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Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2017


Economia

Meirelles: desenvolvimento sustentável é possível

Davi Raposo e Maria Clara Parente - Do Portal

17/03/2015

 Davi Raposo

O economista e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles reforçou a ideia de que o Brasil pode ter um desenvolvimento sustentável, em aula magna na última sexta-feira, em comemoração aos 50 anos do curso de pós-graduação de Engenharia Civil da PUC-Rio. A aula foi um panorama do Brasil durante o século XX, relembrando momentos como a hiperinflação na década de 80 e a criação do Plano Real no governo Itamar Franco. O aumento do poder social e do ponto de vista econômico da classe média também foram citados como de grande relevância para entender a situação atual do país.

Meirelles, que fez parte do núcleo econômico do governo Lula entre 2003 e 2010, se furtou a comentar a crise política nacional: “O ex-presidente do FED (o banco central americano) Paul Volcker se recusa a responder sobre a política monetária americana, mesmo décadas depois de ter deixado o governo”, justificou. Mas apresentou projeções do World Bank sobre o cenário econômico da próxima década no Brasil, estimando, na visão pessimista, crescimento de 1,2%, enquanto a visão otimista alcançava 4%. Segundo a instituição, os principais desafios do país são logística, energia e educação.

Apesar do discurso neutro, Meirelles destacou planos de longo prazo e redução da inflação, em conjunto com uma distribuição de renda mais justa, como as chaves para o crescimento sustentável.

Usando gráficos que comparavam o nível de escolaridade médio do brasileiro ao americano (realidade que conhece por ter morado nos Estados Unidos), Meirelles enfatizou que a falta de qualidade na educação é um dos maiores problemas do Brasil:

– O nível de escolaridade do brasileiro está aumentando, mais que a realidade americana, o que é uma coisa ótima. Mas, quando vemos o nível de qualidade do ensino, encontramos o problema. Isso se reflete na produtividade brasileira.

Outra preocupação do economista, atual presidente do Conselho da J&F, é a grande carga tributária, que não se reflete em serviços:

– Os países que têm os impostos mais elevados do mundo, com total dos impostos em relação à população, são Argentina, Bélgica, Austrália, Brasil, Canadá e China. A carga tributária de diversos países supera a do Brasil, mas a qualidade dos serviços prestados é infinitamente melhor nesses lugares.

Nascido em Anápolis, no estado de Goiás, o economista ressaltou a importância de ter conhecido o que chamou de “Brasil Real”, especialmente durante a campanha eleitoral de 2002, em que concorreu a deputado federal por seu estado – eleito, abriu mão do cargo por causa do convite para presidir o Banco Central.

– Eu tinha acabado de deixar um cargo de liderança no Bank Boston Corporation, e entrei em campanha. Um jornalista do Wall Street Journal publicou reportagem em que enfatizava o fato de as elites paulistas e cariocas culparem os banqueiros pela crise internacional, e perguntava a uma eleitora minha, Rosa da Silva, que nos abordou num comício dizendo que depositava em mim sua esperança: “A senhora o apoia mesmo sabendo que ele é um banqueiro?” E ela respondeu: “Nós somos muito pobres para ter problemas com bancos” – lembrou Meirelles.

O reitor, padre Josafá Carlos de Siqueira, ressaltou sua alegria em estarem na mesa três conterrâneos de Goiás – o próprio, Meirelles e o diretor do Departamento de Engenharia, Tácio Mauro Pereira de Campos, conterrâneos de Meirelles, além do carioca José Ricardo Bergmann, vice-reitor acadêmico da universidade.