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Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2017


Saúde

Campanha cadastra quase 400 doadores de medula óssea

Thaís Bisinoto - Do Portal

17/08/2011

Eduardo de Holanda

A PUC-Rio cadastrou, na quarta-feira passada, 400 doadores de medula óssea. As amostras de sangue recolhidas por técnicos do Instituto Estadual de Hematologiado serão testadas e arquivadas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando há compatibilidade com paciente também cadastrado – 1.200 brasileiros estão na fila –, a doação é consumada. O procedimento revela-se muito mais seguro do que imagina o senso comum, esclerece o oncologista e hematologista Daniel Tabak, titular da Academia Nacional de Medicina e um dos principais especialistas da área no país. Em rápida entrevista ao Portal, o ex-diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca explica os processos de extração e reforça a importância desse tecido para o organismo.

Portal PUC-Rio Digital: Por que a medula óssea é tão essencial ao organismo?

Daniel Tabak: Ela é um tecido responsável pela produção de sangue, com seus elementos figurados: os glóbulos brancos (leucócitos), vermelhos (hemácias) e plaquetas. Respondem, respectivamente, pela defesa de infecções, pelo transporte de oxigênio e pela coagulação.

Portal: Quais são as origens dos distúrbios medulares?

Tabak: A medula pode ficar doente de diversas maneiras. Vírus, medicamentos e agentes tóxicos, como inseticidas e solventes, podem prejudicar a produção de sangue. Quando células sofrem processos de mutação – caso da leucemia –, a produção também pode ser comprometida.

Portal: Daí a importância do transplante de medula: para restabelecer, digamos, a produção de sangue?

Tabak: O transplante de medula representa a possibilidade de substituir o tecido doente por um tecido normal. Por isso é tão importante.

Portal: O volume de doadores cadastrados ainda é relativamente baixo, em parte por conta da suposição de que o transplante pode gerar risco ao doador. O senhor afirma que isso é um equívoco: o procedimento é muito mais seguro do que se imagina. Afinal, como é feita a extração de medula?

Tabak: A extração pode ser feita de duas formas: por meio de punção do osso ilíaco (que forma a bacia) e punção venosa. O primeiro é um processo cirúrgico, no qual o doador deve tomar anestesia geral ou peridural, ficando internado por um dia. No Brasil, esse procedimento é feito diretamente no Inca. A outra forma de extração assemelha-se à hemodiálise: o doador recebe uma medicação, que permite a circulação de células da medula pelo sangue e, após cinco dias, essas células são filtradas.

Portal: A doação de medula óssea oferece riscos ao doador?

Tabak: Sim, mas poucos. A medula é colhida por meio de várias punções. São retirados de 10ml a 15ml por quilo do peso do doador. Em certos casos, pode ser extraído do adulto o equivalente à medula de uma criança. Porém, apesar de existirem, os riscos são pequenos, pois as células da medula são completamente regeneradas. 

 

Campanha para doação de medula óssea ganhou os pilotis da PUC-Rio na quarta-feira passada (17). Técnicos do Hemorio, recolheram amostras de sangue que renovam a esperança dos aproximadamente 1.200 brasileiros na fila desse tipo de transplante, como pacientes com leucemia e linfoma (câncer do sistema linfático). Cada amostra será levada para testes e ficará cadastrada no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando for identificada compatibilidade com paciente também cadastrado, o doador será chamado para efetivar o transplante. 

O procedimento inicial equivale ao de uma coleta simples de sangue (4ml por doador). "Sempre quis doar, mas a distância da minha casa atrapalhava. Com a coleta aqui na PUC, ficou mais fácil", observa estudante de arquitetura Bárbara Fernandes. Já Natália Vianna, aluna de jornalismo e caloura neste tipo de doação, sente-se "motivada pela causa":

– Sei que, assim, posso contribuir para salvar vidas. Já tenho um incentivo na família: minha irmã é doadora de medula.  

Eduardo de Holanda O voluntário deve ter entre 18 e 55 anos e apresentar documento de identidade original com foto. Ele preencherá um formulário com dados pessoais para, então, submeter-se à coleta. O transplante de medula exige compatibilidade entre a amostra disponível no Redome e o paciente cadastrado no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Quanto maior a quantidade de amostras disponíveis, maior a chance de compatibilidade. Daí a importância de iniciativas como a organizada pela Coordenação de Atividades Comunitárias e Culturais (CACC) da PUC-Rio.

– É importante trazer para a universidade uma campanha como essa. Assim, toda a comunidade – professores, alunos e funcionários – podem se engajar na causa, que salva vidas. Esperamos cadastrar, hoje, de 300 a 400 pessoas, no mínimo – prevê a assistente de coordenação do projeto, Paloma Verçosa.

O processo para doação de medula óssea é relativamente simples. O problema está no baixo nível de compatibilidade entre doador e receptor – no Brasil, a relação é de um para cem mil. A coordenadora de campanha externa de doadores de medula óssea da Hemorio, Regina Lacerda, explica:

– A medula óssea é como nossa impressão digital: cada um tem a sua. O médico encontra uma semelhança bem próxima, então arrisca.

Apesar de o Brasil ser o terceiro país em número de doadores cadastrados – com cerca de 2,3 milhões, atrás só dos EUA (três milhões) e da Alemanha (cinco milhões) –, os esforços ainda são insuficientes para atender às necessidades dos pacientes no país. Segundo a CACC, mais de 1.200 aguardam na fila desse tipo de transplante.

A medula óssea, também conhecida como tutano, é de vital importância para o homem. Nela são produzidos hemácias, leucócitos e plaquetas – agentes responsáveis, respectivamente, pelo transporte de oxigênio para as células, pela defesa do organismo contra infecções e pela coagulação do sangue. Assim, distúrbios medularem representam graves riscos à saúde. 

O Redome, que faz parte do Instituto Nacional de Câncer (INCA), é um registro nacional submetido a consulta constante. Quando não é encontrada amostra compatível, um recente convênio internacional – firmado em março de 2008 – permite a consulta a banco dos Estados Unidos. Ainda assim, o desafio de encontrar um doador compatível é enorme.