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Rio de Janeiro, 27 de abril de 2017


Campus

"Cortes comprometem qualidade do jornal"

Bárbara Chieregate - aplicativo - Do Portal

11/12/2015

 Paula Bastos Araripe

O diretor de Redação de O Globo, Ascânio Seleme, admitiu que os cortes de pessoal nos jornais comprometem a qualidade do produto distribuído aos leitores. A afirmação foi feita durante encontro com estudantes do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, quando uma aluna perguntou ao diretor se os cortes afetavam o jornal. Ele, prontamente, respondeu:

– Corte compromete a qualidade. Nós cortamos editorias, reduzimos o conteúdo que entregamos para o leitor no dia seguinte. Mas qualquer tipo de corte compromete, seja de papel ou de pessoas.

Desde o início do ano, a empresa jornalística vem demitindo jornalistas em grupos e extinguindo produtos, como Megazine, Globinho, Prosa, Revista da TV, e transferindo ao Marketing a gestão dos cadernos de Veículos, Empregos e Imóveis. Esta semana, mais funcionários foram dispensados.

Seleme afirmou que o critério para escolher o corte é “o que vai causar menor impacto no resultado final”. O diretor falou sobre a crise por que passa a indústria jornalística, somada às crises política e econômica do país, e afirmou que, apesar da transição do papel para o mundo digital, a versão em papel do Globo ainda sustenta 90% das operações.

Seleme, que esteve na PUC a convite do professor José Eudes, de Introdução ao Jornalismo, também comentou os erros de informação em jornais, que têm potencial para causar grandes estragos. Como exemplo, citou a notícia publicada por Lauro Jardim em sua coluna no Globo, afirmando que Fábio Luiz Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia recebido R$ 2 milhões.

– Prefiro mil vezes levar um furo a dar uma barriga, uma notícia errada. Jornalista não pode errar, mas quando erra tem que pedir desculpas, de maneira clara – disse.

Em sua opinião, o jornal ganha das diversas opiniões na internet pela credibilidade: “O leitor vai até a versão online para receber um conteúdo de qualidade, bem apurado e escrito”, justificou. Admite, no entanto, a perda do leitor jovem, apostando na sua conquista mais à frente:

– O jovem só vai passar a ler jornal quando não for mais jovem, e sim quando casar, trabalhar, tiver família. Aí então vai precisar de informação de qualidade para tomar decisões importantes na vida profissional e familiar.

O diretor ainda reiterou a independência do jornal, “que tem apenas 3% de sua receita vinda de empresas estatais”, e ponderou:

– Imagine se hoje não existissem os jornais. Nesse caso, como seriam as notícias da Câmara dos Deputados? Com notícias de assessoria. Notícia quem produz é jornalista, profissional treinado, qualificado e remunerado. As redes sociais ajudam muito, até a nós, jornalistas, mas os milhões de usuários das redes sociais não fazem jornalismo.