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Rio de Janeiro, 28 de março de 2017


Saúde

"Obesidade e aquecimento global: ameaças comparáveis"

Andressa Pessanha e Júlia Cople - Do Portal

20/05/2014

 Divulgação

Pela primeira vez desde 2006, período que acumula crescimento de 54% nos casos de obesidade no Brasil, os indíces de brasileiros em perigo por conta desta doença permaneceram estáveis. Segundo a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, 50,8% da população apresentaram sobrepeso em 2013, contra 51% do ano anterior. Apesar da ligeira queda, o novo presidente da Federação Mundial da Obesidade, Walmir Coutinho, compara a ameaça da obesidade à do aquecimento global, por afetar e envolver diversos setores da sociedade. Ele alerta, por exemplo, para o crescimento de 239%, nos últimos 20 anos, dos casos do gênero em crianças no Brasil. A merenda escolar ainda representa, segundo o especialista, um empecilho à alimentação infantil saudável, porque recursos judiciais travam a plena implementação, em especial nas escolas privadas, da lei que proíbe a venda de comidas "altamente processadas" e com teor de gordura acima do redomendado, raízes do excesso de peso. Uma bola de neve relacionada também ao menor custo dos mantimentos pobres em proteínas, cujo consumo torna-se maior. Portanto, os de menor renda tendem a ser os mais afetados no mundo. 

Em entrevista ao Portal, Coutinho, também professor da Escola Médica de Pós-graduação da PUC-Rio, diz que a obesidade "é uma questão ambiental". Enquanto os fatores genéticos e hormonais - respondem por 30% dos distúrbios de peso, o ambiente e o componente emocional estão associados a 70% dos casos. Assim, o tratamento, ressalta o pesquisador, deve ser interdisciplinar: envolver nutricionistas, professores de educação física, psicólogos, endocrinologistas, família. Ele defende com veemência a proibição da gordura trans, o aumento dos impostos aos produtos considerados não-saudáveis, como já faz o México em relação aos refrigerantes, e o estímulo ao transporte a pé e de bicicleta, por meio de projetos urbanísticos do poder público. A nova gestão da Federação Mundial da Obesidade planeja uma campanha mundial de conscientização e o lançamento do Dia Mundial da Obesidade, em 11 de outubro.

Portal PUC-Rio: Como o senhor vê o aumento da obesidade paralelo ao culto ao corpo perfeito?

Walmir Coutinho: A obesidade cresceu no mundo inteiro, principalmente porque as pessoas começaram a comer de uma forma diferente. E as pessoas estão fazendo cada vez menos atividades físicas, o estilo de vida cada vez é mais sedentário. E elas comem mal, elas escolhem os alimentos de forma errada, e não é simplesmente porque elas tenham muita fome, ou porque elas queiram escolher errado. É porque têm vários fatores que condicionam isso. Por exemplo, os alimentos que mais engordam são os mais baratos, então a pessoa que é pobre começa a ter acesso ao mercado de consumo, ela tende a comer os alimentos que mais engordam. Então, por isso, a gente tem visto no mundo inteiro uma tendência de obesidade crescer mais em pessoas de renda mais baixa.

Portal: A limitação de tempo, que leva à alimentação rápida, ao fast food, também preocupa?

Coutinho: Não há tempo para comer uma comida mais elaborada, e pesquisas mais recentes têm mostrado que isso tudo é muito determinado também pelos chamados alimentos altamente processados. É tudo que a gente compra empacotado, são os saquinhos de batata frita, os biscoitos. Existe uma relação muito nítida entre o consumo desses alimentos altamente processados e a obesidade. As pessoas que tendem a comer muito disso, pelo que você falou, elas não tem tempo para fazer um almoço mais demorado, então, essas pessoas tendem a consumir esses produtos. Aí, comem menos proteínas, porque esses produtos são pobres em proteínas, com isso elas não têm o mesmo nível de saciedade e acabam comendo mais quantidade.

Portal: Que doenças que podem decorrer desta alimentação debilitada?

Coutinho: As principais são diabetes, pressão alta, derrame e doenças do coração.

