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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2017


Desafios 2015

Analistas: 2015, o ano que precisa começar logo para o país

Andressa Pessanha, Felipe Castello Branco, Juliana Reigosa, Lucas Augusto, Marcela Henriques e Maria Silvia Vieira - aplicativo - Do Portal

19/11/2014

 Antônio Cruz/Agência Brasil

Terminado o bombardeio retórico da campanha, o Brasil precisa cair logo na real. Encaminhar ainda neste ano, recomendam analistas, os deveres de casa prementes, boa parte deles prometida no discurso comemorativo da presidente reeleita Dilma Rousseff: voltar a crescer, atrair investimentos, afastar a inflação, controlar os gastos públicos, qualificar os serviços de educação e saúde, debelar a crise hídrica. Significa, por exemplo, não esperar até o início oficial do segundo mandato, em janeiro, para trocar ministros e anunciar o substituto do titular da Fazenda, Guido Mantega, demissionário desde outubro. Em meio à ginástica contábil e semântica ("superávit" vira "meta de resultado") para cumprir a responsabilidade fiscal, à devassa no esquema de corrupção na Petrobras e às esgrimas parlamentares aquecidas pela proximidade das eleições no Congresso e por uma oposição revigorada com as urnas, o Planalto encara o desafio de recolocar o país nos trilhos. A convite do Portal, especialistas avaliam os principais pontos do programa do governo para os próximos quatro anos e sugerem caminhos para consumá-los. (As apreciações estão reunidas nos infográficos, clicáveis, que acompanham o texto desta reportagem.)

 Davi Raposo Num ambiente de crescimento baixo – perto do zero neste ano e em torno de 1% em 2015, projetam economistas –, inflação alta (6,75% no acumulado dos últimos 12 meses, 2,25 pontos percentuais acima do centro da meta fixada pelo governo), investimentos claudicantes, escalada do dólar (chegou a R$ 2,60 na segunda-feira passada, maior cotação desde 2005) e ameaça de rebaixamento por agências de risco internacionais (avaliam o quão o país é indicado a receber investimentos), a agenda econômica lidera a lista dos deveres de casa. Para executá-los, analistas sugerem que o governo indique, até dezembro, ajustes símbólicos, como os associadas ao novo ministro da Fazenda – pasta cujo orçamento corresponde a 2% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas nacionais), estimado em R$ 4,8 trilhões –, à política macroeconômica e ao controle da inflação. Para o economista Rodrigo Sias,do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), outra indicação favorável remete à maior abertura do mercado nacional para o comércio mundial: "Negociar mais acordos de livre-comércio bilateral fora do eixo do Mercosul (bloco econômico composto por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai)", propõe.

Debelar a crise hídrica, que prejudica o abastecimento de água para 27 milhões de brasileiros, também está entre os deveres premente. Um desafio que, entre outros emblemas, indica a importância de ajustes gerenciais no setor energético e a proximidade cada vez maior entre as áreas ambiental e econômica. O casamento de uma estiagem histórica com lapsos administrativos – que desaguou no acionamento das termelétricas, mais poluentes e caras, e no consequente aumento da conta de luz nos próximos dois anos – impõe uma nova visão estratégica, afirma o economista e ambientalista Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e de Governança Metropolitana e ex-presidente do Instituto Pereira Passos.

 

– É necessário, por exemplo, um plano para reduzir o desperdício de água nas companhias de abastecimento – recomenda.

Outro ponto essencial do programa do governo refere-se à Educação. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o nível educacional brasileiro ainda está longe dos melhores do mundo, confirmam pesquisas como a The Learning Curve. Segundo o levantamento, que analisa o sucesso escolar e capacidade cognitiva dos estudantes, o Brasil está em 38º entre os 40 países avaliados. A presidente Dilma programa aumentar o volume de investimentos para o setor, de 6,1% do PIB – acima da média de 5,6% da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – para 10% do PIB até 2024. Especialistas ressalvam, contudo, que não bastam mais investimentos, tampouco o cumprimento do novo Plano Nacional de Educação. Para resolver problemas crônicos, como a carência de professores, são necessários avanços em gestão. Falta, por exemplo, um currículo padrão em nível nacional, observa a coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Gestão e Qualidade da Educação (GESQ), da PUC-Rio, Cynthia Paes. Para a pequisadora, as competências gerenciais, um currículo nacional e o diálogo entre institutos federais devem caminhar com as prioridades traçadas pelo governo para a área que a presidente Dilma considera "o ponto mais importante" do segundo mandato. A implantação de costumes históricos nas escolas também contribui para melhorar a formação educacional no país, ressalta a professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio Angela Paiva:

 Davi Raposo – Se (a presidente) Dilma fizer com que a escola valorize o conhecimento e a cultura brasileira, já será um avanço enorme.

Especisliatas avaliam que avanços na área da saúde – a mais preocupante para os brasileiros, segundo o DataFolha, seguida de segurança pública e corrupção – também dependem de aperfeiçoamentos em gestão. O diagnóstico é acompanhado pelo decano e coordenador da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, Hilton Koch. Ele acredita que o orçamento de R$ 106 bilhões para o setor – 5% a mais do no ano passado – é suficiente para a implantação de programas como Mais Especialidades (rede de clínicas com especialistas e exames de apoio diagnóstico para acelerar atendimento e tratamento) e o aprimoramento do Mais Médicos e do Brasil Sorridente. Para o especialista, os recursos devem contemplar mais a manutenção de iniciativas do gênero:

– Devem ser alocar recursos para consolidar o planejado, sem esquecer da manutenção. Pois, o que se vê são investimentos para implantação sem o correspondência na manutenção – observa.

Segurança pública também exige uma gestão estratégica e integradora. De acordo com o professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio Paulo Jorge Ribeiro, apesar de a violência apresentar motivos diferentes em cada região, é preciso uma formação das polícias "que contenha pontos iguais". Para ele, o principal desafio, nesta área, é a integração das instâncias federal, estadual e municipal, assim como as instituições de segurança pública. Ainda segundo Ribeiro, o objetivo esbarra em informações imprecisas ou até inexistentes sobre segurança, o que dificulta a implantação de programas como o Brasil Mais Seguro. "É preciso que os estados cumpram seus deveres de casa”, diz o especialista. Assim, calcula Ribeiro, pode-se reduizr o gasto com a violência (R$ 258 bilhões, 5,4% do PIB, em 2013, estima o Fórum de Segurança Pública).