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Rio de Janeiro, 23 de maio de 2017


Cultura

Jovens escritores investem em prêmios e dicções autênticas

Juliana Reigosa - aplicativo - Do Portal

15/07/2015

 Arte: Davi Raposo

Vencer a barreira do anonimato e ter voz própria é o sonho de dez entre dez jovens escritores. A grande variedade de editoras e de prêmios literários, como Jabuti, Sesc de Literatura e São Paulo de Literatura, incentivam a produção desses estreantes. Em um cenário marcado pela internacionalização do mercado literário e pulverização da produção – no qual as novas mídias digitais, a blogosfera (todos os blogs como uma comunidade) e as redes sociais revolucionaram a literatura – , eles ainda esbarram, entretanto, nas dificuldades de um mercado irregular e simpático às celebridades instantâneas.

“Viver de literatura no Brasil é difícil”, afirma João Vereza, vencedor da categoria contos do Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013 e finalista do Prêmio Jabuti 2014 com o livro Noveleletas (Editora Record, 192 páginas, R$ 30,00). O escritor precisa desdobrar-se, por exemplo, em viagens, roteiros, artigos, aulas e eventos, além de ter tempo e energia para produzir. Ter um emprego para pagar as contas também é fundamental:

– Todo lançamento é uma luta. Conquistar o leitor exige um suor danado, não importa se você é um jovem estreante ou um escritor mais estabelecido. Ainda assim, um livro bom de verdade, honesto, verdadeiro e visceral acaba ganhando espaço naturalmente – acredita Vereza, publicitário formado pela PUC-Rio.

Aos 24 anos, Raphael Montes, destaque na literatura policial brasileira, sabe bem o que é isso. Em 2012, encontrou dificuldade para publicar o primeiro romance, Suicidas (Editora Benvirá, 488 páginas, R$ 34,90). “O mercado editorial brasileiro é cruel. Existem prêmios literários a autores estreantes e algumas editoras começam a abrir os olhos para jovens, mas a verdade é que publicar o primeiro romance é complicado”, ressalta o carioca. Ele acrescenta:

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso – Na medida em que o primeiro livro é publicado, você é tachado como promessa, jovem revelação da literatura. A questão é que, quando você é promessa, logo precisa provar que consegue se manter. Não pode chegar ao quinto livro ainda sendo a promessa de um grande futuro escritor. Tem que passar a ser o próprio êxito e ter sua qualidade literária – reforça Montes, que coleciona elogios de nomes como o escritor americano Scott Turow, autor dos romances Acima de qualquer suspeita (1987), O ônus da prova (1990) e O inocente (2010).

A gaúcha Luisa Geisler, autora de Quiçá (Editora Record, 240 páginas, R$ 45), Contos de Mentira (Editora Record, 128 páginas, R$ 35) e Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente (Editora Alfaguara, 296 páginas, R$ 39,90) acredita não ser possível viver apenas da venda de livros no Brasil. Diz, bem-humorada, que “escritores dificilmente têm o carro do ano”:

– É inviável viver só de livros vendidos no Brasil. Agora, se a pessoa se dispõe a participar de eventos e trabalhar como tradutor, por exemplo, isso fica mais flexível – pondera Luisa.

O cenário da produção literária no Brasil, contudo, traz novidades que animam os jovens escritores: além da facilidade de edição, a internacionalização do mercado literário ajuda a consolidar "uma nova fase da literatura", acredita o crítico literário e diretor do Departamento de Letras da PUC-Rio Karl Erik Schøllhammer. Grandes editoras tornaram-se globalizadas, ou seja, tanto foram vendidas, como entraram em colaboração com editoras estrangeiras. É o caso da Companhia das Letras, que em 2010 se associou à Penguin Books. “Isso cria um mecanismo de divulgação diferente, pois contempla autores brasileiros com a possibilidade de divulgação no exterior, sendo traduzidos e lidos por americanos, europeus, asiáticos”, argumenta o crítico. Ele completa:

 Esse cenário aumentou a visibilidade da literatura brasileira nas grandes filas internacionais e na divulgação dos jovens autores no exterior. Temos agora escritores brasileiros representantes da classe média escolarizada, muitas vezes com formação universitária e que já viajaram para vários países, refletindo em suas produções temas do próprio país.

