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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2017


Economia

Janelas digitais ampliam o horizonte do audiovisual

Maria Silvia Vieira - aplicativo

10/10/2014

 Arte: Viviane Vieira

Na contramão do freio econômico no país, o segmento audiovisual exibe um crescimento animador. Movimenta quase R$ 20 bilhões por ano – o equivalente a 0,46% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma dos bens e serviços produzidos), participação acima à da indústria farmacêutica –, aponta estudo da Motion Pictures Association na América Latina. Impulsionado pela tecnologia digital e pela nova onda de comédias estreladas por atores da Globo (comparada por alguns analistas ao oxigênio fornecido pelas chanchadas de Carlos Manga, com astros do rádio, nos anos 1950), o avanço do setor se reflete num volume de vagas de trabalho superior, por exemplo, ao gerado pelo turismo. Só em 2012 foram criados 100 mil empregos diretos e 120 mil indiretos. Dos quatro filmes nacionais produzidos em 1994, um ano depois da aprovação da Lei do Audiovisual, o cinema brasileiro saltou para 129 em 2013.

Estimulados por esses números expressivos, executivos e profissionais da área projetam uma expansão ainda maior. Apostam nas produções além da telona, sobretudo para a internet e a televisão por assinatura, nas oportunidades cristalizadas pelo marco regulatório da TV fechada, em 2011, e no consumo crescente das classes C e D. Debruçados neste perfil de espectadores, ajustam a cadeia produtiva e os formatos audiovisuais às novas demandas. Aumenta-se, assim, a oferta de filmes dublados e filmes com linguagem próxima à televisiva. A executiva de marketing do Grupo Kinoplex, Patricia Cotta, observa que o setor pegou carona no aumento de renda e na ascensão da classe média registrados na última década:

– O mercado de cinema cresceu baseado na melhora do poder econômico do Brasil. A partir do momento em que as classes C e D passaram a ganhar mais, buscou-se um maior acesso à cultura. Quando chega o salário no início do mês, a família paga suas contas e o que sobra usa para gastar com entretenimento e lazer. O mercado de cinema se beneficiou muito disso.

O executivo de programação também do Grupo Kinoplex, Flavio Carvalho, reitera que o aumento de consumo das classes C e D trouxe uma mudança “significativa” nas produções audiovisuais, para que contemplem tais perfis. Por exemplo, salas de cinema passaram a exibir uma quantidade maior de filmes dublados:

– Estamos nos adaptando, pois nosso objetivo é ter a maior taxa de ocupação possível. Atualmente, são os públicos C, D, E que estão lotando o cinema na área popular. Eles buscam, principalmente, filmes dublados. Quando abrimos um cinema, fazemos um estudo do perfil do público na região. Sabemos exatamente qual é o tipo de público em cada uma das nossas salas. De acordo com esse mix, montamos a programação.

Comédias aumentam a bilheteria e reduzem hegemonia de filmes americanos

O cineasta Marcelo Taranto, professor do curso de Cinema da PUC-Rio, concorda que o crescimento do mercado audiovisual pegou o vácuo do consumo crescente das classes C e D. Ele acrescenta que a frequência desses espectadores é influenciada não só por aspectos econômicos, mas pela intensificação da oferta de comédias que retratam comportamentos sociais brasileiros e apresentam linguagem mais próxima da televisiva. A maioria desses filmes coleciona bilheterias significativas, algumas acima ou bem acima até de megaproduções americanas. Estrelado por Tony Ramos e Glória Pires, Se eu fosse você 2, de Daniel Filho, levou mais de seis milhões de espectadores ao cinema.

– A produção brasileira de comédia tem uma linguagem televisiva com a qual essa audiência se identifica. Por um lado, é bom, pois diminui a invasão do cinema americano, sem nenhum tipo de xenofobia – ressalva o professor – Além do mais, é importante que o brasileiro se identifique com a produção nacional. É importante que haja um reconhecimento, nas grandes telas, da cultura, dos problemas, das questões sociais do país. Isso cria um equilíbrio – avalia.