Portal: Como o senhor vê esse quadro da obesidade infantil? Acha que o conselho tutelar deveria acompanhar a alimentação das crianças?

Coutinho: A obesidade infantil é uma epidemia que preocupa muito no mundo inteiro. No Brasil, a situação é dramática. Só para ter uma ideia, nos EUA, nos últimos 20 anos, a obesidade infantil cresceu 66%. No mesmo período, no Brasil, o crescimento foi de 239%. Então, se continuar crescendo nesse ritmo, a gente logo vai ter um problema que não dá para tratar. O acompanhamento do Conselho Tutelar, pelo que eu entendo, é um órgão que vai se responsabilizar por uma situação familiar que esteja gerando um problema sério, e existe um risco muito grande de se penalizar os pais de uma criança que possa ter esse excesso de peso condicionado a causas genéticas. Tem crianças que estão muito gordinhas, mas porque têm tendência a engordar. Mas muitas vezes a gente sabe que é culpa dos pais. Então, a gente tem que tomar cuidado com isso, para evitar a estigmatização dos pais de uma criança obesa como se eles sempre fossem os grandes culpados.

Portal: Em relação à merenda escolar, o senhor vê alguma inciativa de conscientização da alimentação das crianças ou ainda é um problema?

Coutinho: Ainda é um problema. Nas escolas públicas, por exemplo, no município do Rio de Janeiro, já há muitos anos que se implantou a merenda escolar saudável. Não se usa refrigerante, não se usa alimento altamente processado. Mas, na rede privada, por exemplo, apesar de já existir há mais de 10 anos uma lei proibindo a venda de produtos engordativos nessas escolas, não está em vigor por causa de recursos judiciais. As crianças da rede privada continuam desprotegidas. E é tudo uma questão de ambiente. A criança engorda por fatores ambientais. Existe uma pré-disposição genética, mas se ela não tiver os fatores ambientais levando ao excesso de peso, ela estaria protegida, teoricamente, de engordar. E o ambiente da criança se resume em três: o ambiente familiar, o escolar, e o urbano. O ambiente urbano é um condicionante dificílimo de lidar. Quer dizer, o que que adianta a gente dizer para uma criança ou para os pais dessa criança que ela tem que ver menos televisão, porque comprovadamente é um hábito que faz engordar, e fazer mais atividade física? Se essa criança mora num bairro violento, ela não tem o mínimo de segurança para sair de casa e fica quase que condenada a ver muitas horas de televisão por dia.

Portal: Qual o peso do componente genético nos casos de obesidade?

Coutinho: Existem estudos que tentam avaliar o peso que a genética tem e o peso que o ambiente tem. Geralmente, os resultados tem apontado para 70% serem fatores ambientais e 30% fatores genéticos.

Portal: E qual o peso do componente hormonal?

Coutinho: Vários desses componentes genéticos vão acabar agindo por mecanismos hormonais. Tem hormônios que a gente conhece há muito tempo que podem estar relacionados à obesidade, mas tem muitos que a gente está descobrindo ano a ano. É um pouco ingênuo nós médicos pedirmos os exames de sangue e, quando vem o resultado, dizermos que está tudo normal se a tireoide estiver normal. Pode não ter aparecido naquele exame que a gente pediu. Pode ser que vários hormônios, que a gente até conhece, mas não dosa ainda na prática do dia a dia, estejam por trás disso. E pode ser culpa de hormônios que ainda vamos conhecer.

Portal: Qual o peso do componente emocional?

Coutinho: É muito importante. Quando faz uma experiência com um “macaquinho”, por exemplo: você pega um macaquinho lactente e afasta ele da mãe. Isso gera um estresse psicológico, ele passa a ter hiperatividade do eixo hormonal da suprarrenal, passa a ter uma tendência maior a engordar e depositar gordura na barriga, e ter as complicações da obesidade como a diabetes, por exemplo, tudo por ter causado um estresse emocional no macaquinho. Então, é provável que, na espécie humana, o estresse também seja um fator contribuinte para a obesidade.

Portal: Neste contexto, qual a importância do acompanhamento psicológico durante o tratamento da obesidade?

