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Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2017


Campus

"O rádio precisa dos jovens para uma revolução"

Paula Bastos Araripe - aplicativo - Do Portal

02/10/2015

 Paula Bastos Araripe

A poucos anos do seu centenário, o rádio não sabe se em 2022 irá soprar as velas do bolo ou as suas cinzas, como afirmou Giovanni Faria, professor de comunicação da PUC-Rio, durante a palestra sobre o Futuro do Jornalismo nesta terça feira. A dúvida em relação ao fim não é novidade: “Várias vezes o rádio já preparou a sua missa de 7º dia, sendo a mais significativa de todas as ocasiões a chegada da televisão no Brasil”, contou.

O ex-diretor executivo da Rádio Globo disse que a salvação do rádio está na era digital, que é a sua única forma de sobreviver. Giovanni acredita que a internet potencializa já que não tem fronteiras, com pessoas do mundo inteiro podendo ouvir a um jogo de futebol no Maracanã através dos sites. Ele alertou, no entanto, que há um uso aleatório desse meio, que faz com que as rádios ainda não tenham lucro pelo uso do digital de maneira efetiva.

O professor de Comunicação em Rádio aposta em uma renovação para transformar o rádio:“Hoje o rádio precisa muito da inteligência dos jovens para fazer uma revolução”. Ele relatou que as emissoras mudaram, mas muito pouco, e não acompanhm o ritmo da modernidade: “É muito difícil mudar a cabeça de quem está no rádio há muito tempo. Elas estão muito arraigadas a um modelo que deu certo no passado e raciocinam que se deu certo em 1950, deve ser preservado”.

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 Paula Bastos Araripe

O rádio está em todo lugar, presente em 83,4% dos municípios, de acordo com IBGE. Mas o alcance e a audiência não significam lucro. O professor observou que, apesar se ser reconhecido pelo mercado, o rádio é o meio de comunicação que fica com a menor fatia do bolo publicitário, apenas 4%, enquanto a TV tem 69% do valor total: “Se eu quiser vender o meu carro e for anunciar no Jornal Nacional, evidentemente vou pagar 5 mil vezes mais do que se anunciar no rádio. Então prefiro anunciar 5 mil vezes no rádio, porque vou ter um alcance muito maior.”

Para incentivar os calouros, Giovanni contou que hoje não é preciso ter uma voz poderosa para trabalhar no rádio, e que o meio é a melhor escola para qualquer comunicador: “O rádio desenvolve capacidades e habilidades como nenhum outro veículo. Ele ajuda na desinibição, no improviso, e ensina a descrever cenas, o que é fundamental”. O essencial para qualquer aluno de comunicação social, para ele, é escrever bem: "Escrevero 'cachorro' com ‘x’, o que antes era comum no meio, não pode mais existir".

Assista à íntegra a palestra com Giovanni Faria

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