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Rio de Janeiro, 26 de março de 2017


Campus

Edson Mauro: "Trato ouvinte como cliente"

Paula Bastos Araripe - Do Portal

30/03/2016

 Paula Bastos Araripe

Abrindo a série de palestras da Semana de Rádio e TV, na terça-feira (29), no Auditório Padre Anchieta, o locutor esportivo da Rádio Globo Edson Mauro contou casos curiosos dos seus 51 anos de carreira na rádio. Começou sua trajetória aos 15 anos, como locutor de noticiários na Rádio Difusora, em Maceió. Aos 16, fez teste para locutor narrativo na mesma rádio e foi aprovado. Aos 18, foi para a Rádio Gazeta e, aos 20, foi chamado para trabalhar na Rádio Globo, no Rio. O treinamento de locução, no entanto, veio antes disso. Desde criança Edson gostava de futebol, mas, sem saber jogar, ficava narrando os jogos dos amigos na praia usando uma casca de coco para melhorar o som. Ele explica que o que fazia quando criança como diversão foi na verdade um treinamento típico de rádio:

 – A narração esportiva é antes de tudo uma grande mecanização por meio do treinamento. É treinando e repetindo que se criam técnicas que vão possibilitar o desenvolvimento e o aproveitamento da voz. Menos do que o tom de voz, o que importa é o talento para narração, das técnicas que se adquire para aperfeiçoar a voz. O José Carlos Araújo, por exemplo,: a voz dele, conversando, é muito baixa. Mas isso porque ele sabe como melhorar a voz na hora da narração e porque ele, assim como qualquer locutor, tem um fonoaudiólogo para manter a voz em bom estado.

Entre coberturas de Copas do Mundo e Olimpíadas, tanto para o Rádio como para a TV, e de outros eventos como carnaval e o show do Frank Sinatra no Maracanã em 1980, sua participação preferida foi de um jogo amistoso.

 Paula Bastos Araripe

– O que me deixou mais feliz foi ter narrado o último gol do Pelé como profissional. Ele estava no time no New York Cosmos em um projeto para implantar o futebol nos Estados Unidos e ele fez o jogo de despedida justamente contra o Santos, que foi o time da vida inteira do Pelé. E o último gol dele lá, em New Jersey, tive a oportunidade de fazer a narração e foi realmente um gol que eu me preparei. Eu fiz um texto que eu tive a oportunidade de ler para o último gol do Pelé. Talvez tenha sido esse o momento que eu mais saboreei na minha vida profissional.

Com a experiência prática acumulada surgiu a vontade de compartilhar seu conhecimento, o que o fez começar a dar aulas na Escola de Rádio, dez aos atrás. Professor do curso de narração esportiva, Edson diz ter muito orgulho de poder treinar e preparar jovens e poder ver os resultados depois, com alunos que hoje estão no mercado em portais esportivos de rádio e de televisão. O locutor deu ainda algumas dicas de como narrar com empolgação, mas imparcialmente:

 – Eu trato o ouvinte como meu cliente, e quero sempre fazer o melhor possível para o meu cliente. Por isso eu me preparo da mesma forma para todos os jogos. É preciso conhecer, saber as chances de cada time. E, como todo profissional de comunicação, o narrador esportivo não pode perder o controle. Tem que ter um equilíbrio, para conter a emoção e não parecer tendencioso.

Edson é chamado de o “Bom de Bola”, alcunha dada pelo colega Waldir Amaral, mas também é conhecido pelos bordões que criou em suas narrações. Ele explicou que sempre atualiza seus bordões com base no que está sendo falado na rua, os adapta para o esporte e treina antes para encontrar a melhor entonação para a frase.

 Paula Bastos Araripe  

 – O bordão é o charme da transmissão. Eu faço de acordo com o que está acontecendo. Peguei vários das minhas filhas quando eram estudantes na PUC: eu perguntava o que estava sendo falado nos pilotis da PUC para pensar os bordões. Também percebi que as novelas da Globo, principalmente as mais antigas, tinham muitos bordões de personagens que podiam ser usados. Em música também, já fiz algumas com músicas do Cazuza e mais recentemente fiz uma adaptação do Wesley Safadão. Agora, quando algum jogador erra um chute para o gol, eu digo que “faltou aquele 1%”. Eu gosto de fidelizar o ouvinte com os bordões, porque são eles que marcam em uma narração.