho que esse “confronto” promove o pensar não só da Igreja, como de toda a sociedade. Por esses motivos, eu nunca perco o evento – justifica.

 Stéphanie Saramago Para cumprir a missão dada pela paróquia de origem, Uchida e Bandacheski desenvolveram suas próprias táticas. Inscreveram-se em oficinas diferentes, todos os dias, justamente para não assistirem ao mesmo conteúdo, e assim absorverem "o máximo que é proposto no Mutirão". Os calouros revelam, no entanto, que a incumbência uniu o útil ao agradável:

– Temos uma empresa de criação de sites. Então, foi ótimo associar os assuntos debatidos no Mutirão com o que nós trabalhamos e as atividades da paróquia – avalia Uchida.

Depois de seis participações no Muticom, padre Clementino garante ter formado um senso crítico sobre a iniciativa. Para ele, a evolução positiva remete à organização, ao aumento de cobertura da mídia católica e à maior participação de jovens. Ele aponta o que ainda pode melhorar:

– Creio que as oficinas devem ser cada vez mais práticas. Caso contrário, vai chegar um momento em que vão perder a função: as pessoas vão acabar dispersando e perdendo o interesse. As oficinas devem ser uma continuação da conferência que acontece na parte da manhã – opina o padre, que diz ter levado essas sugestões aos organizadores do Mutirão.