Taranto considera que a influência da televisão no cinema extrapola a linguagem. Está representada também nos atores escolhidos para tais produções, a maioria “já carimbada” nas telinhas e, por vezes, até na internet. 

– Essa linguagem televisiva recria a sociedade brasileira nas telas de forma cômica. Muitas vezes, nos filmes, os atores são de programas da televisão e até de canais do Youtube. Isso tudo faz com que o público tenha vontade de ir aos cinemas. É o chamado “cinema de entretenimento”, cuja audiência mais fiel são os jovens entre 15 e 25 anos – ressalta o especialista.

Patricia Cotta reforça a importância desses atores para que o filme também tenha “um bom boca a boca”. É o caso, por exemplo, de Candidato Honesto (2014, Roberto Santucci), lançado no início do mês e estrelado por Leandro Hassum. Em uma semana, foi visto por quase meio milhão de espectadores.

– Ele (Leandro) é um grande profissional e está muito em foco no mercado. Tem um público de fãs muito grande, que são apreciadores de todas as produções nas quais ele atua. Então, nós pedimos para ele gravar umas chamadas exclusivas, falando sobre o filme e chamando o público para assisti-lo – conta a executiva.

Taranto: “É preciso mais acesso a filmes que estimulem reflexões da realidade”

Embora reconheça a contribuição da nova safa de comédias para atrair mais brasileiros ao cinema melhorar o equilíbrio entre filmes estrangeiros (americanas, em especial) e nacionais, Taranto pondera que tais produções, por outro lado, habituam os espectadores a uma linguagem “pouco sofisticada”, que não estimula “uma reflexão mais profunda da realidade”:

– Esse tipo de filme gera um aumento no número de espectadores, chegando à casa de 1 milhão ou mais. Por outro lado, deveria existir acesso a filmes com maior sofisticação, com propostas de conteúdo mais complexas e com abordagens de questões políticas e sociais. Cria-se um costume de consumir conteúdos de fácil digestão, algo para não se pensar muito. Percebe-se a decaída dos chamados “filmes cabeça”. A experiência de ir ao cinema não pode se resumir a pegar um saco de pipoca, sentar ali e ao sair não se lembrar de nada do que foi visto – lembra o cineasta.

O jornalista e crítico de cinema Miguel Pereira, coordenador de pós do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, reforça que ir ao cinema é mais do que “um simples programa de entretenimento”. Faz parte de um ritual:

– Ir até uma sala de cinema faz parte de um ritual, é uma experiência além de ver o filme. Representa uma fantasia com o mundo dos sonhos, dos desejos e da representação coletiva – sintetiza.

Tecnologia digital aponta tendência de mais filmes por sala

 Arte: Viviane Vieira Com o crescimento do mercado cinematográfico, um novo desafio, entre outros, se apresenta aos exibidores: para que a qualidade audiovisual seja melhor e mais competitiva, é obrigatório investir na digitalização. No mundo, 75% das salas já são digitalizadas, enquanto no Brasil, apenas 31%. Sinônimo de mais flexibilidade para a área de programação e de ganhos ambientais, a adoção da tecnologia digital impõe uma “nova lógica”, explica Flavio Carvalho:

– A digitalização vai diminuir os custos para as distribuidoras e aumentar os custos na aquisição de equipamentos para os exibidores. Mas, para a operação, significa uma economia, pois os projetores digitais podem ser operados por uma única pessoa enquanto os projetores convencionais precisam de quatro pessoas em turnos diferentes. A programação será facilitada, ao passo que poderemos ter sessões legendadas em todos os cinemas, de acordo com a demanda. Também conseguiremos programar mais filmes, o que representa um aumento considerável de opções para o público – destaca o executivo do Grupo Kinoplex.

Fundador da produtora Afinal Filmes, há dez anos, Alexandre Rocha ressalta também que as facilidades advindas da tecnologia digital tendem a se convertem, principalmente, na redução dos custos e no aumento do volume de produções. Ele esclarece um dos motivos pelos quais o orçamento fica menor:

– Uma vez que você tem a sua cópia final em formato DCP, que é o padrão de exibição digital, o custo de replicar essa master é imensamente menor do que o de fazer uma outra cópia em película, por exemplo. Soma-se a isso o custo de logística para distribuir as cópias em película pelos cinemas versus o custo de fazer isso digitalmente.

