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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2017


Saúde

Vacina do HPV deve chegar ao SUS no próximo semestre

Maria Christina Corrêa - Do Portal

14/05/2013

Arte: Marianna Fernandes

A vacina contra HPV estará disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país a partir do próximo semestre. De acordo com o Ministério da Saúde serão adquiridas 270 mil doses, suficientes para atender a 90 mil pessoas, em três etapas do tratamento, a um custo de R$ 12,2 milhões. O HPV, Papilomavírus Humano, é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo, com 6 milhões de infectados anualmente. É um vírus universal, que não tem preferência por gênero, idade, raça. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são mais de 630 milhões de homens e mulheres infectados por esse vírus no mundo. Por enquanto, a vacina do HPV só está disponível na rede pública do Distrito Federal e na rede privada, com cada dose custando de R$ 450 a R$ 900.

Em algum momento da vida, todos os indivíduos terão contato com o vírus, mas nem todos desenvolvem câncer. No Brasil ocorrem cerca de 20 mil casos e 4 mil mortes anualmente. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o HPV está presente em mais de 90% dos casos de câncer. Destes, o mais frequente é o do colo uterino, correspondente a 10% dos casos da doença em mulheres no mundo e o segundo tumor mais comum no público feminino, depois do câncer de mama. Nos homens, o HPV é o principal motivo de câncer no pênis. O urologista com especialidade em HPV Julio José Máximo de Carvalho, que mantém um site e é autor de livros como Manual prático do HPV e Falando sobre o HPV: papilomavírus humano, explica os altos números:

– São cerca de 500 mil casos de câncer do colo uterino no mundo, causando anualmente 270 mil mortes, ou seja, uma a cada minuto. Isso acontece porque, após o início da atividade sexual, a possibilidade de contato com o HPV aumenta progressivamente: 25% das adolescentes apresentam infecção pelo vírus durante o primeiro ano após iniciação sexual. Três anos depois, esse percentual sobe para 70%.

Ao buscar informações sobre o vírus na Central de Atendimento do SUS (136), na última semana, a equipe enfrentou uma espera de aproximadamente 45 minutos para conseguir falar com um atendente, que se limitou a ler o texto de uma cartilha padronizada, conteúdo semelhante ao de uma gravação inicial. Num outro contato telefônico com o Ministério da Saúde, um atendente se referiu à “vacina das meninas adolescentes”, e outro confundiu a vacina do HPV com a da gripe.

A vacina, na verdade, deve ser tomada por homens e mulheres entre 10 e 26 anos, e não apenas por meninas adolescentes. O Ministério da Saúde declarou que a faixa etária da população a ser imunizada com a vacina no SUS está em fase final de estudos, considerando-se o custo elevado, que dificulta a vacinação em massa. Para Carvalho, o ideal é vacinar meninas e meninos antes de iniciarem a atividade sexual, entre 10 e 12 anos.

– O estudo da vacina envolve uma tecnologia elaborada, com muito tempo para chegar a conclusões finais e com muito investimento financeiro, que acarretou um valor elevado da vacina nos primeiros anos.

Verrugas são focos de contágio

O HPV pode ser transmitido por relação sexual ou pelo contato com sangue ou feridas. Carvalho recomenda que o casal faça exames para Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) antes da relação sexual, e ressalta que o uso do preservativo é essencial, mesmo que não ocorra penetração. Verrugas devem ser investigadas, principalmente nos homens. Devido à ausência de sintomas, a doença raramente é diagnosticada. Nas mulheres, o vírus pode ser rastreado através do exame preventivo. O homem contaminado pode ser um transmissor e ter exames com resultado falso negativo. Assim, deve ser avaliado de maneira mais ampla – uma das soluções é verificar se a parceira é portadora do vírus.

Atenção com cera depilatória, lâminas e alicates de unha

De acordo com recente pesquisa francesa, a depilação passou a ser meio de transmissão de doenças como o HPV. A pesquisa, publicada no periódico Sexually Transmitted Infections, explica que a cera aumenta o risco de inflamações e contaminação, pois deixam a pele mais sensível. Nesse caso, a contaminação do vírus se daria através das células da pele, podendo ser contraído mesmo em indivíduos que nunca tiveram relação sexual. Dr. Julio Carvalho acrescenta que lâminas são outro possível meio não só de infecção, mas também de disseminar o vírus naqueles que já são portadores, e sugere cortar os pelos com tesoura, evitando ceras e lâminas depilatórias.

 Reprodução internet O HPV, vírus que ainda não é conhecido por toda a população, é a DST mais comum atualmente e atinge 11,6% de jovens virgens, segundo estudo publicado no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. Segundo pesquisa publicada no The Journal of Infectious Diseases, de 387 jovens contaminadas entre 14 e 17 anos, 22 eram virgens. O urologista cita estudo brasileiro realizado pela médica Renata Mirian Nunes Eleutério em sua dissertação de mestrado em 2010, Prevalência de Papilomavírus humano em adolescentes virgens e com atividade sexual, que teve como objetivo principal pesquisar a prevalência de DNA-HPV entre adolescentes sem vida sexual ativa e comparar com adolescentes com atividade sexual.

– Neste estudo foi observado que a infecção pelo HPV pode ocorrer em meninas que mantêm contato genital com os namorados, mesmo preservando a virgindade, pois o contato genital é uma via de transmissão em pacientes virgens – analisa Júlio Carvalho.

Tratamento

O HPV tem cura. É preciso tomar medicamentos continuamente por aproximadamente dois anos para garantir a eliminação do vírus do organismo. Caso contrário, ele permanecerá inativo e, quando o sistema imunológico baixar, ele voltará a aparecer. Doutor Julio Carvalho destaca que cada caso deve ser tratado individualmente e ter o tratamento ideal programado. Como o resultado depende da imunidade de cada um, o consumo de chás de ervas medicinais ou vitamina C não evitam o vírus, mas podem ajudar a melhorar a imunidade. Mesmo existindo cura, a prevenção é fundamental, com o uso de preservativos em todas as relações. Enquanto não está disponível no SUS, a vacina pode ser encontrada na rede privada, ao custo médio de R$ 450 por dose.