Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 26 de março de 2017


Esporte

Rumo ao hexacampeonato, de olho no passado

Clara Freitas* - aplicativo - Do Portal

07/07/2014

 Lucas Ribeiro

Apesar da frustração com a lesão do atacante Neymar, jogadores e torcedores brasileiros podem encontrar inspiração no passado em busca do hexacampeonato. No dia 30 de junho de 2002, em Yokohama, no Japão, o técnico Luiz Felipe Scolari se tornou o quinto comandante da seleção brasileira a vencer uma Copa do Mundo. Doze anos e duas Copas do Mundo depois, Felipão tenta levar novamente o Brasil o título de campeão mundial. Vencendo o torneio dentro de casa, no dia 13 de julho, no Maracanã, o treinador terá a chance de comemorar outra marca histórica: ser bicampeão do mundo como técnico da seleção brasileira, feito alcançado apenas pelo italiano Vittorio Pozzo, nas Copas de 1934 e 1938.

Se agora o dilema do técnico é com a saída de Neymar, de 22 anos, que, com quatro gols em quatro jogos, confirmava o papel de protagonista da equipe até que, no duelo contra a Colômbia pelas quartas-de-final, sofreu uma fratura na terceira vértebra lombar, em 2002 Felipão apostou na recuperação de Ronaldo Fenômeno, que havia enfrentado lesões nos joelhos. A aposta deu certo e, com oito gols no torneio, o jogador foi o principal destaque da seleção brasileira na Copa. Com a lesão, o Brasil terá que continuar a campanha sem seu principal atleta, possivelmente substituído por Willian, de 25 anos.

Por outro lado, um fato histórico pode avivar as esperanças para a seleção. Na Copa de 1962, no Chile, Pelé também desfalcou o Brasil nas partidas finais do torneio, quando sofreu um estiramento na coxa que o impossibilitou de continuar na competição. Amarildo, escalado para substituir Pelé, deu conta do recado, se tornando um dos destaques da competição e, ao lado de Garrincha, levando a seleção canarinho ao bicampeonato. Com isso, a pergunta feita pela torcida brasileira é se teremos um novo Amarildo em 2014.

Como se não bastasse ficar sem o protagonista do time, a seleção também não poderá contar com capitão, Thiago Silva. O zagueiro, que levou o segundo cartão amarelo contra a Colômbia, não poderá atuar nesta terça-feira, quando o Brasil enfrenta a Alemanha. A curiosidade é que, em 2002, antes do início da competição, o Brasil também perdeu Emerson, capitão, que se lesionou quando brincava com o goleiro.

A Copa de 2014 começou com quatro favoritos para a final: Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha, atual campeã mundial, eliminada ainda na primeira fase. Das 18 Copas já realizadas, as semifinalistas somam 10 títulos mundiais: o Brasil com  cinco títulos, a Alemanha com três e a Argentina, com dois. Outro fato interessante é que, dentro das quatro linhas de suas fronteiras, os três países são atualmente comandados por mulheres. A Holanda, seleção com maior número de vice-campeonatos (1974, 1978 e 2010), nunca levou a Copa.

Esquema tático do penta e o atual

A formação tática escolhida para este ano é diferente da que Felipão adotou na Copa no Japão e na Coreia do Sul. Se, em 2002, o Brasil contava com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo no setor ofensivo, hoje a equipe se tornou refém de Neymar, já que seus companheiros de ataque – Hulk e Fred – acabam desempenhando também funções defensivas.

Arte Gabriel Camargo Em 2002, o Brasil atuava no 3-5-2, com Marcos no gol, Edmílson, Lúcio e Roque Júnior na zaga, enquanto Cafu e Roberto Carlos jogavam pelas alas, com maior liberdade para atacar, porém, sem abandonar o setor defensivo. No meio-campo, a lesão do experiente e então titular, Emerson, não foi sentida, já que Gilberto Silva e o jovem Kléberson deram conta do recado. No ataque, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo se dividiam entre a armação de jogadas e a ajuda à Ronaldo Fenômeno.

Nesta Copa, Felipão escolheu o 4-2-3-1, que, na teoria, é uma tática mais ofensiva, mas que vem sendo criticada por não surtir o efeito esperado. Júlio César é o titular do gol, enquanto Thiago Silva e David Luiz formam uma dupla de zaga eficiente e, até agora, artilheira, com três gols. Daniel Alves e Marcelo são os laterais, enquanto Paulinho (nos últimos jogos o titular foi Fernandinho) e Luiz Gustavo são os volantes. Na parte ofensiva, Neymar, Oscar e Hulk formam uma linha de três para armarem as jogadas de ataque e ajudarem o centroavante Fred.

* Colaborou Gabriel Camargo.