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Rio de Janeiro, 29 de junho de 2017


Esporte

Rádio é o Pelé dos escalados para trabalhar durante o jogo

Claudiane Costa, Larissa Fontes e Lucas Augusto - aplicativo - Do Portal

11/06/2014

 Viviane Vieira

Enquanto cariocas e turistas acompanhavam a estreia sofrida do Brasil (3 a 1 sobre a Croácia) em espaços como o FIFA Fan Fest, em Copacabana, e o Alzirão, na Tijuca; em bares, churrascos e afins; ou em algum programa a dois, para aproveitar a coincidência do Dia dos Nanomados, outros tantos torcedores, mais ou menos apaixonados por futebol, mantiveram o esquema tático da rotina profissional. Boa parte, quando dava, arrumava um jeito de espiar as arrancadas de Neymar e Oscar. Outros recorriam ao radinho, tradicional aliado desde as primeiras Copas. Outros tantos, nem isso.

O segurança do Metrô Rio Jorge Teixeira ouviu o jogo pelo rádio. Quando o japonês Yuichi Nishimura apitou o fim da partida de estreia do Mundial, para alegria dos brasileiros, começava a se intensificar o trabalho de Teixeira:

– O trabalho é sempre maior no fim do jogo. Além do grande movimento, muitos voltam alcoolizados e podem causar transtorno. Se há jogo no Maracanã, todos nós somos convocados, mesmo estando de folga – conta.

 Viviane Vieira Rádio agarrado no ouvido, o motorista de ônibus Cleiton da Silva vibrava com o primeiro gol de Neymar logo depois de estacionar o veículo no ponto final. “Minha família liga passando as informações sobre o jogo. Às vezes, como são poucos passageiros, paro o ônibus e dou uma olhadinha rápida na TV ligada num bar, por exemplo”, confessa. Ele garante, contudo, que nem a euforia do gol, nem a agitação da rua o desconcentra do volante.

Na Tijuca, os cerca de 20 mil cariocas e visitantes esperados no Alzirão – tradicional concentração de torcedores em Mundiais, no entorno da Rua Alzira Brandão – ganharam a companhia do reforçado time de guardas municipais. O Gerente de Operações da Guarda Municipal do Rio, Luciano Santos, adora futebol, mas desde que entrou na Guarda, há 20 anos, esteve de plantão durante todas as Copas. Ele admite que, vez ou outra, dá uma espiada no jogo, pois "é quase impossível resistir ao apelo do telão", mas ressalva que “o dever vem sempre em primeiro lugar”. Ele lembra um momento marcante desses plantões de Copa, em 1994, quando o Brasil conquistou o tetra, nos Estados Unidos:

– Estava de serviço na praia de Copacabana e a população comemorava a vitória do Brasil. Um grupo se empolgou e nos abraçou, tomamos o maior susto, não esperávamos que isso fosse acontecer. Mas, em clima de brincadeira, festa e vitória, todo mundo fica feliz.

Próximo ao Alzirão, no hospital Prontocor a secretária Mônica Mendes não pode ver Neymar espantar a zebra e virar o jogo no pênalti cavado por Fred. Tampouco viu o bico cirúrgico de Oscar sacramentar a vitória e aliviar a pressão croata nos minutos finais. Ainda assim, ela comemorava: a escala de plantão permitiria ver em casa os dois outros jogos do Brasil nesta fase, contra o México, na próxima terça, e contra Camarões, no dia 23. 

– É a primeira vez que trabalho na Copa. Depois que fiquei de plantão no carnaval, a Copa eu tiro de letra – brinca.

Mônica conta que, sem prejuízo da responsabilidade profissional, em alguns momentos espia a tevê no corredor, "para os visitantes". Para saber como anda o Brasil ou só o resultado propriamente dito, ela escala também a internet do celular. 

 Larissa Fontes O florista Antônio Monteiro também trabalhou na hora do jogo de estreia do Brasil. Muito pior do que não ter visto a virada verde-amarela foi a concorrência desleal da seleção sobre um dos presentes mais tradicionais do Dia dos Namorados. Para o vendedor, que há 25 anos monta barraca de flores nas ruas de Niterói, a coincidência com a estreia da Copa causou prejuízo. Nem o “movimento 11”, tentativa de antecipar a comemoração, impediu a queda de 30% nas vendas. Em compensação, crescem os pedidos de adereços verde-amarelos.  

— Foi um grande azar o primeiro dia da Copa cair no Dia dos Namorados — lamentava.

O lucro menor não tirou o bom humor do florista, que também fez do rádio a companhia para acompanhar as investidas e os sustos na largada do time de Felipão. Ao ouvir o gol de empate do Brasil, aos 28 minutos do primeiro tempo, Antônio subiu no banco da esquina onde trabalha para tentar ver o replay na televisão de uma academia próxima. Mesmo de longe, conseguiu acompanhar a celebração do camisa 10 e confirmou a aposta em Neymar. Pela primeira vez, ele já cogita comprar uma tevê para acompanhar os próximos jogos. Enquanto isso, continua dando o jeitinho para não perder os lances da seleção.