O segundo romance de Raphael Montes, Dias Perfeitos (Editora Companhia das Letras, 278 páginas, R$ 35), é exemplo desta internacionalização do mercado literário. Teve seus direitos adquiridos pela Fantasy Books, que publicará uma edição no formato de ideograma chinês complexo, em Taiwan, Macau e Hong Kong. Com a negociação, o romance já foi vendido a 14 países. Além disso, teve seus direitos de adaptação vendidos ao cinema. O filme será produzido pelo diretor Daniel Filho e tem previsão de filmagem para este ano.  

Voz própria é essencial, dizem os especialistas

A literatura brasileira, graças a essa pulverização, superou barreiras sociais, nacionais e os limites da plataforma papel. Para o crítico literário e tradutor Márcio Seligmann-Silva, o universo de escritores, entretanto, é enorme e torna a construção das gerações literárias uma invenção dos cadernos de cultura e de alguns acadêmicos:

 Para entender o que se passa na literatura contemporânea, o pesquisador cria o que lhe parece ser traços centrais que caracterizariam a “geração”. O que realmente escapa a essas novas gerações é um caráter distintivo, dificultando a tarefa daquele que quer mapear essa realidade. Não se pode esperar que autores criem uma “nova geração”. O que ocorre é que, posteriormente, o historiador da cultura constrói o que lhe parece ser tal geração.

Alguns traços, contudo, unem gerações. Ainda prevalece a preferência por um realismo que se refere à própria realidade, tanto urbana quanto rural, e certa tendência intimista, de voz autobiográfica. Assim aponta Karl Erik, autor de Cena do Crime: Violência e Realismo no Brasil Contemporâneo (Editora Civilização Brasileira, 2013), Além do visível: o olhar da literatura (Editora 7, 2008) e Letras e Ficção Brasileira Contemporânea (Editora Civilização Brasileira, 2010).

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso  Além disso, alguns escritores ainda usam uma linha mais claramente experimental. Essas são tendências que não se alteraram tanto. Por outro lado, temos uma variedade dentro dessas tendências que nos permitem criar um mapa mais diversificado do que tínhamos, por exemplo, nas décadas de 1970 e 1980 – observa o professor.

O escritor e publicitário Pedro Gabriel, sucesso por escrever poesias em guardanapos e divulgá-las na página eletrônica Eu Me Chamo Antônio, recorre a certa dicção intimista e autobiográfica para expor seus sentimentos:

– Quem imaginaria que guardanapos se tornariam poesia? Hoje, cada desenho e palavra que coloco em meus guardanapos são uma forma de voltar à infância na África, onde nasci, através de uma espécie de túnel do tempo. Com isso, escrevo para ser menino novamente e para sempre.

Na visão de Karl Erik, ter voz própria é o que diferencia aquele que entra no mercado e é lido pela novidade, mas desaparece na hora de tentar se reproduzir, daquele que se firma.  “Esse ainda é o grande desafio para muitos, e é difícil dizer, por exemplo, quais são os autores que daqui a 20 anos ainda vão permanecer no mercado”, aponta Karl Erick. Ele lembra que muitos migram para outros segmentos que envolvem escrita, como roteiristas e jornalistas, por exemplo. Já Márcio Seligmann-Silva diz que o grande desafio para novos escritores é a pulverização da produção literária:

 Quem escreve quer criar um nome, se destacar, mas como fazer isso em uma cultura que tende para a horizontalização da massa, perdendo-se em cadeias de redes horizontais? Os que despontam (verticalizam) são ou criações efêmeras do mercado, ou conseguiram estabelecer um vínculo com os agenciadores do mercado literário (a academia, os críticos literários, entre outros).

