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Rio de Janeiro, 24 de junho de 2017


Cultura

Ruth Adams: arte de rua do Rio tem forte senso político

Andressa Pessanha e Maria Silvia Vieira - aplicativo - Do Portal

22/05/2015

 Andressa Pessanha

Especialista em subculturas e indústrias criativas, Ruth Adams chegou ao Rio na semana passada para protagonizar uma série de palestras (veja a programação de palestras no quadro no final da entrevista). Num rápido mergulho por Santa Teresa, Dona Marta e outras áreas da cidade, percebeu nas artes de rua cariocas, em especial o grafite, uma vocação autêntica para a crítica política e social, enquanto em Londres, compara ela, esta prática só é valorizada quando feita por artista renomado. O curioso é perceber que muitos desses grafites têm um senso político. Muitos deles são visualmente atrativos, mas também expõem críticas políticas claras. Consegui identificar os dois aspectos em alguns grafites de Santa Teresa, por exemplo”, observa a especialista. A professora do Departamento de Indústrias Criativas e de Culturas e Indústrias Criativas de King’s College London recebeu o Portal no hotel onde está hospedada, na Zona Sul. Por pouco mais de duas horas, a professora do Departamento de Indústrias Criativas e de Culturas e Indústrias Criativas de King’s College London explicou alguns dos pontos centrais da extensa produção científica na área, como a relação entre subcultura, identidade e consumo.  “Não existe identidade sem consumo”, enfatizou. 

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Autora de publicações como The V&A, The Destruction of the Country House, and the Creation of  English Heritage e The Englishness of English Punk: Sex Pistols, Subcultures and Nostalgia e Who Says White Man Can’t Dance?’Deconstructing Racial Stereotypes, Ruth Adams define subcultura como uma maneira de pensar fora dos padrões da cultura dominante, "criando grupos específicos com algo em comum e, assim, construindo identidades próprias". Arte de rua e música são formas recorrentes de se materializar tais identidades. Na entrevista, capitaneada por temas como subculturas juvenis, classes sociais e consumo cultural, a pesquisadora encontrou ainda uma janela para falar de futebol. "Lá na Inglaterra a maioria dos jogadores vêm de classes mais baixas e buscam na carreira valores materiais. Por outro lado, tal esporte contribui para a saída de jovens das drogas e do tráfico, além de estimular mais participação social. A música, no Reino Unido, também é uma dessa alternativas", destaca Ruth, que vem hoje à PUC-Rio, às 11h, para palestrar sobre indústria criativa, a convite da professora Claudia Pereira, coordenadora do Programa de Estudos de Comunicação e Consumo (PECC) da universidade. Amanhã, também na universidade, às 13h, a pesquisadora aborda subculturas.  

Portal PUC-Rio Digital: Sua linha de pesquisa é centralizada em diferentes subculturas que influenciam o modo de vida no Reino Unido. O que é subcultura?

Ruth Adams: Subcultura é uma parte não muito explorada ou inexistente de uma cultura. Você pode ter subculturas em todos os estágios da vida [quando crianças, adolescentes e adultos], pois é simplesmente um grupo específico que compartilha os mesmos interesses e preferências que não são considerados padrões na cultura principal de um país, por exemplo. Então, esses grupos têm atitudes, comportamentos, e talvez aparências diferentes da de sua cultura original. As vezes, esses grupos também têm uma própria posição política. De qualquer forma, é um pensamento por fora da cultura principal.

Portal: Segundo seu artigo The Englishness of English Punk: Sex Pistols, Subcultures and Nostalgia, o punk foi uma dessas subculturas muito presentes no Reino Unido nos anos 70. Foi possível notar a existência de subculturas no Rio de Janeiro?

 Ruth: Eu já ouvi falar sobre o funk carioca, mas não o conheci ainda. Porém, analisando pelo que eu vi nas ruas da cidade, pude notar diferentes subculturas. Visitei o Corcovado, Pão de Açúcar, Centro, Cinelândia, e também os morros Dona Marta e Santa Teresa. Nesses diversos lugares, pude observar diferentes estilos que pareceram, para mim, características de algumas subculturas.

