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Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2017


Cultura

Livro de Aline Novaes mostra atualidade de João do Rio

Bárbara Chieregate * - aplicativo - Do Portal

10/09/2015

 Bárbara Chieregate

A relação de João do Rio com a cidade que o apelida não poderia ser mais íntima. Por coincidência, é no ano em que o Rio de Janeiro completa seu 450º aniversário que a jornalista Aline da Silva Novaes, doutora em Literatura, Comunicação e Contemporaneidade pela PUC-Rio, lança o livro João do Rio e seus cinematographos: O hibridismo da crônica na narrativa da belle époque carioca (Mauad X/Faperj). A obra conta com textos inéditos do escritor e jornalista e revela os costumes da sociedade carioca nos primeiros anos do século XX, além de abordar as possibilidades da crônica a partir da análise da coluna Cinematographo, publicada na Gazeta de Notícias. “É um trabalho de investigação, de pesquisador, lidar com um texto que nunca foi publicado em livro, olhar para esse material que estava parado sem ser lido há tanto tempo e saber usá-lo”, diz Aline, que pesquisou sobre o autor durante a graduação, mestrado e doutorado na PUC-Rio, orientada pelo professor Renato Cordeiro Gomes. O lançamento será na terça-feira, dia 15, na Blooks Livraria, na Praia de Botafogo.

Segundo Aline, João do Rio mostrou a importância do novo modelo de representação das cidades. “Antes a cidade era representada a partir de uma distância. João do Rio é essa figura que foi às ruas, subiu os morros e relatou o que viu nas páginas dos jornais”, ressalta a jornalista, que participa do Grupo de Pesquisa em Teorias do Jornalismo e Experiências Profissionais na PUC-Rio, coordenado pelo professor Leonel Aguiar.

 Divulgação Aline compara o momento em que João escrevia com o atual. “Ele era um homem de jornal, com uma consciência do papel da imprensa para a sociedade. Isso é muito importante, ainda mais porque vivemos outro momento de bota-abaixo”, ressalta. João escreveu sobre o início do século XX, um período marcado por várias transformações. Nessa época, o prefeito Pereira Passos realizou uma reforma urbana para deixar o Rio de Janeiro nos moldes de Paris. Por isso, demoliu o Morro do Castelo, alargou ruas e desapropriou algumas residências, o que originou a favelização. “Hoje vemos uma postura muito parecida com a do Pereira Passos, principalmente na Zona Portuária”, afirma Aline.

– João era um questionador e crítico, e pensava em uma cidade para todos. No entanto, mais de cem anos, isso continua não existindo. É importante olhar para esse passado para compreendermos melhor o presente, questionando as transformações que ocorrem – aponta Aline.

Na coluna de João do Rio, há relatos do Rio de Janeiro – questões sociais, produções culturais, peças de teatro, música, livros que recebia, problemas da cidade. Na visão de Aline, o título da coluna ligado ao cinema funcionava como uma “estratégia para ser lido”. Já no livro Cinematographo, que conta com 46 textos – apenas seis comuns à coluna –, a presença do cinema é mais marcante:

 Aline Novaes – Quando João escreve o livro, já percebemos ele testando a linguagem literária contaminada pela linguagem do cinema. Se você ativar a sua imaginação, é um texto mais cheio de adjetivos, as frases são mais curtas, o que dá uma leitura mais fluída. São algumas coisas que você pode aproximar.

A autora, também licenciada em Letras pela UERJ, demorou para conseguir transcrever as colunas publicadas. Na época de sua pesquisa, a Bibilioteca Nacional não disponibilizava um acervo online, e quando finalmente conseguiu acesso aos arquivos originais, Aline precisou digitalizar mil páginas para concluir sua apuração. Ela conta que o interesse por João do Rio surgiu na aula de Comunicação e Literatura, lecionada pela professora Giovanna Dealtry na graduação:

– Parecia que tinha encontrado tudo numa só produção. Ele era essa figura híbrida e nele eu encontrava tudo que me interessava, porque o que eu gostava mesmo era esse entre-lugar da literatura e jornalismo.

* Colaborou Juliana Reigosa