Coutinho: É muito importante também. O tratamento ideal da obesidade deve envolver uma equipe multidisciplinar: ter médicos (de preferência um endocrinologista), nutricionistas, professores de educação física e psicólogos.

Portal: Como o senhor vê a inclusão da cirurgia bariátrica no SUS? Para quem este procedimento, que cresceu 45% de 2010 a 2013, é indicado?

Coutinho: É fundamental que esteja disponível para pessoas que precisam. Ela é indicada hoje para quem tem uma grande obesidade, chamada obesidade mórbida. Isso corresponde a um índice de massa corporal (IMC) acima de 40, ou quem tem esse IMC acima de 35 com outras doenças junto, como diabetes. Durante muitos anos a situação no Rio era dramática, porque era dificílimo para qualquer pessoa sem plano de saúde conseguir uma cirurgia bariátrica. Felizmente nos últimos três anos, o Estado já está dando isso através do SUS, tem uma equipe no hospital Carlos Chagas que faz essa cirurgia por via laparoscópica (sem fazer aquela cicatriz grande) e tem funcionado muito bem. Eu acho que já foram mais de 500 pacientes operados. E nós aqui do Instituto de Endocrinologia temos um ambulatório de referência só para essa população de cirurgia bariátrica. Fazemos o pré-operatório e o pós-operatório desses pacientes.

Portal: Falando das novas tecnologias, o que tem sido feito para ajudar a combater a obesidade?

Coutinho: A gente acabou de chegar agora do Congresso Mundial de Obesidade, que foi na Malásia. Lá foram apresentados vários tratamentos e tendências novas em relação ao tratamento cirúrgico da obesidade. Só para dar alguns exemplos disso, têm remédios novos que estão chegando para ajudar no tratamento da obesidade, e o importante é a pessoa saber que nenhum desses remédios é um milagre para resolver os problemas, os remédios ajudam como parte da solução.  E, em relação à cirurgia, existem técnicas novas que estão sendo usadas para operar o paciente, algumas delas que diminuem o risco de complicação pós-operatória. Então, isso tem evoluído também, e junto com a ideia de que o peso da pessoa não deve ser o único fator ou o principal fator a escolher o que deve operar e quem não deve. Eu usei o peso ainda para responder tua pergunta, porque hoje ainda usamos muito o peso através do IMC. Mas a tendência, através de todos os dados científicos que tem aparecido das pesquisas hoje, é que a gente comece a valorizar mais outros fatores ao invés de peso simplesmente. Por exemplo: ela tem diabetes de difícil tratamento? Que outras complicações ela tem? Apneia do sono? Complicações respiratórias? Artrose grave no joelho? Então passar a valorizar mais esses fatores, e nem tanto o peso das pessoas.

Portal: O que o senhor acha da proibição das substâncias consideradas nocivas ao organismo? Qual o objetivo desses novos remédios?

Coutinho: A grande maioria dos remédios é feito com o objetivo de controlar a hiperfagia do paciente (fome excessiva) e ajudar o paciente a comer menos. Existem alguns que têm um efeito sobre o metabolismo, acelerando um pouco o metabolismo. Mas o principal mecanismo ainda é o controle da alimentação. Tem um remédio que está no mercado há 15 anos, não é tão novo, mas que tem um mecanismo diferente. É o Orlistat, que faz a pessoa eliminar uma parte da gordura do que come. Então, a tendência tem sido essa, e alguns desses remédios acabam ficando no meio do caminho porque se descobre que eles têm algum risco para a saúde que não é aceitável. Então, por exemplo, teve o Rimonabanto, que era um remédio que chegou no mercado brasileiro em torno de 8 anos, mais ou menos, e foi retirado do mercado porque se descobriu que ele aumentava o risco de tentativa suicídio e de depressão. Tem o Fenfluramina, muito usado em 1997, que saiu do mercado porque se descobriu que podia dar lesão em válvulas cardíacas. Todo remédio tem seu risco, e só devemos recomendá-los quando esse benefício desse remédio for maior que o risco. E é por isso também que o remédio não é para todo mundo. Para uma pessoa que quer perder três ou quatro quilos de peso porque quer entrar numa roupa que não está entrando mais, provavelmente, o risco de um remédio qualquer para emagrecer vai ser maior que o benefício que se pode trazer para a pessoa, já para quem precisa perder 20 ou 30 quilos. Apesar de ter risco, o benefício que essa pessoa vai ter emagrecendo com esse remédio vai ser muito maior que o risco.