Portal: Há algum exemplo que lhe chamou atenção?

Ruth: Sobre uma subcultura da cidade do Rio, o que mais me impactou foram as artes de rua, como o grafite. O curioso é perceber que muitos deles têm um senso político. Muitos deles eram visualmente atrativos, mas muitos também tinham críticas políticas claras. Consegui identificar ambos os caráteres alguns grafites de Santa Teresa.

Portal: No Reino Unido, é comum o grafite representar o mesmo teor político da cidade carioca?

Ruth: Há grafites no Reino Unido, mas não se compara com a quantidade que tem aqui. Eles são mais comuns em partes específicas de um país ou cidade. Lá o grafite só é considerado arte se for feito por algum artista renomado. Se o Banksy [famoso por suas pinturas na Banksy Street Art, em Londres] fizer qualquer rabisco, logo se torna um monumento importante. Agora, se for outra pessoa, é considerado vandalismo. Ou seja, no Reino Unido é muito localizado. Há lugares onde é permitido o grafite ou não. Existem, sim, adoráveis artes de rua por lá, mas nada como aqui. Essa igualdade de valor das artes feitas nas ruas não existe lá como existe aqui.

 Andressa Pessanha Portal: A manifestação de subculturas locais pode evitar que outros elementos culturais estrangeiros, mais comerciais e globalizados, se difundam?

Ruth: A tendência do mundo é se tornar mais comercial e globalizado, e isso tem pontos positivos e negativos. A partir do momento em que há mais globalização, mais pessoas passam a ter acesso às subculturas. Ou seja, mais pessoas podem aproveitar e ter suas mentes mais abertas a diferentes atitudes, posições políticas, músicas, roupas, entre outros. Mas, a comercialização, mesmo que não seja de um jeito direto, traz influência de outros locais, isso é visível nas mídias sociais. Então, a mídia comercial é abastecida pelas redes sociais, já que estas, por si só, são também comerciais.  O Facebook, por exemplo, é destinado para o uso geral, e nos dá acesso a diversos conteúdos. Com isso, é muito difícil evitar influências estrangeiras.

Portal: Em muitos países, para fazer parte de alguns grupos, é necessário vestir um tipo de roupa ou possuir um objeto específico. Pode-se dizer que, desta forma, a subcultura estimula o consumo?

Ruth: A subcultura sempre foi baseada no consumo. A própria ideia de “adolescente” – hoje um grupo que contribui bastante para novas subculturas – era uma marca antes de se tornar um personagem social. Esta fase da vida foi selecionada para criar consumidores de produtos de um novo mercado voltado para jovens na América, basicamente. Isso acontece com todas as subculturas já que, para formar uma identidade própria, é preciso aderir a um tipo de cabelo, roupa, música e programa de televisão. Não há como criar uma identidade sem consumo. Além disto, o consumo pode ser passivo, mas abre portas para um consumo criativo. Ou seja, você compra uma roupa, mas o jeito que você usa essa roupa, ou aquele chapéu traz uma nova identidade. Portanto, é possível ser criativo no mundo do consumo, mas, fora dele, não.

Portal: Ainda no artigo The Englishness of English Punk: Sex Pistols, Subcultures and Nostalgia, há uma citação do jornalista inglês Christopher Booker na qual ele afirma que nunca antes na história houve uma população tão desacreditada do presente, com medo do futuro e ligada ao passado. Esse era o sentimento nos anos 70, no Reino Unido. Como é atualmente?

Ruth: Esta é uma descrição atual do Reino Unido. Nós estamos em queda na economia, o governo age de uma forma um tanto quanto opressiva, cortou gastos e também serviços públicos, além disso, há alta na taxa de desemprego.  Esses são exemplos de que o futuro é problemático para nós. Então, a população se sente nostálgica e a internet é um impulso. Toda a informação sobre alguma subcultura está disponível online e as pessoas começam a reciclar esses movimentos. Com essa redescoberta a descrença do presente e o medo do futuro continuam vivos. Tem um olhar que volta para o passado e assume que antes era melhor. Existem ideias romantizadas sobre as subculturas do passado e há a sensação que as coisas eram mais reais e as pessoas mais autênticas e comprometidas. Atualmente a população tem uma atenção dispersa que se move muito rapidamente para o próximo afazer do dia.  Esse é um fenômeno que não acontece apenas no Reino Unido, é global, porque a internet é global.