Taranto aponta, ainda, o benefício ecológico da digitalização, pois as cópias feitas em poliéster demoram mais de cem anos para se desintegrarem. Assim estima pesquisa da professora Maria Cecilia Loschiavo, integrante do Centro Multidisciplinar de Estudos em Resíduos Sólidos da Universidade de São Paulo. A migração para esse novo padrão pode representar dificuldades para o exibidor, admite o cineasta, mas  é inexorável:

– A era digital é um caminho sem volta, é uma realidade. Não há mais razão para termos cópias em poliéster, até pelo motivo ambiental. É uma tendência mundial. Os cinemas terão de exibir, cada vez mais, projeções digitais de qualidade. A grande questão é quem paga essa conta. Para o exibidor, é difícil fazer a mudança da noite para o dia. Nos EUA, a maioria dos cinemas é digital, e o Brasil seguirá o mesmo caminho. Aqui na PUC, toda a produção já é digital.

A mudança tende a estimular a divisão das sessões nas salas, prevê Carvalho:

– Com a digitalização, é possível exibir vários filmes e fazer uma divisão nas salas, coisa que o distribuidor não aceitava, pois o custo da cópia era muito alto. O mercado se readaptou a isso. Até com cópias 35mm, já estão aceitando melhor essa prática da divisão de sessões nas salas. Pois os distribuidores entenderam a realidade do mercado, que reúne muitos lançamentos em pouco tempo.

Patricia considera os subsídios do governo à compra de equipamentos essenciais para os exibidores implementarem a digitalização. Segundo a executiva de marketing do Grupo Kinoplex, programas como o Cinema perto de você, em vigor desde 2012, revelam-se estratégicos para as exibições se manterem competitivas:

– Estamos fazendo um grande investimento. Hoje 35% das nossas salas estão digitalizadas. Até o final do ano temos 65% das salas para digitalizar, o que representa um número de 200 salas. É um investimento muito grande, o governo dá um apoio por meio de subsídios para a compra de equipamentos que vêm do exterior. Estamos investindo fortemente nisso, pois sabemos que é uma tendência de mercado da qual não há como fugir. Muitos filmes já estão sendo lançados apenas no formato digital. Até o fim do ano, temos de concluir esse processo para que a gente possa seguir competitivo no mercado.

Tecnologia digital exige atualização constante do exibidor

Já o presidente do Grupo Estação, Marcelo Mendes, acredita que a tecnologia digital “permanecerá evoluindo e colocando no mercado novos equipamentos”. Este fluxo, avalia, representará um custo alto constante para o exibidor:

– Um projetor 35mm dura mais de 50 anos. Quando tempo durará um projetor digital? – questiona – Fala-se em cinco anos, mas  projetores lançados há três anos já estão ficando obsoletos. Parece que o exibidor terá que se acostumar com um alto custo constante para manter os equipamentos atualizados.

Sem subtrair a representatividade e as implicações de mercado da tecnologia digital, Rocha lembra que tais avanços não dispensam “o trabalho feito com bons profissionais por trás das câmeras”. É igualmente importante avaliar até que ponto o filme, ou melhor, “a história que se deseja contar” precisa desses recursos, alerta o produtor:

– Não adianta usar os equipamentos mais avançados, de última geração ou filmar em 4K (cuja resolução é 16 vezes superior em relação à full HD), se você não tem dinheiro ou se o seu filme não precisa ou não pede isso. Eu sempre digo que prefiro um bom fotógrafo com uma câmera média do que um fotógrafo qualquer com uma câmera excelente. É preciso ter em mente que no audiovisual, e aí faço pouca distinção entre cinema e televisão, o fundamental é a história que estamos contando. O resto é ferramenta.