Portal: Das políticas de Estado, além da merenda escolar, o que mais funciona na promoção de uma alimentação mais saudável da população?

Coutinho: Temos, através da Federação Mundial da Obesidade, um projeto de lançar, esse ano ainda, uma campainha global para ajudar a controlar a epidemia de obesidade, mas está muito claro para gente que essa epidemia não tem solução se não conseguimos envolver todos os setores da sociedade nisso.  Cada um tem que fazer seu papel. Um prefeito de uma cidade qualquer, por exemplo, tem que cuidar para que as ruas sejam mais amigáveis para as pessoas caminharem ou andarem de bicicleta. Isso é uma coisa que não se vê no Rio de Janeiro, num bairro como a Barra da Tijuca. O prefeito tem que evitar fazer um desenho urbano que seja favorável ao carro e desfavorável ao transporte público e à caminhada. Exemplo disso: Uma das cidades com menos problemas de obesidade nos EUA é Manhattan, porque as pessoas conseguem fazer tudo a pé, as ruas são amigáveis para caminhar, as pessoas andam de bicicleta. Em cidades como Amsterdã, Copenhague, por exemplo, grande parte do transporte é feito por bicicleta ou caminhando, os índices de obesidade são muito baixos. Então, os prefeitos têm vários papéis a desempenhar no controle da epidemia. Os governadores de Estado também.

Portal: O que cabe ao governo federal neste combate à alimentação danosa ao organismo?

Coutinho: O governo Federal, hoje está ficando claro para gente, tem que tomar medidas que são difíceis. Por exemplo, aumentar impostos de produtos que levam à obesidade, isso já está se fazendo em vários países. O México já introduziu isso agora, está lançando imposto sobre refrigerante para diminuir sua venda. Então, são medidas difíceis, claro que muitos irão protestar, mas são necessárias para fazer com que a pessoa tenha uma alimentação de qualidade melhor. Cada um vai ter o seu papel, claro que as grandes empresas também têm o seu papel, alguma delas estão buscando caminhos para diminuir o impacto que os produtos delas possam ter sobre o problema da epidemia da obesidade, mas tem que pensar em todos esses setores até chegar ao indivíduo e esquecer essa tendência que tivemos durante muitos anos de achar que tudo tem estar centralizado numa pessoa que tem problema de peso. Não adianta simplesmente você recomendar a essa pessoa que tenha uma alimentação mais saudável se o ambiente conspira para ela comer só as piores coisas e não fazer exercício nenhum.

Portal: O senhor é a favor de uma legislação que obrigue as grandes empresas a reduzirem as substâncias danosas dos alimentos?

Coutinho: Eu sou a favor de medidas mais efetivas para controlar a epidemia, quer dizer, se você vai proibir certas substâncias ou não. Eu acho que certas proibições são totalmente necessárias, como a gordura trans, que é uma gordura muito nociva a saúde. Ela está proibida em algumas cidades, alguns países, como na Dinamarca, que, se alguém vender algo contendo gordura trans, pode parar até na cadeia. No Brasil ainda se vende muito, mas estão sendo tomadas ações para tentar reduzir e, eventualmente, banir isso.  Alimentos altamente calóricos, como o refrigerante que contém açúcar, ou alimentos muito gordurosos: por que não você ter uma sinalização mais clara que permita ao consumidor saber que é perigoso para si? A gente tem a rotulagem obrigatória nos alimentos, mas é uma rotulagem que o consumidor brasileiro não entende, e isso acaba sendo uma coisa pouco efetiva. Tem o caminho da taxação também, você pode não proibir, mas só o fato de aumentar o imposto a procura já diminui. Tem muitas lições que podemos ter com a campanha antitabagismo, o Brasil é um grande caso de sucesso dessa campanha, e um dos fatores do sucesso foram os altos impostos que fazem os valores do cigarro aumentar muito.

