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Rio de Janeiro, 27 de junho de 2017


Ciência e Tecnologia

"A Apple sempre foi Steve Jobs", diz professor

Caio Lima e Caroline Hülle - Do Portal

07/10/2011

 Divulgação: Apple

A morte de Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, a maior empresa do ramo tecnológico, na última quarta-feira, 5, aos 56 anos, gerou homenagens em todos os continentes e despertou uma questão: qual o legado deixado pelo executivo no contexto da revolução tecnológica?. Para especialistas e consumidores ouvidos pelo Portal PUC-Rio Digital, o maior feito de Jobs foi ter criado uma interface em seus aparelhos que facilitasse o uso de aparelhos eletrônicos pelos usuários. As dúvidas quanto ao futuro da Apple e do desenvolvimento da tecnologia daqui em diante também vieram à tona. Na opinião do professor de comunicação gráfica do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio José Antonio Oliveira, um usuário antigo e fiel dos produtos da empresa, “a Apple sempre foi Steve Jobs”.

– O sucesso da Apple está atrelado à personalidade de Jobs, no sentido de sua obsessão por coisas que funcionassem perfeitamente, de forma fácil e simples para o usuário, não fazendo com que este se preocupe com problemas que, de fato, não lhes pertencem – opina o professor.

Para Oliveira, Jobs foi um dos precursores de uma geração que amadureceu o conceito da palavra ‘inovar’ e buscou soluções novas para necessidades que as pessoas nem sabiam que tinham:

– Passou a ser possível enxergar um futuro que antes parecia impossível, tanto pelo lado da interface, como pelo lado das trocas e vendas de músicas.

Com esse “novo futuro”, também surgiu uma legião de fãs e admiradores de Jobs e da Apple. Um exemplo é a estudante de Comunicação Social Isabel Oberg, que diz priorizar a marca desde sua sexta série, quando ganhou seu primeiro Ipod:

– Depois disso já comprei outros quatro Ipods, mais um Iphone, um Macbook e um Ipad. Agora eu temo pelas próximas inovações da empresa. Espero que eles mantenham a qualidade, mas acho que vai ser difícil, pois quando em outra oportunidade Steve Jobs saiu da empresa, ficaram à beira da falência – opina a consumidora.

Assíduo consumidor da empresa e hoje trabalhando com informática, o gerente de suporte do grupo de Tecnologia em Computação Gráfica PUC-Rio (TecGraf) Cássio Gondim ressalta a importância que Steve Jobs teve em sua vida.

– Comecei a gostar de computadores por causa do computador que ele criou. Comecei a ouvir falar deles (Steve Jobs e Steve Wazniak, outro fundador da Apple) na adolescência em revistas de informática. Naquela época já eram diferenciados – destaca Gondim.

Segundo o “Mac maníaco”, desde mais jovem Jobs já demonstrava entender o que o consumidor desejava:

– Ele criava o futuro, pois criava coisas que de alguma forma faziam diferença para as pessoas. E não fez uma vez só, fez várias. Um ponto importante do legado de Jobs é a atenção para os detalhes e o bom gosto, que fizeram toda diferença para o sucesso.

Já o professor de Ciências da Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marcos Lage acredita que Steve Jobs estava um passo à frente dos concorrentes pela maneira “intuitiva” e “simples” como pensava a tecnologia, facilitando ao máximo o uso dos eletrônicos.

Quanto ao futuro da Apple, o especialista em computação científica acredita que, apesar dos bons profissionais, a marca passará por momentos de turbulência:

– Embora Jobs tenha enraizado conceitos, qualquer mudança de comando e filosofia é arriscada para uma empresa. No entanto, ele era cercado por boas pessoas e não pensava tudo sozinho. A Apple já deve ter alguns projetos encaminhados.

Segundo Lage, no geral, a tecnologia deve sofrer menos impactos, pois, depois das inovações de Jobs, as pessoas estão mais criteriosas quando vão às compras.

– A concorrência já correu tanto atrás para se equiparar à Apple que acabaram surgindo outros profissionais capacitados – acredita o professor da UFF.

 Uma questão essencial destacada pelo “Mac maníaco” Gondim e que, segundo ele, as pessoas não levam em consideração, é que Jobs, com tudo que criou (loja de música, loja de aplicativos, lojas de filmes), acabou viabilizando outros mercados:

– O da música, por exemplo, estava padecendo de pirataria. E Jobs criou uma forma de ganhar dinheiro com a venda de música. Não só a sobrevivência do mercado da música, também enriqueceu outros desenvolvedores pequenos de softwares com a loja de aplicativos.