Por outro lado, o crítico literário e professor da Unicamp Alcir Pécora não vê interesse algum de autores se lançarem ou permanecerem no mercado literário:

– Não acho que literatura seja uma questão de mercado. Ao contrário, onde há mercado, tende a faltar literatura, ao menos do tipo que valha a pena ler e estudar.

Pécora completa: não há literatura interessante que repita o já produzido e partilhado. “Ou há invenção, ou é apenas imitação e literatura para fins de negócios. Isto é exatamente o que se dá na sociedade capitalista: competição para vender bens cada vez mais rapidamente perecíveis”, opina o crítico e professor de teoria literária da Unicamp.

Jovens escritores querem ser reconhecidos como novos talentos da literatura

Apesar da variedade de livros no mercado brasileiro – em 2013, eram 62.235 títulos, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL) -, o brasileiro lê pouco. A média não chega a quatro livros por ano, constata a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil". A aluna de Cinema da PUC-Rio Bruna Karyne, autora de 11 Contos e 1 Fábula (Editora Livre Expressão, 115 páginas, R$ 20), reconhece a dificuldade de sobreviver nesse cenário. Segundo a jovem escritora de 19 anos, o desafio ainda é agravado pelo fato de que várias editoras funcionam mais como gráficas e pecam na promoção de um autor nacional desconhecido. “As editoras estão mais ligadas à parte gráfica e comercial de todo o processo e pecam na divulgação. Na verdade, várias apenas diagramam o seu livro, organizam uma noite de autógrafos, colocam no site delas e pulam foram”, destaca. Ela desafaba:

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso – Um livro de qualidade de um autor desconhecido pode demorar muito para encontrar um espaço se estiver escondido em uma estante isolada, no fim da livraria. Mas, se um ator ou cantor, por exemplo, escrever e publicar qualquer coisa, tenha certeza de que essa qualquer coisa vai estar nas livrarias no dia seguinte. Isso porque os gerentes de compra sabem que sempre terá alguém para comprar o livro – ressalta.

De opinião semelhante à de Bruna, a estudante de Comunicação Social da PUC-Rio Carolina Michels, autora de Meus Encantos (Editora Schoba, 120 páginas, R$ 34,90), alerta: se não houver um "trabalho forte de divulgação, ficará difícil ter espaço no mercado editorial brasileiro”:

– Só consegue investimento quem já tem um nome consagrado no mercado. É lógico que, com a internet, a difusão dos textos acaba sendo maior, porém, sem um trabalho forte de divulgação, que demanda tempo e dinheiro, é difícil sair do público “amigos” e “amigos de amigos”.

Redes sociais e de blogs revelam e propagam talentos

Para jovens escritores, a parte mais fácil do processo editorial é escrever. Depois disso, o futuro está nas mãos de editores, distribuidores, gerentes de compras de livrarias e leitores em potencial. “O ponto principal é chegar até o leitor”, enfatiza Bruna Karyne:

– Se o escritor não é conhecido, precisa de um espaço para mostrar ao leitor quem ele é e como é sua obra. Caso o espaço não seja dado, por exemplo, em livrarias, é preciso encontrar algum caminho alternativo sozinho. Diante disso, que bom que existe a internet.

Sobrinha bisneta do poeta parnasiano Raimundo Corrêa, Carolina Michels considera a internet uma ótima vitrine. Para ela, as mídias digitais cumprem o papel de "mecenato" da literatura:

– Não que sejamos pagos para escrever, apesar de isso às vezes acontecer, mas é através das mídias digitais que divulgamos nossos livros e textos.

