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Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2017


Cidade

Novo MIS cria expectativas em moradores de Copacabana

Marina Estevão* - Da sala de aula

17/12/2014

 Marcela Salgueiro

Tudo começou em 1922, quando os cariocas estavam muito animados. O motivo? O Centenário da Independência do Brasil. Para a comemoração, vários locais foram construídos pela cidade do Rio de Janeiro. Além do hotel Copacabana Palace, outro prédio, na Praça XV, dava lugar ao pavilhão do Distrito Federal.

Em 1965, a expectativa das pessoas ganhou outro nome: Museu da Imagem e do Som. No mesmo prédio construído, no andar térreo, 50 poltronas davam espaço para exibições cinematográficas e auditório. Também havia espaço para um estúdio de gravação com departamento técnico, um pequeno laboratório para montagem dos painéis para exposição, uma sala para o diretor, outra para os funcionários, e um balcão com recepcionistas para atender ao público. No pavimento superior, cinco grandes salas abrigavam as exposições.

Graças à programação de vanguarda, o MIS tornou-se o museu de maior efervescência cultural nos anos 60 e 70 e se eternizou como o mais carioca dos museus.

 Divulgação Entre os anos de 1989 e 1990, obras de restauração do MIS da praça XV fizeram o acervo ser migrado provisoriamente para diferentes instituições culturais da cidade, uma delas na Lapa, fazendo com que esta se tornasse a segunda sede do Museu. Assim, a sede de número 15 da Rua Visconde de Maranguape pôs à disposição do público pesquisador grande parte do acervo da Instituição.

50 anos depois...

“Qualquer coisa é melhor que a Help”, brada o aposentado Paulo Pessoa.  Ele mora há mais de 50 anos no mesmo prédio em Copacabana, ao lado do local da antiga discoteca Help, demolida em 2011.

Inaugurada em 1984, a boate com os letreiros neon reproduzindo passos de dança iluminava o calçadão de Copacabana. Inicialmente, era um lugar de lazer dos jovens ricos da cidade, até considerado careta por alguns frequentadores, mas a partir de 1996 o ambiente começou a mudar. À meia-noite, a pista era tomada por gringos e prostitutas que, antes, esperavam do lado de fora junto ao restaurante Sobre as Ondas. Do outro lado da calçada, o restaurante Meia Pataca também recebia o mesmo tipo de clientes. Para Paulo, esses lugares contribuíram para piorar a frequência do bairro:

– Com a Help e o (restaurante) Meia Pataca, Copacabana ficou tomada por gringos e garotas de programa, o que chamava atenção dos ladrões e traficantes. Não era mais um bairro familiar.

O projeto do novo MIS, patrocinado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, pretende dar início às suas atividades no primeiro semestre de 2015. Além de abrigar o acervo do Museu Carmen Miranda – hoje localizado no bairro do Flamengo –, será um espaço de produção e difusão de cultura, atuando também como centro cultural. É o que antecipa a historiadora e presidente do MIS-RJ, Rosa Maria Araujo. Segundo ela, uma intensa programação artística e cultural vai agitar os espaços do museu:

– No cineteatro, no terraço, no quiosque à beira-mar teremos shows, peças, filmes, concertos, depoimentos, debates, seminários. Tudo acompanhado por um programa educativo que integre mais e melhor as crianças e jovens à cidade, os moradores do bairro e das comunidades, os idosos, os turistas nacionais e, de novo, estrangeiros.

A sede pretende mudar a cara do bairro. A escolha da praia de Copacabana como endereço está ligada ao caráter diverso do lugar e por ser um cartão-postal brasileiro:

– Acho que o museu vai chamar a atenção dos turistas para algo bom, porque o MIS conta parte da nossa história também, e essa vista já atrai todo mundo! – diz Paulo, que passa tardes lendo em frente à sua janela com vista para a praia. Valéria Borges, síndica de um prédio nas proximidades do novo museu, conta que os apartamentos que alugam temporada traziam más influências para os moradores de dentro:

– Como é numa boa localidade, os gringos vinham muito e traziam garotas de programa que arrumavam aí na esquina. O prédio era muito mal frequentado e pessoas estranhas transitavam no mesmo ambiente que moradores antigos. Gostaria que tivesse outro tipo de frequência no prédio, e espero que o museu possa mudar a imagem do bairro e traga pessoas para outros motivos a partir da inauguração.

*Reportagem produzida para o Laboratório de Jornalismo.