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Rio de Janeiro, 25 de março de 2017


Educação

A língua portuguesa muito além da gramática

Marianna Fernandes - Do Portal

09/05/2013

Marianna Fernandes

Muito mais do que a compreensão de novas estruturas linguísticas e regras gramaticais, o aprendizado de uma segunda língua envolve a construção de uma nova identidade cultural. É o que explicam as professoras Rosa Marina Meyer e Adriana Albuquerque, que organizaram o livro Português para estrangeiros: questões interculturais. Para as educadoras, não há dúvidas de que a cultura está intrinsecamente ligada ao ensino e aprendizado da língua.

No livro, publicado pela Editora PUC-RJ, as organizadoras apresentam nove textos de diferentes profissionais com conhecimento sobre assunto, incluindo experiências na China, Suécia, Alemanha, Itália. Deficientes auditivos, que aprendem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua, também estão contemplados. De acordo com Adriana Albuquerque, os surdos em nada se diferem dos demais aprendizes de segundas línguas:

– Aprender o português, no caso dos surdos, é adquirir uma segunda língua e, consequentemente, uma segunda cultura, com estranhamentos linguísticos e culturais por parte desses aprendizes.

Rosa Marina explica que, no caso do português, o que mais chama a atenção dos aprendizes é a flexibilidade e a informalidade com que usamos a língua portuguesa. Para os falantes de inglês, o paradigma verbal é um “desespero”, diz a professora. Ainda sim, o mais difícil para esses novos falantes não está relacionado à gramática:

– Difícil mesmo para quase todos é, por exemplo, conseguir agradecer só com um toque no braço, sem precisar dizer a expressão "muito obrigado”, como nós fazemos cotidianamente até sem perceber. Esse tipo de informalidade é muito estranha para a maioria.

Apesar das dificuldades do aprendizado da língua portuguesa, ela sempre foi procurada como segunda língua. O objetivo dos interessados, no entanto, mudou com o tempo:

– Houve um tempo em que os estudantes procuravam o português para ter maior contato com a nossa língua e culturas, atraídos principalmente por nossas manifestações culturais: MPB, carnaval, futebol etc. Hoje isso mudou: a maioria tem um projeto muito bem definido de futuro profissional, e ele inclui relações com o Brasil.

Adriana Albuquerque vê o livro como maneira de mostrar como o português está sendo ensinado para outros falantes e quais são as dificuldades culturais que se apresentam nesse cruzamento de culturas.

– Ter um livro como esse, para o profissional que trabalha com português como segunda língua, é de fundamental importância para eles observarem o quanto a cultura é necessária dentro do aprendizado de uma segunda língua – completa a professora.

Para as organizadoras, o interesse pelos temas abordados na coletânea não se limita a alunos e educadores de línguas:

– Pensamos não apenas no profissional da área, mas também no imigrante, ou na pessoa que está aprendendo português longe do Brasil e precisa de um pouco de contexto. A ideia do livro é exatamente essa: apresentar um pouco mais de Brasil a quem quer conhecê-lo melhor – explica Rosa Marina.