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Rio de Janeiro, 25 de setembro de 2017


Crítica de Cinema

"Graça" mergulha na descoberta da adolescência

Jana Sampaio - aplicativo - Do Portal

26/09/2013

 Divulgação

A transição entre a infância e a adolescência é o pano de fundo do curta-metragem Graça (2013) (assista o trailer), da a ex-aluna do curso de Cinema da PUC-Rio Anna Clara Peltier, que será exibido hoje, às 15h, no Pavilhão do Festival do Rio (Rua Rodrigues Alves s/n, no Cais do Porto). Integrante da mostra competitiva do festival, o filme faz da fotografia (assinada por Gustavo Hadba e Lula Cerri) nas cenas embaixo d’água um reforço à intenção da diretora de aprofundar a perspectiva sobre a autodescoberta. 

Esse processo é construído por uma narrativa inquietante da novata Laura Micucci, que vive a personagem-título. Ao mesmo tempo em que Graça tenta superar os limites físicos nos treinos de nado sincronizado, a pré-adolescente tem de lidar com a fase de mudança e descobrimento do próprio corpo. 

Ao entrar na piscina, ela se desliga do mundo e mergulha no seu universo particular; a busca pela perfeição de gestos cronometrados é superada. Dentro d’água, a atleta dilui-se na adolescente em pleno desabrochar. Fora d'água, os papéis, paradoxalmente, se invertem e a atleta reassume o protagonismo. Observa-se, nesse balanço, uma referência à sobreposição de vivências da sociedade contemporânea, na qual pessoas se envolvem em várias atividades sem executar inteiramente nenhuma delas.

Contornos líricos transbordam no curta de 15 minutos, cujo desfecho flerta com o realismo fantástico ao transformar Graça numa sereia durante disputa de nado sincronizado. Lirismo no qual se banham, em especial, as cenas embaixo d’água:  retratam, com um olhar poético e despretensioso, o momento comum das inquietações internas e da busca pelo autoconhecimento, que atinge, em algum tempo, a todos.