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Rio de Janeiro, 26 de março de 2017


Meio Ambiente

Pendências para avanço da resiliência no Rio de Janeiro

Cecília Bueno - aplicativo - Do Portal

02/12/2015

A cidade do Rio tem como um dos principais problemas a saturação da infraestrutura viária. O chefe-executivo do Centro De Operações Rio (COR), Pedro Junqueira, acredita que a instalação do BRT e do VLT no Centro trará uma nova lógica para o deslocamento na cidade:

– O modelo de transporte do Brasil é predominantemente viário, mas está se saturando com o número crescente de carros nas ruas. O BRT é um transporte coletivo de alta capacidade, mais rápido e eficiente que o próprio veículo individual. É um ônibus numa faixa segregada, que conta com tecnologias avançadas, que fazem o sinal se abrir, por exemplo, e aprimoram a mobilização da população. O sistema é monitorado 24 horas pelo COR, que está preparado para atender possíveis incidentes. Se houver uma batida grave, o BRT ainda tem um bom colchão para não sofrer impacto.

Ricardo Esteves, especialista em Planejamento Urbano e mestre em Engenharia de Transportes, diz que as obras olímpicas de mobilização – o sistema do VLT do Centro, a ampliação do Metrô na direção da Barra e os corredores de ônibus em geral – levam a cidade para um caminho “menos insustentável”. Todavia, ressalva que é preciso investir em uma rede bem mais vasta de VLTs, integrados com trens, barcas e metrô, tanto no Centro como em outras potenciais centralidades. Para ele, a cidade carece de uma rede básica de metrô – conforme planejado pela Cia do Metropolitano do Rio de Janeiro, com seis linhas integradas – além de corredores que priorizem a circulação do transporte público complementar por ônibus.

Esteves lembra que o problema de mobilidade na cidade é antigo, e está relacionado à forma como o centro urbano evoluiu, com postos de trabalho concentrados no Centro moradias em bairros periféricos. Assim, nos horários de pico, um enorme contingente de cidadãos se desloca, ao mesmo tempo e na mesma direção. Para mudar esse condicionamento, sugere a construção de um cenário urbano alternativo a este, com mais bairros residenciais, mais próximos de centralidades, e o incentivo ao desenvolvimento de atividades econômicas, geradoras de postos de trabalho, com a oferta de serviços e o comércio de produtos, mais próximas aos bairros residenciais.

Além disso, critica o uso intensivo do automóvel particular e a política pública de incentivo na compra de carros – iniciada no mandato de Juscelino Kubitschek – responsável pelo entupimento viário – e propõe o uso e investimento de transporte público, aliciado a maiores deslocamentos a pé e de bicicleta:

– Não basta a viabilização de uma ciclovia pela orla de São Conrado. É preciso pensar um sistema que leve ciclistas a um bicicletário na estação do metrô, com políticas tarifárias de incentivo, por exemplo. É impossível negar os benefícios que uma Política de incentivo ao uso de bicicletas integradas aos transportes públicos causou em Cidades como Amsterdã e Copenhague. Não somente aperfeiçoa a questão da mobilidade, mas também aprimora a qualidade de vida como um todo, inclusive melhora os índices de saúde pública. Pode-se dizer o mesmo de uma rede de metrô em Londres, Paris ou Nova York; de políticas restritivas ao uso do automóvel em Tóquio; do pedágio urbano; e outras medidas que retornar a dedicação dos espaços públicos, que até o fim do século XIX priorizava a presença de pessoas, e passou a priorizar a presença de veículos.

Saúde

Ventos fortes, chuvas e aumento da temperatura são as principais variações climáticas cotidianas que afetam a saúde da população. Martha Barata alarma que, primeiramente, para época das chuvas de verão, deve-se avaliar se as casas de saúdes estão em áreas de risco ou deslizamento e ressalta que é essencial o estabelecimento de normas para desocupação das áreas de risco.  As enchentes, aliadas ao lixo nas ruas, são ambientes propícios para proliferação de doenças. Segunda ela, na tragédia em Nova Friburgo em 2011, houve aumento de incidência de doenças como dengue, leptospirose e diarreia. A construção de piscinões, pelo programa Rio Resiliente, na região da Praça da Bandeira busca diminuir os casos de enchente e melhorar o saneamento da cidade. Marcelo Motta ressalta que as enchentes e os deslizamentos são um problema de gestão urbana – ocupação inadequada e pavimentação – e não das mudanças climáticas. A crise habitacional é resultado de uma falta de planejamento governamental. “A população precisa de moradia, que o Estado não provê, e acaba se alojando em locais de risco”, explica Motta.