Portal: O artigo “Who says white men can’t dance” entra em uma discussão delicada sobre o racismo. Essa discussão é comum em Londres ou não?

Ruth: Essa discussão está presente tanto nos meios acadêmicos quanto na cultura popular. Eu tenho a impressão que aqui no Rio existem grupos de pessoas que sofrem diversos tipos de repressão e por isso criam suas próprias subculturas como uma forma de resposta. Em alguns casos, essas subculturas se apresentam criminais, violentas e até mesmo antiautoritárias. Já outras pessoas desses grupos se inspiram em figuras que possuem status e privilégios, pois buscam uma vida mais glamorosa que procura fugir da vida comum da classe média. Um exemplo é a figura do gangster e de maneira mais negativa a máfia.

Portal: No Brasil, o futebol é uma das principais oportunidades dadas aos jovens que tem pouco acesso à educação e outros direitos sociais. É possível identificar, no Reino Unido, algo que tenha a mesma função do futebol aqui?

Ruth: O futebol também é visto como uma forma de ganhar um status e um acesso a valores materiais. Em um patamar semelhante, a música também é uma oportunidade. Mas há o lado social. Em algumas comunidades é uma forma de manter as crianças nas escolas e fazer com que elas desenvolvam laços de amizade. Visitei o morro Dona Marta aqui no Rio e percebi que o futebol assim também, não só evitando que essas crianças saiam das escolas, mas principalmente que não se envolvam com o crime e o tráfico de drogas. Um dos guias me explicou que alguns eventos são feitos nessas comunidades, como dia das mães, que facilitam essa integração das crianças e o afastamento delas da escola e família. As pessoas me alertaram sobre visitar morros e lugares mais pobres, mas não deixei de ir, queria conhecer e viver a experiência. Em Londres, também preciso tomar muito cuidado com os lugares que vou ou não, mas, na verdade, não podemos viver assustados o tempo todo.

Portal: Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCIAD), a Indústria Criativa movimenta mais de US$ 624 bilhões anuais no mundo. Quais são os pontos positivos e negativos da ascensão desta no mundo?

Ruth: Particularmente, acho o capitalismo uma coisa muito problemática por estimular a superficialidade. As pessoas não são reconhecidas pelo que elas são verdadeiramente, geralmente são definidas pelo que compram ou pelo que vestem. Ou seja, o foco está muito mais na aparência e em como as pessoas estão gastando o seu dinheiro. Por outro lado, as Indústrias Criativas são responsáveis por desenvolver significados em comum. Por exemplo, pontos que nos permite comunicação com diferentes pessoas, tal qual não seria possível se não houvesse algumas semelhanças nessas culturas. Então, podemos fazer amizades por dividir o mesmo gosto de filmes e músicas. Além de ser um motor para a economia do Reino Unido, já que nosso lucro, em grande parte, vem das Belas Artes; estas indústrias divertem o público.

Portal: É possível ver a presença da indústria criativa britânica em outros países? Você viu algo que possa ser relacionado ao Brasil?

Ruth: Essa é uma das coisas que eu estou tentando descobrir aqui no Brasil, sendo a minha primeira vez no país. Eu percebi muitas músicas britânicas na rádio. Mas ainda assim eu ouço muita música brasileira lá também. A maioria é de música eletrônica, como o DJ Patife. Além disso, temos o samba, que já é um clássico do Brasil. Em Londres, fazemos um carnaval em Agosto que é uma combinação de diversas tradições carnavalescas. Misturamos a nossa tradição, com algumas influências do Caribe, da Jamaica e do Brasil. Todas as comunidades em Londres participam disso. Essa mistura tem sido até exportada para outros países e é uma coisa bastante britânica. Londres é uma cidade muito boa em absorver outras culturas.