Miguel Pereira lembra que os americanos "fecharam esse mercado" até dominar completamente a tecnologia digital, de maneira a torná-la um trunfo competitivo. O professor reforça que o processo é fundamental para os exibidores brasileiros adquirirem um padrão internacional:

– A atualização tecnológica demorou muito, até nos EUA. Eles já tinham a técnica, mas queriam dominá-la plenamente. Esse ainda é um processo de concentração. Mas é claro que os exibidores e distribuidores brasileiros terão de ter esses novos equipamentos para conseguirem concorrer e mostrar a qualidade de seus produtos.

Ópera, balé e futebol geram mais receita e público novo

Para investir ou reinvestir em equipamentos digitais, exibidores buscam ampliar as fontes de receita, observa Patricia Cotta. Incluir atrações além dos filmes e novos serviços, inclusive para o mercado corporativo, são algumas dessas estratégias. Significa, entre outros aspectos, "trazer um novo tipo de audiência para os cinemas", ressalta a executiva do Kinoplex.

– Ópera e balé têm um resultado muito bom. A gente percebe que esse tipo de conteúdo traz um público novo para o cinema, que não é o público primário do cinema (jovens entre 15 e 25 anos). A ópera, principalmente, tem um público predominante sênior, pessoas de mais de 60 anos.

Ainda de acordo com Patricia, as novas atrações têm despertado uma ótima receptividade. Respondem por uma ocupação até três vezes superior à média registrada nas salas de cinema:

– Temos ainda jogos de futebol e de tênis com 100% da sala ocupada, óperas também com 100%, balé com 70%, 80%. Essas taxas são gigantescas para o mercado de cinema, pois geralmente ela gira em torno de 30%, 35%. São conteúdos muito bem aceitos.

A lógica do mercado: das produtoras aos exibidores

Para contemplar atender os diferentes nichos de mercado impulsionados pelo avanço audiovisual, será necessária uma expansão da produção, avalia Miguel Pereira, o que abre espaço para os jovens. Elle enfatiza, porém, que a lógica de um filme, "desde seu embrião até a exibição", não é mais a mesma:

– Hoje não há apenas aquela divisão tradicional, do cineasta, do roteirista, do produtor, do diretor de arte e o elenco. Isso está mais misturado. Há uma corresponsabilidade na produção do audiovisual. É necessária uma expansão grande da produção para atender os diferentes mercados.

Rocha acredita que a fase requer menos idealismo e mais profissionalismo: 

– Acredito que seja importante ter mais profissionalismo e menos romantismo. O romantismo é importante mas viver de romantismo é simplesmente impossível. As pessoas precisam planejar mais, pensar no processo como um todo e perseverar sempre. Audiovisual é um trabalho coletivo. Isso não vale só para a execução de um filme, mas para a sobrevivência empresarial – pondera o produtor.

Crescimento amplia espaço para produtoras e distribuidoras pequenas

Já o professor de Cinema da PUC-Rio Arturo Neto lembra que o crescimento audiovisual tem de ser acompanhado por toda a cadeia de produção, o que exige, por exemplo, uma articulação eficiente entre distribuição e exibição. Assim, as pequenas distribuidoras, que ganham espaço com a ascensão do setor, devem ficar atentas para corresponder às novas demandas. Para Patricia, o sucesso de uma distribuidora depende da "boa escolha"dos filmes exibidos:

– As pequenas distribuidoras podem crescer. Temos um exemplo bem claro: a Paris, uma distribuidora independente que hoje tem um porte grande. O que é preciso para ter sucesso é saber escolher bem os seus roteiros e os seus filmes. Se ela escolhe produtos de qualidade, a tendência é crescer cada vez mais e se igualar a uma major – acredita a executiva.

As facilidades trazidas pelos recursos digitais, acrescenta Carvalho, ajudaram a aumentar o número de distribuidoras:

– O número muito maior de distribuidoras está atrelado à digitalização. Da mesma forma que há mais espaço para as pequenas distribuidoras, há mais espaço para os pequenos produtores.