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso Fenômeno nas redes sociais e nas livrarias, Pedro Gabriel também destaca que a internet é uma vitrine para chegar com menos obstáculos aos leitores. Em outubro de 2012, o jovem virou febre ao criar a página Eu Me Chamo Antônio, hoje com mais de 900 mil curtidas. Chamou, assim, a atenção da editora Intrínseca, que apostou em seu talento e lançou o livro Eu Me Chamo Antônio (Editora Intrínseca, 193 páginas, R$ 29,90), vendendo mais de 150 mil cópias só no primeiro volume. “Tive sorte de ser visto nas redes sociais e da editora ter enxergado um conteúdo interessante para ser publicado. Se não fosse a internet, provavelmente não teria publicado meu livro tão cedo. No entanto, o sucesso do livro nas livrarias foi surpresa, afinal, não é porque uma página tem milhares de seguidores na internet que será best-seller nas prateleiras”, conta Pedro Gabriel, que ficou em décimo lugar na lista dos mais vendidos de 2014, na categoria Autoajuda e Esoterismo, pela Veja:

– Minha ficha ainda não caiu, pois tudo aconteceu de forma rápida. Eu me orgulho muito por estar nessa lista, sendo um autor nacional principiante no mercado editorial. Entendo que seja um livro difícil de classificar, mas eu adoraria que um dia chamassem o que faço de poesia – confidencia – Não sei se me encaixo em autoajuda ou ainda esoterismo.

Em relação à “blogosfera” e redes sociais, a estudante Bruna Karyne usa para divulgar seu livro. Desde janeiro, ela mantém um perfil no Wattpad, plataforma digital literária que disponibiliza conteúdo gratuito de novos autores ou dos já consagrados. Para Bruna, o iniciante deve usar esses mecanismos básicos de divulgação, que constituem “um universo à parte capaz de aglutinar leitores”.

– A internet é um meio de conquistar leitores: conhecê-los, apresentá-los a seu livro, receber feedback. O escritor precisa ser ativo nessas plataformas para fazer um marketing pessoal, já que a falta de divulgação é o principal problema enfrentado – destaca a jovem, que investe nas páginas de comunicação com os leitores, como o Facebook e o Instagram, e na parceria com blogs.

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso Carolina Michels também é a favor dos blogs: “são livros independentes expostos para as pessoas lerem”, define. Quanto às redes sociais, acredita que são “um grande caminho para a divulgação”:

– Com o universo digital, as pessoas passam a ler mais. Elas veem um link interessante no Facebook, por exemplo, e clicam. A partir disso, são direcionadas para blogs e páginas de autores, criando um ciclo.

Raphael Montes vai além e diz que os blogs são os novos críticos de jornais, pois são formadores de opinião. Segundo o escritor, a crítica de jornal repercute o que existe dentro de uma resenha. “O meu segundo romance, Dias Perfeitos, foi resenhado em centenas de blogs e vi a movimentação que isso causou, principalmente na época de seu lançamento, virando o assunto do momento”, diz.

– A crítica passa a ser mais direta, pois é feita por leitores e não por especialistas, como críticos literários – enfatiza Montes, que atualmente escreve suas crônicas no jornal O Globo e participa da equipe de roteiristas da nova série da TV Globo SuperMax, comandada por Marçal Aquino e Fernando Bonassi.

Em Portugal...

Seja no Brasil ou em Portugal, escritores recém-lançados procuram revelar um estilo autêntico, ainda que tenham DNA já reconhecido mundialmente. Caso do português Afonso Reis Cabral. O jovem de 25 anos é trineto de Eça de Queiroz, autor das reconhecidas obras O Primo BasílioO Crime do Padre Amaro e Os Maias. No entanto, foi através do talento e estilo próprio que conseguiu êxito. Com sobrenome de conquistador, tornou-se o mais jovem a ganhar o Prêmio LeYa, com o livro de estreia O Meu Irmão (Editora Leya, 368 páginas, R$ 25).

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso Para se diferenciar de escritores portugueses consagrados, como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz e Luís de Camões, Afonso procurou abordar em seu primeiro livro uma história original, além de escrever com naturalidade. Aliou o enredo a um estilo próprio, que não sabe definir por ser parte dele.