Portal: Quando falamos sobre o poder da economia criativa no Reino Unido, você diria que este pode ser um exemplo a ser seguido para melhorar esse tipo de economia aqui no Brasil? 

Ruth: De alguma forma, o modelo político da economia criativa no Reino Unido já está sendo exportado para outros países. De certa forma, fomos pioneiros nisso, já na época do Tony Blair. Tenho percebido um forte impulso através de grandes investimentos em áreas como moda, arquitetura e filmes. São elas que permitem que essa indústria cresça e se expanda. Entretanto, existem problemas também no que se refere à ideia de que a cultura pode ser usada para modificar as cidades pós-industriais, nas quais não há empregos e pouco dinheiro. Nessas cidades, houve uma época em que muitas fábricas foram fechadas e a produção foi levada para lugares onde a mão de obra é mais barata, como a China. Porém, essa área não é suficiente para gerar tanto dinheiro como as fábricas geravam antes, porque não existe público suficiente para um museu em cada cidade. Por vezes, as pessoas foram otimistas demais sobre o poder da indústria cultural.

 Andressa Pessanha Portal: Por quê?

Ruth: Algumas comunidades conseguiram se sustentar através do fluxo de dinheiro vindo da cultura, turismo e indústria criativa. Contudo, outras regiões que eram basicamente fabris, não conseguiram se reajustar e levar seus trabalhadores para outras áreas econômicas. Isso é problemático, eu acho. Em alguns lugares funcionou muito bem, em outros não. O nosso atual governo é bem menos interessado em artes, então essa área tem precisado cada vez mais ser financiada, o que é complicado com os problemas econômicos pelos quais o país passa. O governo tem um comportamento bastante capitalista, eles estão mais interessados em coisas que se transformam em dinheiro do que o pode ser socialmente benéfico, mas pouco rentável. Por exemplo, museus, belas artes, teatros, balés ou artes em comunidades, que podem ajudar as pessoas a alcançarem seus potenciais, fazerem amigos e até mesmo ajudar a própria comunidade. O mundo das artes é muito vulnerável, depende bastante da ideologia do governo no poder para receber ou não incentivos.

Portal: O Brasil está passando por um período de recessão econômica e você disse que no Reino Unido também há uma dificuldade econômica para a indústria criativa. O que pode ser feito para fazer com que essa indústria continue crescendo?

 O mais importante é que exista vontade política para fazer com que a indústria criativa se mantenha aquecida. Se não há investimento, a estrutura não se sustenta sozinha, especialmente no caso das belas artes. O capital privado também se apresenta como uma forma de auxílio, o Reino Unido tem grandes doadores das artes e da indústria criativa. Também existem empresas que são patrocinadoras das artes, mas esse é um tema mais controverso. Por exemplo, a BP, empresa britânica de petróleo e gás, é uma grande doadora de recursos da Tate Gallery. Quando houve o derramamento de óleo no Golfo do México, muitas pessoas escolheram a Galeria para irem protestar. Foi uma situação complicada, pois como museu a Tate incentiva esse tipo de engajamento do povo, mas nesse caso não tinham como permitir. Museus devem aplaudir os bons valores humanos, mas se o dinheiro que os sustentam vem de companhias que estão poluindo e destruindo o planeta, eles ficam com a imagem manchada. Museus desse porte possuem valores éticos e, portanto precisam sempre verificar os prós e contras de aceitar dinheiro de grandes empresas. No Reino Unido as companhias de Tabaco há vinte anos já não possuem permissão para patrocinar as artes e os esportes.

Portal: Você acha que agora a parte mais importante dessas indústrias criativas está na televisão?

