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Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2017


Saúde

Relação médico-paciente é principal reclamação na rede pública

Angélica Veiga* - Da sala de aula

11/07/2013

 Arquivo Portal

Com investimento de R$ 3,260 milhões, em 2011, valor que representa 19,25% do orçamento total aplicado na cidade do Rio de Janeiro, Ministério da Saúde, governo estadual e prefeitura tentam resolver os problemas na demora no atendimento, a falta de medicina preventiva e o mau relacionamento entre pacientes e médicos, três dos maiores problemas da rede pública. Desde que foi implantado o sistema de saúde preventiva, há 20 anos, a prefeitura carioca recebe notas baixas, como a pior pontuação no Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS) em março de 2012. Na pesquisa relativa ao período de 2008/2010, o Rio obteve nota de 4,33, enquanto cidades como Arco-Íris (SP) e Vitória (ES) tiveram pontuação acima da média, de 8,38 e 7,08. Para amenizar a espera dos pacientes nas portas dos hospitais foram criadas as Unidades de Pronto-Atendimento (UPA), pelo governo federal, e as Clínicas da Família, pela prefeitura.

Tal investimento resultou positivo para o Hospital Miguel Couto, que já registra redução no número de atendimentos emergenciais, o que tem permitido a concentração nos casos mais graves. Em 2009, 1.000 pacientes eram atendidos por dia, em média. Em 2012, o número caiu para 250 atendimentos por dia.

– É claro que as clínicas de saúde preventiva desafogaram o atendimento de emergência no Miguel Couto. Antigamente, atendíamos a qualquer tipo de doença que o paciente apresentava, e hoje só cuidamos de casos de emergência. Não se vê mais aquele tumulto na porta do hospital – afirma o diretor do Hospital Municipal Miguel Couto, Luiz Alexandre Essinger.

Reprodução Além de a fila ter diminuído, o tempo de espera também caiu, já que o atendimento agora é sistematizado. Ao chegar ao hospital o paciente passa por avaliação e depois é encaminhado para o médico especializado.

– O atendimento aqui é muito bom. Tive câncer de próstata e em um mês consegui marcar tudo e fazer minha cirurgia. Hoje venho só para fazer o acompanhamento pós-cirúrgico – relata o médico Nelida Arzamendia, 76 anos.

Muitos pacientes, porém, reclamam da falta de conversa e de explicações por parte dos médicos.

– A principal crítica que recebemos, seja pelo SAC (serviço de atendimento ao consumidor) da secretaria ou pelos próprios pacientes, é sobre o relacionamento entre médico e pacientes. Muitos doentes criticam que o médico nem mediu a pressão ou que encaminharam para outro hospital sem explicar direito o motivo. Nós percebemos com isso a necessidade de humanizar a medicina, para que não haja falha na comunicação –  explica a médica Mônica Giesta, coordenadora da UPA da Rocinha.

Para o professor Hilton Augusto Koch, decano do Centro de Ciência Biológica e Medicina (CCBM) da PUC-Rio, a conversa e atenção por parte do médico faz com que o paciente fique mais informado sobre seu problema de saúde e possa até identificar futuras falhas médicas. Ele acrescenta que o melhor lugar para se fomentar esse relacionamento é nos postos de saúde preventiva, como a UPA e a Clínica da Família:

– Nos postos de saúde preventiva fica mais fácil para o médico criar vínculo com o paciente. Além disso, se torna um ótimo lugar para conscientizar a população. Um fator importante da medicina preventiva é conseguir diminuir os casos de emergência, e isso só se consegue quando as pessoas se cuidam – afirma Augusto Koch.

* Reportagem produzida para a disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso, da professora Carla Rodrigues.