– Foi preciso superar muitos obstáculos para ser lido. O nome do autor, que nessa altura permanece desconhecido, o espaço nas livrarias, a falta de hábitos de leitura, e muitos outros. Até a sorte de o livro ser bem colocado nas livrarias. Sinto-me feliz por ter recebido o prêmio justamente porque O Meu Irmão é um primeiro livro de um autor desconhecido – comenta o jovem escritor.

Seligmann-Silva ressalta que não existe regra no jogo literário que defina os valores que os jovens talentos precisam ter para se diferenciarem de escritores já consagrados:

– Podemos pensar em princípios básicos, como o jovem ter uma escrita própria, identificável, porém, o mais importante é saber surfar nessa era da web. Trata-se de conseguir subir na onda certa, na hora certa, e ver quanto tempo fica em cima dela. Quando meus alunos que querem escrever literatura me pedem conselhos, só consigo dar um que parece ir contra essa questão: leia a boa literatura. Hoje, mais do que nunca, só desfazendo ela conseguimos construir nossas próprias poéticas.

Prêmios literários injetam ânimo em jovens escritores

Aos 23 anos, Luisa Geisler tem uma bagagem invejável de êxitos: ganhou dois Prêmios Sesc de Literatura, integrou a seleção “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros”, elaborada pela revista britânica Granta, sendo a mais jovem da lista, e foi finalista do Prêmio Jabuti 2013. “A literatura oferece aberturas diferentes para sermos pessoas diferentes. Isso sempre me interessou muito”, conta a gaúcha, que é movida por ideias, buscadas, até mesmo, em panfletos distribuídos na rua.

De acordo com Seligmann-Silva, os prêmios literários têm a capacidade de injetar ânimo no jovem escritor, que fica feliz pelo reconhecimento, como também de projetá-lo para além da horizontalidade da massa de escritores. Em 2006, o crítico literário vivenciou a experiência de ser premiado por sua literatura e recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro O Local da Diferença (Editora 34, 2005).

 Arte: Mônica Soares e Thayana Pelluso  Esses prêmios são muito importantes e acredito que, no Brasil, deveríamos dar mais valor a eles e, inclusive, criar novos, talvez segmentados, para tentar nos aproximar dessa vasta e pulverizada produção literária. Um filão que têm crescido é o de obras que incorporam imagens. Essa tendência é importante em mundo cada vez mais imagético, e os prêmios abririam espaço para valorizar essa produção – avalia o crítico literário.

O autor de Noveleletas, João Vereza, que ganhou o Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013 e foi finalista do Prêmio Jabuti 2014, acredita que premiações dão mais visibilidade ao escritor recém-lançado, ao mesmo tempo em que exigem mais dele:

 Com o Prêmio Sesc, sinto como se tivesse ganho um concurso de estágio em uma grande empresa. Como finalista no Jabuti, imagino o conselho de diretores olhando para mim e falando: “você é bom mesmo, acertamos em escolher você.” Prêmios são alegrias e responsas. Dão certa visibilidade e abrem algumas portas mais facilmente. Porém, ao mesmo tempo, aumentam bastante o grau de exigência.

Já o português Afonso Cabral conta que a conquista do Prêmio LeYa, por seu primeiro livro, O Meu Irmão, "é um sonho do qual ainda não acordou":

 O livro tinha o perfil mais difícil para conseguir leitores: primeira obra de autor desconhecido. Por isso mesmo, me parece um sonho do qual ainda não acordei. Permaneço um pouco acima da realidade, o que às vezes provoca tonturas. Brinco, claro. O Prêmio LeYa permitiu quebrar esse perfil, levando a muitos leitores uma obra que, de outro modo, ficaria perdida em uma livraria. Isso me deixa contente. O Meu Irmão já está nas livrarias em Portugal. Vê-lo nos expositores foi uma emoção muito forte.