Apesar de este ano não ter tido casos de morte por causa de dengue na cidade, Junqueira ressalta que o risco não está extinto e é preciso reforçar práticas antigas para o controle da doença. Existem ações contínuas da secretaria de saúde – que trabalha com painéis de manchas de incidência- de conscientização, prevenção e ida aos locais para eliminar possíveis focos de dengue. É preciso manter a receptividade na rede da saúde para eventuais casos, ter sempre em mãos insumos de hidratação etc. Faz parte da resiliência do agora e do futuro saber que este risco existe e nunca abaixar a guarda.

As cidades estão cada vez mais quentes, tanto pela urbanização quanto pelo aquecimento global. A devastação de florestas e a crescente pavimentação das ruas aumentam a temperatura da cidade. As ondas de calor – dias consecutivos de temperatura extrema – afetam principalmente pessoas idosas e aumentam casos de desidratação, alergias, doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais e alteram a qualidade do ar e da água. Em áreas do Rio de Janeira mais suscetíveis a experimentar maiores temperaturas – Bangu, Campo Grande, Realengo –, a população é mais vulnerável. Regiões onde os níveis sociais são mais baixos, a capacidade de resposta do impacto é menor – menor educação, orientação e disposição da comunidade. Nessas áreas, deve haver conscientização de agentes de saúde da população. Para redução das ilhas de calor, a especialista sugere a arborização dessas áreas com espécies vegetais perenifólias e geradoras de sombra.

Elevação das marés

Pedro Junqueira ressalta que o Rio vive das praias, e a qualidade de vida depende do litoral:

– Se ele está ameaçado, é preciso começar a entendê-lo e formar políticas. Nas áreas sujeitas a alagar primeiro, por exemplo, é essencial prezar a natureza. Previsões de eventos climáticos não são meras especulações de futurologia, e sim estudos científicos que vem se comprovando – aquecimento global, derretimento de geleiras, elevação no nível do mar, mudanças nos regimes das chuvas.

Segundo Moacyr Duarte, três medidas principais devem ser repensadas: a condição dos sistemas de drenagem e escoamento; a viabilidade e aplicação da legislação que proíbem a construção em áreas de risco; produção de estruturas projetadas para proteger as regiões  mais expostas. O especialista ainda aponta as obras do Porto Maravilha – realizam drenagens projetadas para a escoação do nível do mar – como um exemplo de ação que deve ser tomada para tornar a cidade mais resiliente neste aspecto. Ele explica que área de manguezais tem sua biodiversidade prejudicada e várias espécies mortas por estarem permanentemente cobertas pela água do mar, mas ressalta, que do ponto de vista da infraestrutura urbana, as ressacas das marés acarretam maiores prejuízos na facha litorânea.

Leia também: "Planejamento urbano é tão urgente quanto acordo climático"

A cidade do Rio tem como um dos principais problemas a saturação da infraestrutura viária. O chefe-executivo do Centro De Operações Rio (COR), Pedro Junqueira, acredita que a instalação do BRT e do VLT no Centro trará uma nova lógica para o deslocamento na cidade:

– O modelo de transporte do Brasil é predominantemente viário, mas está se saturando com o número crescente de carros nas ruas. O BRT é um transporte coletivo de alta capacidade, mais rápido e eficiente que o próprio veículo individual. É um ônibus numa faixa segregada, que conta com tecnologias avançadas, que fazem o sinal se abrir, por exemplo, e aprimoram a mobilização da população. O sistema é monitorado 24 horas pelo COR, que está preparado para atender possíveis incidentes. Se houver uma batida grave, o BRT ainda tem um bom colchão para não sofrer impacto.

Ricardo Esteves, especialista em Planejamento Urbano e mestre em Engenharia de Transportes, diz que as obras olímpicas de mobilização – o sistema do VLT do Centro, a ampliação do Metrô na direção da Barra e os corredores de ônibus em geral – levam a cidade para um caminho “menos insustentável”. Todavia, ressalva que é preciso investir em uma rede bem mais vasta de VLTs, integrados com trens, barcas e metrô, tanto no Centro como em outras potenciais centralidades. Para ele, a cidade carece de uma rede básica de metrô – conforme planejado pela Cia do Metropolitano do Rio de Janeiro, com seis linhas integradas – além de corredores que priorizem a circulação do transporte público complementar por ônibus.

Esteves lembra que o problema de mobilidade na cidade é antigo, e está relacionado à forma como o centro urbano evoluiu, com postos de trabalho concentrados no Centro moradias em bairros periféricos. Assim, nos horários de pico, um enorme contingente de cidadãos se desloca, ao mesmo tempo e na mesma direção. Para mudar esse condicionamento, sugere a construção de um cenário urbano alternativo a este, com mais bairros residenciais, mais próximos de centralidades, e o incentivo ao desenvolvimento de atividades econômicas, geradoras de postos de trabalho, com a oferta de serviços e o comércio de produtos, mais próximas aos bairros residenciais.

