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Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2017


Variedades

O romântico obstinado que criou o seu conto de fadas

Jorge Neto - Do Portal

12/06/2012

 Arquivo pessoal

O estudante carioca Marco Combat, de 27 anos, é um sujeito obstinado. Estudou até passar no curso de sistemas de informação na PUC-Rio com bolsa de 100%. Após três tentativas, entrou em 2008. Foi um ano dourado, em que ainda conquistou o emprego dos seus sonhos e conheceu a mulher da sua vida.

Uma conquista levou à outra. Ainda no primeiro período, durante a Mostra PUC, Marco se candidatou a um estágio na Chemtech, empresa de engenharia e tecnologia de informação em que sonhava trabalhar desde os 18. Embora atuasse na área desde os 16, consertando computadores, seu currículo era recusado por só ter, até então, o Ensino Médio.

– Ao ver o estande, sorri e disse a mim mesmo: agora consigo a vaga.

Enviou o currículo, e uma semana depois recebeu um e-mail pedindo seu histórico escolar. Na mesma hora telefonou, pedindo para falar com alguém da área de Recursos Humanos. Após muita insistência, apelou à telefonista que lhe desse o e-mail do responsável pelas contratações. A moça argumentou que isto era contra as regras da empresa, mas, ao final, passou o endereço, dando a Marco seu passaporte de entrada: na mensagem, ele pôde se apresentar e mostrar o quanto queria a vaga, e logo foi contratado.

Já empregado no departamento de suporte tecnológico, Marco foi atender a um pedido de troca de tinta para uma secretária, num dos 20 andares da empresa. Era Renata Rissi de Oliveira.

– Depois de alguns minutos de conversa, comentei que precisava ir, pois tinha prova na PUC. O comentário mexeu com ela. Ela contou que tinha vontade de estudar lá também, mas que não poderia pagar. Contei minha experiência, e disse que era possível para ela também.

Apressado, Marco sugeriu um almoço para retomarem a conversa. No encontro, Renata contou que teve seu primeiro filho aos 15 anos e o segundo aos 16, e por isso havia interrompido os estudos. Em 2005, grávida do quarto filho, conseguiu concluir o Ensino Médio trabalhando durante o dia e estudando à noite. Seu sonho era fazer pedagogia e atuar na área de educação. Tinha, então, 30 anos.

– Boquiaberto, reconheci que as dificuldades para conseguir a bolsa eram grandes, mas, como tudo na vida, ela precisaria tentar – lembra Marco.

No tempo que se seguiu ela fez a prova do Enem, se cadastrou no ProUni, prestou o vestibular e passou para o curso de pedagogia da PUC-Rio. Mas como trabalhar e ao mesmo tempo cursar a faculdade?

– Dei força a ela para que deixasse a empresa e não perdesse a oportunidade de ingressar num curso de nível superior. Não sei se ela tem um parafuso a menos, acho que sim, mas ela pediu demissão.

 Arquivo pessoal Ao explicar suas razões, Renata foi realocada, primeiramente como estagiária, depois como funcionária, e  hoje concilia o trabalho com o curso universitário. Ele deixou a empresa, e se dedica a projetos próprios.

Com as coisas se acertando, os dois se tornaram cada vez mais amigos, e se encontravam na universidade num intervalo ou outro. Num desses dias, numa conversa trivial, Marco contou a história de como havia entrado para a empresa onde haviam se conhecido. Contou da telefonista que o atendera e que, depois de muita insistência, dera a ele o tal e-mail do RH.

– Quando contei isso, ela empalideceu. Disse que quem me atendeu era ela, que naquele dia estava substituindo uma funcionária que tinha faltado.

Naquele momento, já estavam apaixonados. Renata terminou o relacionamento com o pai de seus filhos mais novos e, um ano depois, os dois começaram a planejar o casamento.

– Mesmo sem ter a mínima condição de arcar com as despesas, fomos em frente. Disse a ela que quem quer que fosse ao nosso casamento nunca esqueceria. Seria o mais lindo que alguém já foi.

Procuraram o padre Djalma, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na PUC-Rio, marcaram o casamento, com direito a festa na Pastoral. A cerimônia foi realizada no dia 14 de janeiro deste ano, com Marco roubando a cena e dançando samba de raiz com chapéu de malandro para a esposa.

– Não sei direito como tudo acabou dando certo. Fomos atrás de nossos objetivos e, juntos, conseguimos. Hoje temos uma família linda, e somos muito felizes. E você acredita que, depois de tudo isso, ela ainda diz que eu não sou romântico? – pergunta ele, que contou sua história ao Portal com uma condição: de que a reportagem fosse uma surpresa para sua amada neste Dia dos Namorados.