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Rio de Janeiro, 29 de junho de 2017


Meio Ambiente

"Planejamento familiar deve integrar debate ambiental"

Caio Fiusa e Jorge Neto - Do Portal

04/07/2012

 Jorge Neto

Apesar das críticas quanto à falta de ousadia estampada no documento que reúne caminhos integrados para o desenvolvimento sustentável, assinado por 190 países na Rio+20, os principais temas foram largamente discutidos, nos encontros oficiais e paralelos, por líderes mundiais, ambientalistas, acadêmicos, representantes da sociedade civil, cientistas, líderes de movimentos sociais. A pluralidade, no entanto, deixou de fora um ponto essencial às metas sustentáveis: o planejemnto familiar. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Mauro Buarque, em mesa redonda no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói.

Na opinição do consultor ambiental, o planejamento familiar, embora esquecido pela Rio +20, representa um dos principais aliados para a construção do mundo sustentável. Portanto, deveria ser abordado de forma mais profunda e ser incorporado a políticas públicas: 

 Jorge Neto – Planejamento familiar é uma política pública controladora do crescimento populacional. Quanto mais gente, mais consumo. Contudo, exige estratégias avançadas. O caso da China, por exemplo, de limitar a quantidade de filhos não conseguiu ainda obter o resultado esperado.

Já empresários como Álvaro Adolpho, diretor geral do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Leste Fluminense, ressaltaram que os investimentos também podem ser grandes aliados da sustentabilidade, desde que representem inclusão social, melhores condições de trabalho e de renda. e venham acompanhados de uma estrutura compatível:

– O Complexo Petroquímico da Petrobras, em Itaboraí está entre os 10 maiores mega empreendimentos do mundo. Nos últimos sete anos, a área da Guanabara ganhou muitas estruturas desse porte. Além deste, temos ainda o Complexo Siderúrgico e o Complexo Portuário e Industrial da Baía de Sepetiba. O grande problema para o desenvolvimento de determinados municípios é que alguns serviços públicos, como abastecimento de água, ainda são não prioridades.

 Jorge Neto Ainda de acordo com o Adolpho, os megaempreendimentos exigem uma projeção precisa dos impactos ambientais ou sociais para gerar benefícios plenos à comunidade local e ao país. Para ele, os grandes investimentos deveriam estar associados a políticas públicas que incentivem a capacitação profissional:

– Sem projetos, por exemplo, de qualificação, não há como alavancar recursos. Os municípios não têm recursos humanos e financeiros compatíveis com a demanda gerada por empreendimentos de grande porte. .

A reunião em Niterói também atraiu viajantes de diferentes lugares do Brasil, que vieram ao Rio para discutir e presenciar um dos marcos da luta pelo desenvolvimento sustentável. Foi o caso da professora Marussa Campos e da universitária Jennifer Grubert, militantes do Partido Verde (PV), que deixaram o Espírito Santo e o Mato Grosso do Sul, respectivamente. Ambas acamparam na Quinta da Boa Vista e tentaram encontrar o jornalista e ex-deputado federal pelo PV Fernando Gabeira, que, apesar de confirmado, não foi ao debate no MAC.

 Jorge Neto Marussa, que leciona no ensino fundamental, buscava novos conhecimentos e visões ambientais, para melhor orientar seus alunos.

– Em 1992 eu não acompanhei a Rio-92, e agora eu tenho a oportunidade de obter essa mentalidade. Eu ensino às crianças a fazerem um trabalho de formiguinha: sempre fechar a água e tomar cuidado com o lixo. Tem hora que eles até me controlam. Vou poder levar mais essa experiência daqui para eles.

Já Jennifer, estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal do Mato Grosso de Sul, se animou com a pluralidade ideológica que caracterizou a Cúpula dos Povos, no Aterro:

– Eu vim para me sensibilizar e aprender com as pessoas que aqui estão. Acho importante, para o futuro tomarmos, esse tipo de atitude.