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Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2017


Campus

Encontro repensa cobertura midiática das Jornadas de Junho

Yasmim Restum - aplicativo - Do Portal

11/06/2015

 Paula Bastos Araripe

A multiplicidade de vozes na cobertura jornalística das manifestações de junho de 2013 traçou panoramas dos protestos feitos pela imprensa hegemônica e deu maior visibilidade às coberturas dos portais alternativos de informação. A aparente oposição entre as mídias despertou a curiosidade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio, que organiza, para a próxima quinta-feira (18) às 13h, na sala K102, o seminário Jornadas de Junho revisitadas: produção de sentido e narrativas em disputa.

Com mediação dos jornalistas Leonel Aguiar, coordenador de graduação do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e pesquisador do Grupo de Pesquisa Teorias do Jornalismo e Experiências Profissionais do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC-Rio, e André Lobato, d'O Globo, o encontro reúne o repórter da revista Veja Leslie Leitão, que participou da cobertura das manifestações; a midiativista Raquel Boechat, fundadora do Coletivo Carranca; o jornalista e escritor André Fernandes, fundador da Agência de Notícias das Favelas; e o também jornalista Arthur William, fundador do Portal Rebaixada. Leonel acredita que o debate “poderá mostrar a complementariedade entre os coletivos de mídia e a grande imprensa”:

– Escolhemos uma data estratégica para marcar os dois anos das Jornadas de Junho, que aconteceram justamente por volta de 20 de junho. Tanto que o evento se chama Jornadas de Junho Revisitadas. Queremos saber se há, de fato, uma disputa entre essas diversas narrativas associadas às manifestações de junho de 2013, ou sehá uma confluência, uma complementação entre as narrativas produzidas por esses coletivos e pela imprensa hegemônica. Como pesquisador, me parece que elas se completam – avalia.

Ainda de acordo com o especialista, as contribuições do seminário para o curso de Jornalismo da PUC tendem a ser pródigas. Pois, “é preciso rever o papel da mídia como produtora de sentido”:

– A ideia de que o jornalismo não é apenas uma atividade profissional, não é apenas um lugar de lucro das empresas, mantém a profissão com um papel muito importante na esfera pública: o de apontar para o cidadão, de certa maneira. Daí o porquê de se ter um jornalismo de qualidade, democrático, bem produzido e em um equilíbrio de conflitos e interesses. Este é o modelo que prega a PUC. O emprego de um jornalismo plural. Não um jornalismo que toma partido de uma das partes em um conflito de interesses, mas um jornalismo plural, que apresenta os diversos lados envolvidos em uma questão, em uma polêmica, em determinado acontecimento, para o cidadão se informar melhor e formar as próprias opiniões. Pensar essa mídia do ponto de vista da produção e da realidade social é o norte para onde caminhamos. Contempla, portanto, aquela ideia de que a mídia não apenas informa, mas é um dispositivo que ajuda a construir uma realidade social.

Laboratório de Trocas Narrativas

O Laboratório de Trocas Narrativas, coordenado pelo Grupo de Pesquisa Teorias do Jornalismo e Experiências Profissionais do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC-Rio, carrega o propósito de partilhar ideias e confrontar visões sobre a cobertura jornalística feita por veículos de comunicação com linhas editoriais diferentes. Leonel observa que a iniciativa se inspirou no fotógrafo Guilherme Planel:

– A ideia é colocar frente a frente dois profissionais que, aparentemente, teriam relação de antagonismo. Esse não é um trabalho inédito. A gente está, de certa maneira, aproveitando a ideia do fotógrafo Guillermo Planel, pós-graduado pela PUC. O Guillermo dirigiu o documentário Abaixando a Máquina – Ética e dor no fotojornalismo carioca (2007), para o qual ele entrevistou fotógrafos populares das favelas cariocas e os fotojornalistas da imprensa hegemônica. Assim, nós tomamos emprestada a ideia e trouxemos a prática para o laboratório, com o objetivo de promover o diálogo entre profissionais que acham que são opostos, para chegarmos a uma troca entre as narrativas de cada um.

O pesquisador ressalta, contudo, que o grupo de mestrado e doutorado está centrado no desenvolvimento dos estudos, sem a pretensão de projetar o futuro da mídia ou de suas inter-relações:

– Não temos a pretensão de apontar rumos. Apesar de o grupo existir desde 2006, só agora estamos tendo maior visibilidade na PUC. Com isso, queremos realizar nossas pesquisas. Não temos o objetivo de ganhar prêmios ou de fazer proposições, embora já tenhamos conquitado o prêmio de melhor dissertação de Comunicação, com a Adriana Barsoti, repórter de O Globo e doutoranda na PUC-Rio.