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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Jornalistas reforçam a Babel de sotaques do Muticom

Jorge Neto - Do Portal

21/07/2011

 Eduardo de Holanda

Trezentos metros de cabo, mais de cem notebooks, dezenas de câmeras, incontáveis smartphones. Esses equipamentos multiplicam as cenas e informações do 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação, conferem-lhe o status de grande cobertura jornalística. Quase 300 jornalistas, de 22 veículos, passam o dia na PUC-Rio. “Reportar o Muticom, estando em Roma, não daria credibilidade”, justifica Silvonei José, enviado especial da Rádio Vaticano. Repórteres, editores, câmeras e assessores de imprensa vindos de diferentes estados, e até de outros países, reforçam a Babel de sotaques no Mutirão.

Mesmo longe das respectivas sedes, as dificuldades para reportar são pequenas. A tecnologia digital aproxima fronteiras e impõe um ritmo veloz na transmissão das atividades do Muticom – tanto em veículos tradicionais quanto nas novas mídias. “Com a tecnologia sempre se está em casa”, diz Silvonei, que, com o colega de Padre César Augusto, utiliza as instalações da universidade para fazer programas da Rádio Vaticano, em italiano e português.

Apesar das facilidades garantidas pelos avanços tecnológicos, são raras transmissões na íntegra dos debates e oficinas. Veículos como Rede Vida exibem flashes das palestras e outras atividades três vezes por dia. Reportagens são editadas na hora, pela mesa de som e vídeo do caminhão Full HD. “De vez em quando dá uma gafe, mas isso acontece até no Jornal Nacional”, brinca o câmera Adelson. 

Com o objetivo de mostrar as principais palestras, a Rádio Migrantes opta por colocar todo o conteúdo na internet. “Se fôssemos ao ar, atrapalharíamos a programação. Com a web rádio, conseguimos passar tudo o que acontece na parte da manhã, com áudio e imagens, usando uma câmera e a internet da PUC", orgulha-se padre Sérgio Gheller, coordenador da equipe do Rio Grande do Sul. “A cobertura está  bem fácil. Nossa maior dificuldade foi achar a universidade no primeiro dia: pegamos o ônibus errado e chegamos atrasados. Agora só andamos de táxi”, conta.

Rodrigo Luiz, assessor de imprensa da companhia Canção Nova, afirma que a cobertura do Mutirão é a parte menos cansativa da jornada iniciada no interior de São Paulo: "A viagem é o mais desgastante. Vir transmitir todo dia é tranquilo". Rodrigo e equipe deixaram Cachoeira Paulista ansiosos para ver a participação de "grandes nomes".

– Vê-lo palestrando e falando de problemas enfrentados por nós torna nosso trabalho, aqui, bem mais proveitoso – destaca ele, referindo-se a Dom Maria Celli.

   

Outros jornalistas direcionam suas pautas para locais de origem. “Tentamos buscar o que é dito pelos palestrantes e pessoas do Nordeste”, explica Marcos Vasconcelos e Jocasta Pimentel, enviados da rádio Dom Bosco de Fortaleza. “Nós não podemos ir ao ar com tudo. É inviável encaixar isso na programação da rádio. Nós focamos no que mais interessa ao nosso público”, acrescenta.

Com os diferentes sotaques e formas de transmissão, o Mutirão ganha ares também de escola de jornalismo. Nas abordagens variadas, nas diversas formas de contar as histórias desse encontro, revelam-se as dicções brasileiras. O Muticom segue até as 19h30 desta sexta-feira.