Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2017


Variedades

"Ser bom com as palavras é essencial", diz Olivetto

Sofia Miranda - Do Portal

01/11/2011

 Sofia Miranda

Ser bom com as palavras é fundamental para quem quer trabalhar com publicidade, ensinou o publicitário Washington Olivetto à plateia que lotou o RDC na quarta-feira, dia 19 de outubro. A palestra do diretor de criação e chairman da WMcCann, responsável por algumas das campanhas mais marcantes da propaganda nacional, como a do Primeiro Sutiã e a do Garoto Bombril, iniciou a celebração do centenário de David Ogilvy na PUC-Rio. Ao auditório cheio de alunos interessados em dicas de sua carreira profissional, Olivetto contou histórias engraçadas e ressaltou que um bom publicitário deve conhecer a linguagem para saber transformá-la em propagandas.

– Uma vez eu recebi um telefonema de um repórter que me perguntou qual era a fórmula que eu usava para descobrir jovens talentos. Eu respondi que não existe uma fórmula, mas que uso um critério para descobrir novos redatores: eu escolho um garoto bem feinho e que tenha namoradas muito bonitas, pois ele certamente deve ser um cara muito bom com as palavras – brincou Olivetto.

Ao longo da palestra, Olivetto destacou a importância e a influência de David Ogilvy para a publicidade e falou sobre as metas que pretende atingir quando faz seu trabalho, mostrando vídeos de campanhas produzidas por ele e sua empresa.

– Eu quero fazer uma publicidade que cumpra com suas obrigações, que são: vender produtos, construir marcas e, além de tudo, entrar para a cultura popular do país – apontou Olivetto, mostrando em seguida uma de suas campanhas mais famosas, O Primeiro Sutiã, da Valisére.

A propaganda, veiculada no ano de 1987 com o slogan “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, gerou paródias e sátiras, como a da TV Pirata, em que o ator Diogo Vilela aparece usando o primeiro sutiã, como a menina do comercial.

Olivetto lembrou que a utilização do humor em publicidade tem um forte apelo com os brasileiros, dando como outro exemplo uma campanha feita para a Aliança Francesa. Em um dos comerciais, um garçom servindo um prato de sopa. Quando o cliente reclama de um bigode dentro do seu prato, o garçom começa a falar em francês e o homem é persuadido a experimentar a sopa mesmo assim. A propaganda se encerra com esta frase: “Em francês, tudo fica mais charmoso”.

Sofia Miranda O chairman da WMcCain aconselhou: as pessoas não querem complicação. Para fazer boa publicidade, deve-se olhar tudo com simplicidade. Para isso, ser bem informado é essencial.

– Ser bem informado capacita vocês a serem criativos. As pessoas têm que se abastecer de vida. Há publicitários que começam a trabalhar e só se informam e estudam sobre publicidade. Quando falo de se abastecer de vida, falo de filmes, cinema, literatura, enfim, pensar que tudo é interessante. Não podemos olhar as coisas pensando que elas são bregas. E, a partir disso, a pessoa pode se tornar o que eu chamo de um grande ‘adequador’ de linguagem e fazer boa publicidade – explicou.

Após a conversa, Olivetto respondeu a perguntas da plateia. Sobre como escolhe os atores para suas campanhas, respondeu:

– Eu costumo dizer que as pessoas que trabalham comigo têm liberdade para fazer tudo o que querem, mas do jeito que eu quero. Quando pedi um ator para a campanha da Bombril, que é o Carlos Moreno, eu disse: ‘Quero um Marco Nanini desconhecido’.

Antes da palestra, os alunos estavam ansiosos pela chegada de Olivetto. Aluna de publicidade do 3° período, Geni Machado acreditava que o Olivetto tinha muito a ensinar aos alunos.

– Olivetto é um dos maiores ícones da publicidade mundial, e é brasileiro. É um orgulho e uma vontade de aprender, de saber como ele trabalha e o que ele pensa – vibrou Geni.

O professor de publicidade da PUC-Rio Carlos Negreiros disse acreditar que a palestra de Olivetto foi proveitosa para os alunos e para a universidade.

– Existe um grande buraco negro quando você se forma e vai procurar o seu emprego. Então, quando você traz uma pessoa como o Washington Olivetto, do mercado de trabalho, e essa pessoa tira suas dúvidas, isso ajuda bastante. E não é uma questão de deslumbramento, é uma questão de informação. Os alunos que estiveram aqui conhecem o Washington Olivetto via televisão e rádio. Ter a presença dele, conviver com ele e ter essas informações é o que eu acho válido – destacou Negreiros.