Além disso, critica o uso intensivo do automóvel particular e a política pública de incentivo na compra de carros – iniciada no mandato de Juscelino Kubitschek – responsável pelo entupimento viário – e propõe o uso e investimento de transporte público, aliciado a maiores deslocamentos a pé e de bicicleta:

– Não basta a viabilização de uma ciclovia pela orla de São Conrado. É preciso pensar um sistema que leve ciclistas a um bicicletário na estação do metrô, com políticas tarifárias de incentivo, por exemplo. É impossível negar os benefícios que uma Política de incentivo ao uso de bicicletas integradas aos transportes públicos causou em Cidades como Amsterdã e Copenhague. Não somente aperfeiçoa a questão da mobilidade, mas também aprimora a qualidade de vida como um todo, inclusive melhora os índices de saúde pública. Pode-se dizer o mesmo de uma rede de metrô em Londres, Paris ou Nova York; de políticas restritivas ao uso do automóvel em Tóquio; do pedágio urbano; e outras medidas que retornar a dedicação dos espaços públicos, que até o fim do século XIX priorizava a presença de pessoas, e passou a priorizar a presença de veículos.

Saúde

Ventos fortes, chuvas e aumento da temperatura são as principais variações climáticas cotidianas que afetam a saúde da população. Martha Barata alarma que, primeiramente, para época das chuvas de verão, deve-se avaliar se as casas de saúdes estão em áreas de risco ou deslizamento e ressalta que é essencial o estabelecimento de normas para desocupação das áreas de risco.  As enchentes, aliadas ao lixo nas ruas, são ambientes propícios para proliferação de doenças. Segunda ela, na tragédia em Nova Friburgo em 2011, houve aumento de incidência de doenças como dengue, leptospirose e diarreia. A construção de piscinões, pelo programa Rio Resiliente, na região da Praça da Bandeira busca diminuir os casos de enchente e melhorar o saneamento da cidade. Marcelo Motta ressalta que as enchentes e os deslizamentos são um problema de gestão urbana – ocupação inadequada e pavimentação – e não das mudanças climáticas. A crise habitacional é resultado de uma falta de planejamento governamental. “A população precisa de moradia, que o Estado não provê, e acaba se alojando em locais de risco”, explica Motta.

Apesar de este ano não ter tido casos de morte por causa de dengue na cidade, Junqueira ressalta que o risco não está extinto e é preciso reforçar práticas antigas para o controle da doença. Existem ações contínuas da secretaria de saúde – que trabalha com painéis de manchas de incidência- de conscientização, prevenção e ida aos locais para eliminar possíveis focos de dengue. É preciso manter a receptividade na rede da saúde para eventuais casos, ter sempre em mãos insumos de hidratação etc. Faz parte da resiliência do agora e do futuro saber que este risco existe e nunca abaixar a guarda.

As cidades estão cada vez mais quentes, tanto pela urbanização quanto pelo aquecimento global. A devastação de florestas e a crescente pavimentação das ruas aumentam a temperatura da cidade. As ondas de calor – dias consecutivos de temperatura extrema – afetam principalmente pessoas idosas e aumentam casos de desidratação, alergias, doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais e alteram a qualidade do ar e da água. Em áreas do Rio de Janeira mais suscetíveis a experimentar maiores temperaturas – Bangu, Campo Grande, Realengo –, a população é mais vulnerável. Regiões onde os níveis sociais são mais baixos, a capacidade de resposta do impacto é menor – menor educação, orientação e disposição da comunidade. Nessas áreas, deve haver conscientização de agentes de saúde da população. Para redução das ilhas de calor, a especialista sugere a arborização dessas áreas com espécies vegetais perenifólias e geradoras de sombra.

Elevação das marés

Pedro Junqueira ressalta que o Rio vive das praias, e a qualidade de vida depende do litoral:

– Se ele está ameaçado, é preciso começar a entendê-lo e formar políticas. Nas áreas sujeitas a alagar primeiro, por exemplo, é essencial prezar a natureza. Previsões de eventos climáticos não são meras especulações de futurologia, e sim estudos científicos que vem se comprovando – aquecimento global, derretimento de geleiras, elevação no nível do mar, mudanças nos regimes das chuvas.

Segundo Moacyr Duarte, três medidas principais devem ser repensadas: a condição dos sistemas de drenagem e escoamento; a viabilidade e aplicação da legislação que proíbem a construção em áreas de risco; produção de estruturas projetadas para proteger as regiões  mais expostas. O especialista ainda aponta as obras do Porto Maravilha – realizam drenagens projetadas para a escoação do nível do mar – como um exemplo de ação que deve ser tomada para tornar a cidade mais resiliente neste aspecto. Ele explica que área de manguezais tem sua biodiversidade prejudicada e várias espécies mortas por estarem permanentemente cobertas pela água do mar, mas ressalta, que do ponto de vista da infraestrutura urbana, as ressacas das marés acarretam maiores prejuízos na facha litorânea.