Presidente do Estação: "Pequenas produções precisam investir em novos modelos de exibição"

Marcelo Mendes diz que as pequenas produções precisam investir em novos modelos de exibição. Para os pequenos, avalia o presidente do Grupo Estação, "é preciso fugir do padrão comercial para conseguir competir". Ele propõe que os incentivos públicos priorizem as pequenas produções. Em outras palavras, Mendes prega pesos diferentes para investimentos públicos no setor:

– Não é possível competir, e nem deve ser a meta uma competição com os grandes. Certos filmes devem buscar novos modelos de exibição, circuitos alternativos, como o Estação, envolvendo mais criatividade, tentando fugir do padrão comercial dominante. O Estado deveria investir nesse circuito alternativo de forma diferente da que investe no comercial.

Rocha considera positiva a competividade acentuada pela expansão audiovisual. O que o assusta, ressalva o produtor, é "o monopólio ainda forte na área":

– A competitividade é sempre positiva, mas o monopólio das grandes produtoras ainda assusta – reforça. 

Lei de 2011 equilibra a relação de forças e oxigena o mercado nacional, avalia professor

Na opinião de profissionais e analistas da área, uma das molas principais para o salto audiovisual nos últimos anos foi o marco regulatório de 2011, que determina produção nacional na TV paga. Para Marcelo Taranto, essa lei equilibra a relação de forças e oxigena o mercado brasileiro:

– A lei da TV paga foi uma iniciativa muito importante. É inadmissível, por exemplo, o seriado Friends, de 20 anos atrás, ainda estar passando no Brasil. Pode ser uma série maravilhosa, mas é o preenchimento de um espaço com algo que nem nos Estados Unidos passa mais. Isso significa uma distorção para a grade da TV paga. Essa lei, de certa forma, regula e equilibra melhor a relação de forças – reitera o cineasta e professor – Os resultados já são percebidos no aumento das vagas de empregos e de produções independentes, em novas produtoras, novos diretores, atores, e assim por diante. É uma cadeia em ampliação.

 Marcela Henriques Para Carvalho, executivo da área de programação do Kinoplex, a lei amplia o espectro de trabalho dos produtores:

– A lei de incentivo do filme nacional passou a valer também para a TV paga, o que amplia o mercado para os produtores. Eles podem atuar no cinema e ganham agora um mercado ainda maior com a possibilidade de produzirem para a televisão.

Séries roubam a cena de um cinema dominado por efeitos especiais

Já nos EUA a tevê ganhou força com a valorização das séries. Na opinião de Pereira, o fenônemo deve-se, em parte, à perda em narrativa do cinema: os filmes comerciais americanos transformaram-se "em um espetáculo de efeitos especiais e computadorizados":

– Até o cinema que se propõe comercial nos EUA está caindo muito e se transformando em um espetáculo de efeitos especiais. Lá, as séries já entraram no vácuo da falta de boas narrativas. Há uma mudança tecnológica, mas também há uma mudança de forma – esclarece o professor.

O criador da Pavio Filmes, Kenzo Giunto, percebe dois fatores que influenciaram diretamente o crescimento da área de produção: mais acesso aos equipamentos digitais e distribuição facilitada pela internet.

– Ainda é caro, no Brasil, comprar uma boa câmera, lentes e refletores, mas está bem mais acessível. Há dois anos eu tive a oportunidade de comprar uma câmera e experimentar esse mundo audiovisual com alguns amigos. Apostei na internet, pois é um meio em que há mais competitividade, além de ser um ambiente de distribuição mais democrático. Antigamente, se um artista independente resolvesse fazer um videoclipe era preciso ter contatos para exibi-lo na TV. Hoje é possível colocar no Youtube para todos terem acesso – compara o empreendedor, aluno de Comunicação da PUC-Rio.

A expansão do setor representa mais oportunidades para estudantes e profissionais. Para aproveitá-los, orienta Rocha, é preciso uma qualificação superior. Ele ressalva, contudo, que a área ainda se mostra instável:

– Quando começamos, éramos meus sócios e eu. Hoje temos uma equipe de 15 profissionais. Mas isso varia bastante, pois o mercado ainda é volátil, e as mesmas leis trabalhistas que regem grandes empresas valem para a Afinal, o que dificulta a criação de novos empregos – pondera o produtor.