Ruth: Televisão? Não. A maior parte da economia criativa está no mundo digital. Acho que a televisão tem grande importância em como os britânicos são vistos ao redor do mundo. No caso da BBC, ela está aprendendo a se tornar mais comercial. Em parte porque ela precisa aprender a fazer dinheiro e por outra parte porque o governo está tirando investimentos da empresa. Programas como “Doctor Who” e “Sherlock” estão sendo vendidos para muitos países. Assim, eles conseguem fazer o que querem e acreditam, enquanto geram renda ao mesmo tempo. Temos uma organização chamada “British Council” que ajuda a promover a cultura britânica em outros países. Quando aconteceu a estreia de “Doctor Who”, a organização promoveu um tour que veio até em São Paulo. Isso é importante, pois conseguimos manter nossa cultura, exportá-la para outros países, além de fazer dinheiro com isso. Algo parecido aconteceu com “Harry Potter”, e isso serviu de suporte para muitas áreas da indústria criativa. Começaram com livros publicados por uma companhia britânica. Depois, vieram os filmes feitos em parte pelos britânicos. Existe até um turismo ao redor do mundo do personagem, como cidades que serviram de locação, como Oxford e até um parque temático do Harry Potter. Isso se tornou uma boa marca que pode ser vendida de diversas formas.

Portal: Londres nos parece uma cidade muito multicultural e multirracial, diferentemente de outras cidades britânicas. Como funciona isso?

Ruth: Londres é uma cidade que convive muito bem com outras culturas. Fora de Londres, existe uma quantidade maior de uma população branca e genuinamente europeia. Nessas cidades fora de Londres, percebemos algumas grandes comunidades, como a dos indianos, mas que não se “misturam” muito bem, acabam ficando bem isolados. Algumas cidades são contra a imigração. Londres tem um carácter muito mais aberto e aproveita melhor a cultura de fora. É como se [Londres] fosse outro país dentro do Reino Unido. Tem uma população relativamente grande, em números aproximados, eu diria que a população do Reino Unido está em 60 milhões e a de Londres em sete milhões. Aproximadamente como aqui no Rio. Grande parte da cultura está em Londres, o museu nacional, o teatro nacional, a maior parte das belas artes e até o governo. Londres recebe muita atenção e outras partes do país não compreendem isso bem.

Portal: Em 2016, a cidade vai sediar os Jogos Olímpicos, e Londres teve a mesma experiência em 2012. Quais foram as expectativas e as surpresas que os britânicos tiveram?

Ruth: Os esportes podem ser colocados nessa categoria da indústria criativa, especialmente quando citamos esses grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas em Londres e a Copa do Mundo no Brasil. É importante porque esses eventos incentivam investimentos em áreas que são essenciais, como infraestrutura. Em Londres, percebemos os benefícios no nosso dia a dia. É claro que na época houve uma grande preocupação com o que seria gasto e o que teríamos em retorno. Nós somos um povo muito crítico e diria até um pouco pessimista, no período pré-olimpíadas.  Era muito comum ouvir pelas ruas que ser sede dos Jogos era uma péssima ideia. Havia muito medo e desconfiança, que nada seria terminado a tempo, que haveria muita corrupção, que tudo estava sendo feito pela Coca-Cola e o McDonald’s. Mas, quando aconteceu a cerimônia de abertura, foi como se uma flor estivesse se abrindo. Nunca vi Londres daquele jeito, a cidade ganhou uma atmosfera feliz e muito positiva.

Portal: Aqui no Brasil passamos por um sentimento parecido, existe muita especulação sobre quais seriam os legados das Olimpíadas. O que de mais importante você percebe que permaneceu em Londres?

A mídia e as pessoas deram uma grande ênfase na discussão de tornar as obras úteis. Algumas vezes, depois que os jogos acabam, as Vilas Olímpicas e algumas estruturas são simplesmente derrubadas simplesmente como se estivéssemos jogando dinheiro e investimento fora. Sei que para a Copa do Mundo aqui eles construíram estádios em lugares que poucas pessoas teriam acesso depois. E soube que isso também aconteceu na África do Sul. Em Londres, o uso da construção após os Jogos era um fator fundamental para a obra receber ou não o aval. Atualmente, o parque Olímpico está aberto como um parque público, então é bastante comum famílias aproveitarem o espaço para se reunirem nos finais de semana. As piscinas olímpicas também estão abertas ao público.