Portal: Além da campanha mundial contra a obesidade, quais outras medidas são previstas?

Coutinho: Vamos lançar esse ano o Dia Mundial da Obesidade, com a mesma data adotada que nasceu aqui no Rio de Janeiro em 1998, dia 11 de outubro, do Rio. Ela passou a ser nacional, depois latino-americana e agora está se transformando no Dia Mundial da Obesidade. Já temos uma lei oficializando isso, assinado pela presidência da república, e isso será uma medida a mais que teremos para essa campanha, e tentaremos atingir o maior número possível de pessoas através das informações referentes a isso. A gente está trabalhando em um livro que vai tentar resumir, em uma linguagem acessível a qualquer pessoa, várias dessas informações que discutimos aqui: o que deve ser feito de tratamento? Qual é o papel dos remédios e cirurgias? O que cabe ao prefeito para ajudar contra a epidemia? O que podemos pedir aos homens do congresso para ajudar em relação a essas leis de alimentação saudável, marketing de alimentos, de planejamento urbano. O que pode ser feito em n´nível legislativo? E claro, o poder judiciário tem que estar envolvido nisso também. Então, isso é uma das estratégias que usaremos, queremos ter uma ferramenta de fácil acesso com as informações básicas do que a ciência, até agora, descobriu que pode contribuir para as soluções desse problema. É um problema muito complexo. Teve um grupo de especialistas na Inglaterra, que foi contratado pelo Governo, para estudar o problema da obesidade no Reino Unido e propor soluções. E eles fizeram um relatório, depois de analisar a fundo a questão, qual eles abrem dizendo o seguinte: “O tamanho do desafio para resolver a questão da obesidade só pode ser comparado ao desafio de resolver o problema do aquecimento global”. E as semelhanças estão aí, você tem que agir em todos os níveis, envolvendo governos nacionais, locais e chegar até o indivíduo, para convencê-los de trabalhar de ônibus ou metrô, ao invés de ir de carro. O que vale tanto para o aquecimento quanto para a obesidade. Está provado que quem vai trabalhar de transporte público tem menos risco de engordar do que quem vai trabalhar de carro. Agora, como é que uma cidade como o Rio de Janeiro você vai estimular a pessoa a usar o transporte público se ele é de péssima qualidade? Então tem que criar os mecanismos pra favorecer as mudanças de hábito.

Portal: O senhor é professor da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio. Existe algum projeto da universidade contra a obesidade?

Coutinho: Tem. A medicina da PUC está começando a trabalhar em alguns projetos em comunidades. Na comunidade das Canoas, em São Conrado, na comunidade da Rocinha e em regiões da Baixada Fluminense, para a promoção de peso saudável nas comunidades.

Portal: Quais os objetivos e prioridades da nova gestão da Federação Mundial da Obesidade?

Coutinho: Acabamos de mudar o nome, que era IASO (International Associacion for the Study of Obesity, em português, Associação Internacional para Estudos da Obesidade). Ela tinha uma história já de 40 anos, foi fundada nos anos 1970, e tinha esse nome porque era um grupo de cientistas e pesquisadores que se dedicavam, principalmente, a estudar o problema da obesidade. A gente se deu conta, de uns anos para cá, que esse nome não refletia mais os objetivos e compromissos da nossa organização, não estamos mais se propondo, simplesmente, em estudar sobre a obesidade, e sim propor caminhos e ações que devem a uma melhora do cenário da epidemia global. E, como congregamos 53 associações são de vários países ao redor do mundo, são quase 30.000 associados, no total, por isso, precisávamos refletir isso no nome “federação”, que é mais apropriado que associação, porque reflete mais o alcance global que  atingimos e, então viramos federação mundial de  obesidade. Nosso site é World of Obisity, foi um caminho que fizemos para mostrar o compromisso que temos um alcance global e propor medidas e ações efetivas em relação ao controle da epidemia.